Howard Stribbell, director da Escola Internacional de Macau, vai abandonar o cargo no final de 2017/2018. Antes disso, teve a oportunidade de celebrar os 15 anos de desenvolvimento da instituição, que vai aumentar turmas e propinas no próximo ano lectivo

 

Salomé Fernandes

 

A Escola Internacional de Macau (TIS, na sigla inglesa) comemorou ontem 15 anos marcados por um crescimento de 58 estudantes em 2002 para os actuais 1.200. Acompanhar este desenvolvimento foi, de acordo com o director Howard Stribbell, a maior dificuldade que a instituição enfrentou durante esse período.

Nos últimos dois anos a ala sul, desenhada para 1.000 estudantes, estava acima da capacidade, pelo que a TIS teve de limitar o número de vagas. Por outro lado, no ano de bebés do Dragão a instituição aceitou mais crianças para o ensino pré-escolar. “Agora que já temos a ala norte a nossa capacidade aumenta para 16 mil estudantes. E por isso para responder às necessidades da população estamos a aumentar turmas no pré-escolar, ensino primário e básico”, explicou o director.

O plano é de crescimento gradual, pelo que no próximo ano se esperam 1.350 estudantes. Para fazer face aos custos adicionais de operar o novo edifício e mais professores, as propinas serão aumentadas em cerca de 7%.

No geral, porém, aquele que aponta como maior desafio da escola é como ser relevante, algo que todas as instituições enfrentam. “Não queremos ser máquinas onde colocamos as crianças e elas saem todas iguais, precisamos de um sistema onde as ajudamos a ter sucesso e excelência e a chegarem mais longe. Estão a ser criados novos trabalhos, [a educação] já não é apenas sobre conhecimento, não queremos ensinar aquilo que podem aprender com o Google, é preciso ensinar-lhes novas ferramentas, de criatividade, colaboração. Se o fizermos podem ter sucesso em qualquer lugar depois do ensino secundário”, sublinhou.

Howard Stribbell vai afastar-se do cargo de director da escola no final do ano lectivo, mas irá manter-se como supervisor da instituição e na administração para continuar a contribuir. “Embarcámos num processo de procura ao longo de 18 meses em busca de um novo director, que terminou em Outubro do ano passado quando os candidatos vieram a Macau e a administração ofereceu o cargo a Mark Lockwood, de Alberta”, revelou.

Mark Lockwood e a sua mulher chegam em Agosto, mas a antecedência com que foi feita a escolha do substituto permitiu que tenham mantido contacto semanal sobre os problemas e os projectos do próximo ano lectivo. “Ele também foi capaz de conhecer os nossos estudantes e a equipa, e por isso essas conexões e a transição já estão encaminhados”, disse Howard Stribbell.

Questionado sobre os últimos projectos que pretende desenvolver, o actual director explicou que a instituição se encontra agora a trabalhar “num currículo STEAM – como trazer mais ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática para a escola num modelo interdisciplinar”. Para além disso, mencionou que o aniversário de 15 anos foi um grande projecto, bem como a conferência organizada há cerca de duas semanas, que reuniu cerca de 600 educadores vindos de escolas da Mongólia, China Continental, Taiwan, Hong Kong e Macau. “A escola tem crescido muito e vai continuar a fazê-lo depois de eu sair”, descreveu.

Outra das bandeiras da TIS, a educação inclusiva, deverá também manter-se. Neste momento a escola tem 50 alunos com necessidades especiais neste sistema. “É sobre dar a cada criança aquilo que ela precisa para ter sucesso, e fazemos isso através de comodidades, como sentarem-se mais à frente na sala, ou modificações, como alterar o currículo para se adaptar às suas necessidades”. Ao longo dos anos isso foi feito ainda com formação de professores, bem como o apoio de fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos e conselheiros.