20140826-34c

A “Forefront of Macau Gaming” decidiu marcar para o próximo sábado uma greve nos casinos de Sociedade de Jogos de Macau (SJM). A greve deverá ter lugar logo após um novo protesto dos funcionários da companhia, que também foi agendado para o mesmo dia. A greve visa exigir à SJM aumentos salariais de 10% para todos os trabalhadores dos casinos. Ontem, de acordo com a organização, sete mil trabalhadores de todos o casinos participaram no protesto geral do sector

 

Viviana Chan

 

20140826-35cCerca de sete mil trabalhadores do sector do jogo segundo a organização (1.400 de acordo com a PSP), saíram ontem à rua por melhores condições salariais e regras mais justas de progressão na carreira. A associação organizadora do protesto, a “Forefront of Macau Gaming”, anunciou que as iniciativas de contestação vão continuar, agendando para o próximo sábado uma nova manifestação e greve dos trabalhadores da Sociedade de Jogos de Macau (SJM).

De acordo com o presidente da “Forefront of Macau Gaming”, Ieong Man Teng, os trabalhadores da SJM estão muito insatisfeitos com a ausência de respostas por parte da companhia em relação às reivindicações de aumentos salariais de 10%.

20140826-33cCaso a entidade patronal continue a rejeitar negociações, “Forefront of Macau Gaming” diz que pretende começar a organizar uma greve a partir de sábado, fechando mesas de jogo nos casinos da companhia. Ontem de manhã, à margem de uma iniciativa de campanha eleitoral de Chui Sai On, o director-executivo da SJM, Ambrose So, voltou a afirmar que a companhia não reconhece a “Forefront of Macau Gaming” como uma associação sindical, rejeitando por isso iniciar negociações com a organização.

Para além dos aumentos dos salários para os funcionários dos casinos, a “Forefront of Macau Gaming” reivindica também a aprovação de legislação para proibir a importação dos trabalhadores no sector do jogo, considerando lamentável que o programa político de Chui Sai On não tenha nenhuma iniciativa nesse sentido.

Em declarações ao JTM, a secretária-geral da associação, Cloee Chao, disse que a “Forefront of Macau Gaming” esperava entre dois a três mil manifestantes no protesto de ontem e que a adesão final acabou por “superar as expectativas”.

20140826-32cNa semana passada, a mesma associação organizou outro protesto, que teve lugar na Praça de Amizade, apenas com trabalhadores da SJM. Nessa altura, para além de ter rejeitado o pedido sobre o aumento dos salários, Ambrose So referiu que a “Forefront of Macau Gaming” não é a legítima representante dos trabalhadores.

Cloee Chao contrapõe que a associação tem mais de cinco mil assinaturas recolhidas de trabalhadores da SJM que nomeiam a “Forefront of Macau Gaming” como entidade representante para negociar com a administração.

Durante a manifestação de ontem, os trabalhadores da SJM ostentaram um sinal vermelho para se identificarem como funcionários daquela operadora e gritaram palavras de ordem contra Ambrose So e Angela Leong.

Os manifestantes reuniram-se na praça do Centro Cultural junto ao casino Sands Macau no NAPE e caminharam pela Avenida da Amizade. Em frente ao casino StarWorld, os participantes na manifestação sentaram-se no meio da rua para gritar por aumentos para todos os trabalhadores do jogo do grupo Galaxy Entertainment. Os trabalhadores que se assumiram como funcionários da MGM China pediram o despedimento de dois responsáveis da entidade patronal: “Jacky Ho e Bruce Lo”.

Quando os manifestantes chegaram ao Hotel Lisboa e ao Grande Lisboa, vedaram as entradas para os recintos gritando “greve” e exigindo uma reacção da entidade patronal. Os manifestantes saíram do ponto do encontro às 17:30 e chegaram à Sede do Governo às 19:30.

De acordo com dados da Direcção de Serviços de Estatísticas e Censos divulgados ontem, o salário médio dos trabalhadores do sector do jogo era, em Junho deste ano, de 20.160 mil patacas, um aumento de 6,7% em relação ao período homologo do ano passado. Também em Junho deste ano, o salário dos “croupiers” era de 17.530 patacas.

 

Associação Comercial

esclarece posição sobre TNR’s

A Associação Comercial de Macau emitiu ontem um comunicado a desmentir ter solicitado ao Governo a  importação de trabalhadores não residentes para os lugares de “croupier”. No âmbito de uma sondagem que realizou, a Associação Comercial foi acusada de estar a defender a importação de mais mão-de-obra para o sector do jogo, porém, no comunicado, limitou-se a referir que considera urgente a resolução do problema de mão-de-obra. Criticou, no entanto, as pessoas “com má intenção” que fizeram interpretações “abusivas” da mensagem da associação, o que provocou “conflitos e pânico social”.