O número de toxicodependentes registados no Sistema Central desceu 63,2% para 85 entre 2021 e 2022, segundo o IAS. Entre os jovens com menos de 21 anos, registou-se uma quebra de 66,7%, porém, o organismo ressalva que, além dos casos continuarem a ser “ocultos”, o trabalho de registo foi afectado pela pandemia

 

No ano transacto, o Sistema de Registo Central dos Toxicodependente de Macau englobou 85 pessoas, o que representa uma descida de 63,2% face a 2021. Segundo revelou Hon Wai, presidente do Instituto de Acção Social (IAS), na primeira sessão plenária da Comissão de Luta contra a Droga (CLD) de 2023, os dados do Sistema Central incluem quatro jovens com menos de 21 anos, reflectindo uma redução anual de 66,7%, e 4,7% dos consumidores de drogas eram estudantes.

Para o organismo, a quebra do número de toxicodependentes registados prende-se, por um lado, com a natureza “oculta” dos casos e, por outro, com o facto do trabalho de registo ter sido afectado no ano passado devido à suspensão ou ao condicionamento dos serviços das instituições envolvidas, no contexto da pandemia.

Os dados oficiais indicam que a droga mais consumida foi a metanfetamina (ice), correspondendo a 26,7% do total, seguida pela canábis (17,4%), heroína (3,5%) e ketamina (3,5%). Em 2022, o consumo de cocaína representou apenas 1,2% do total, ficando muito aquém dos 11,4% verificados em 2021.

Por outro lado, 95,1% só consumem um tipo de droga. Os mesmos dados revelam ainda que 52,9% dos toxicodependentes consumiram drogas nas suas residências, 20,2% em casa de amigos, 9,6% em hotéis e 5,8% em discotecas ou karaokes.

De acordo com o relatório anual elaborado pela Divisão de Tratamento da Toxicodependência e Reabilitação do IAS, a despesa média mensal com drogas atingiu cerca de 2.013 patacas em 2022, sendo que 45,5% gastaram menos de mil patacas por mês e somente 3,6% despenderam mais de 10 mil.

Os toxicodependentes do sexo masculino representaram a grande maioria, com 87,1% do total, e a idade média dos consumidores subiu para 41,8 anos, em relação aos 38,1 anos registados em 2021. No ano passado, 50,6% dos toxicodependentes estavam desempregados, contra 39% em 2021, e 50,6% tinham registo criminal.

Entre as motivações para o consumo de droga, 32,8% apontaram o “alívio da pressão” e 15,2% atribuíram esse hábito à “influência dos pares”.

Na reunião, Hon Wai defendeu que, após a pandemia, as acções de prevenção e controlo de drogas devem ser mais rígidas. Após a abertura de todas as fronteiras, a CLD garante que tem prestado muita atenção ao tráfico transfronteiriço de drogas e ao transporte de drogas em encomendas.

“A RAEM tem necessidade de reforçar o intercâmbio e a colaboração com os serviços do combate à droga das regiões vizinhas e de promover, de forma activa, a realização de acções de educação preventiva e jurídica para jovens no âmbito de combate à droga”, sublinhou a Comissão.

Além disso, afirmou que, tendo em conta a aprovação da inclusão de sete novas substâncias sujeitas a controlo e da monitorização de três substâncias a nível internacional, a CLD coordenou com diversos serviços no sentido de iniciar os respectivos trabalhos de legislação na RAEM.

 

R.C.