Num contexto marcado pela contínua quebra de preços e flexibilização das regras para empréstimos hipotecários, o número de fracções habitacionais vendidas mais do que duplicou nos primeiros três meses de 2026, tanto em termos anuais como trimestrais. Entre Janeiro e Março foram transaccionadas 1.613 casas, o melhor registo trimestral dos últimos cinco anos

 

SÉRGIO TERRA

 

Depois das vendas de fracções habitacionais terem caído 4% para 3.245 entre 2024 e 2025, os negócios do imobiliário registaram uma forte recuperação no primeiro trimestre deste ano, período marcado pela ampliação do limite do rácio dos empréstimos hipotecários para aquisição de casas, de 70% para 80%, e pela isenção do imposto de selo sobre transmissões de bens imóveis. Estas duas medidas, que entraram em vigor a 1 de Janeiro num esforço do Governo para estimular o sector, coincidiram ainda com o declínio do preço médio por metro quadrado das fracções alienadas, pelo 11º trimestre consecutivo, segundo revelam estatísticas oficiais analisadas pelo Jornal TRIBUNA DE MACAU.

De acordo com os dados publicados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), entre Janeiro e Março, foram transaccionadas 2.342 fracções autónomas e lugares de estacionamento pelo valor total de 8,31 mil milhões de patacas, o que representa acréscimos trimestrais de 59,8% e 69,4%, respectivamente, e subidas anuais de 73,7% e 55,8%.

No segmento da habitação, o volume de transacções trimestrais foi o mais elevado dos últimos cinco anos, ao totalizar 1.613. Este número corresponde ainda a aumentos de 113,9% e 119,5% em termos anuais e trimestrais, respectivamente, invertendo os resultados do período compreendido entre Outubro e Dezembro de 2025, marcados por uma quebra anual de 16,9% e uma diminuição trimestral de 23%.

Entre Janeiro e Março, as transacções de casas envolveram um montante global de 7,15 mil milhões de patacas, traduzindo um crescimento anual de 93,9% e uma subida trimestral de 113,9%. Em específico, foram transaccionadas 1.579 fracções em prédios construídos, por 6,97 mil milhões de patacas, números que reflectem aumentos trimestrais de 141,8% e 138,8%, e 34 em edifícios em construção (-58,5%), por 178 milhões de patacas (-58%).

O preço médio por metro quadrado (área útil) das fracções autónomas habitacionais vendidas na RAEM nos primeiros três meses deste ano fixou-se em 67.484 patacas, recuando 6,1% e 0,8% quando comparado com o período homólogo de 2025 e o trimestre precedente, respectivamente. Segundo os registos da DSEC, esta foi a 11ª quebra trimestral consecutiva e a segunda homóloga sucessiva, sendo que, considerando o cômputo geral dos anos, os preços médios têm caído sempre desde 2019.

Contudo, entre Janeiro e Março, a variação trimestral dos preços médios não foi uniforme em todo o território, com as descidas de 6,8% na Taipa (64.886 patacas) e 17,5% em Coloane (69.265 patacas) a contrastarem com o acréscimo de 4,8% na Península de Macau (68.054 patacas).

A nível geral, o preço médio das casas de edifícios construídos subiu 1,5% para 66.693 patacas, na variação trimestral. Estas fracções autónomas foram transaccionadas sobretudo nos “Novos Aterros da Areia Preta – NATAP” (396), em “Móng Há e Reservatório” (215) e na “Baixa da Taipa” (135), pelos preços médios de 75.175, 103.524 e 65.271 patacas, respectivamente. Nos edifícios em construção, o prédio médio cresceu 1,2% para 113.803 patacas, em relação ao quarto trimestre de 2025.

No final de Março, 5.979 fracções autónomas habitacionais estavam em fase de projecto, 1.313 em construção e 316 em vistoria. Ao longo do terceiro trimestre, foram emitidas licenças de utilização para 47 fracções, das quais 85,1% eram do tipo estúdio e 12,8% tinham dois quartos.

 

Menos lojas vendidas

No que respeita às lojas, o número de fracções vendidas (65) entre Janeiro e Março baixou 42% num ano e 52,2% em três meses, com o valor das transacções a atingir 514 milhões de patacas (-27,8% e -40,8%).

As estatísticas da DSEC sobre as transacções incluem ainda 10 fracções industriais (-28,6% do que nos três meses anteriores) por 60 milhões de patacas (-59,7%), 43 para escritórios (+168,8%) por 110 milhões (-7,5%) e 608 lugares de estacionamento (+10,1%) por 389 milhões (+6,3%).