Alguns funcionários da Nova Era dizem sentir-se vendidos pela companhia, depois da maioria dos condutores já ter passado pela falência da Reolian há alguns anos, e lamentam o facto de apenas recentemente terem sido informados do acordo de fusão com a TCM e sem lhes terem sido dado pormenores. Mostram-se ainda preocupados com os salários e benefícios laborais após a fusão com a TCM
Viviana Chan
Um grupo de motoristas da Nova Era mostrou-se preocupado com a fusão da empresa com a TCM, apesar do director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego ter assegurado que o acordo não vai afectar os trabalhadores.
De acordo com o plano de fusão das duas companhias de autocarros, a Nova Era vai desaparecer, pois será totalmente absorvida pela TCM.
Segundo o jornal “Ou Mun”, os funcionários criticam a decisão da administração da empresa por ter sido tomada “de repente”. A maioria dos trabalhadores da Nova Era vê com desagrado a extinção da Nova Era.
Um condutor de apelido Wong referiu que entre 80% e 90% dos condutores da Reolian foram transferidos para a Nova Era e “a maioria não está muito feliz”. “Nunca pensámos que a Nova Era fosse desaparecer tão rápido”, disse.
Segundo Wong, os rumores sobre a fusão já circulavam internamente há mais de dois meses, mas até à semana passada nada tinha sido confirmado. Além disso, diz que o motivo da fusão é desconhecido, sugerindo que poderá ter derivado de uma decisão tomada pelo Governo ou pela própria companhia.
Assumindo estar preocupado com as medidas de transição, o condutor indicou que, além de não estar preparado psicologicamente para passar a trabalhar noutra empresa a partir de Agosto, ainda não foram esclarecidos muitos pormenores, como o salário e outros benefícios.
Outra condutora, de apelido Vong, também se mostrou desiludida com a fusão, dizendo sentir-se “vendida”, apesar de elogiar a simpatia da direcção da Nova Era para com os trabalhadores. Por isso, deseja que os dirigentes da transportadora possam ser transferidos para a TCM após a conclusão do processo de fusão.
Por sua vez, o deputado Leong Sun Iok disse ser difícil compreender esta decisão, uma vez que as expectativas do público iam no sentido da melhoria da qualidade de serviço. Para o deputado, embora as duas companhias tenham o mesmo sócio maioritário, devem manter a transparência da informação, sobretudo nas medidas transitórias.
Leong Sun Iok apontou problemas relacionados com autocarros, como os “autocarros fantasma”, ilegalidade de exploração, a falência de Reolian, entre outros, para sustentar que o Governo deve explicar o assunto na sua globalidade. Por exemplo, entende que importa saber se o actual regime de autocarros visa introduzir a concorrência para elevar a qualidade do serviço, uma vez que, após a fusão, haverá um retorno ao tempo em que só havia duas empresas.
Por outro lado, o deputado da Federação das Associações dos Operários questionou se a autorização de fusão não será injusta para a TRANSMAC, uma vez que a Nova Era e a TCM operam mais de 65% das carreias de autocarros.



