O estúdio White Space vai acolher uma encenação de Oscar Cheong nos dias 16 e 17 deste mês, que reflecte sobre o que é ser actor no seio de Macau. A peça de teatro experimental sobe a palco no âmbito da iniciativa “trabalho em progresso”, que vai já na quinta edição
Salomé Fernandes
Nos dias 16 e 17 de Agosto o estúdio White Space dá novamente palco à iniciativa “trabalho em progresso” (WIP, na sigla inglesa). A iniciativa dá pela quinta vez espaço a teatro experimental e criativo, que desta vez surge da criatividade de Oscar Cheong. A peça de teatro é às 20h e é seguida de um período de debate com o público.
“A ideia principal é dar experiência aos artistas de artes performativas. Quando criam um espectáculo muitas vezes as pessoas esperam que seja perfeito e completo. Mas a parte principal é experienciar algo e partilhá-lo com a audiência”, disse à TRIBUNA DE MACAU Mirabella Lao.
A produtora do espectáculo explica que o concurso para participação no WIP é aberto durante dois meses, após os quais os artistas seleccionados têm um mês para o processo criativo. O White Space fornece o seu espaço para ensaios, que a directora artística Jenny frequenta para dar conselhos e apresentar opções à equipa criativa. Para além disso, apesar de ter pouco equipamento, o estúdio tem uma equipa técnica para apoio na iluminação e som do espectáculo.
Porém, aquilo que distingue o WIP de outros projectos é a proximidade à audiência. “A performance dura cerca de 20 minutos e depois é dada a palavra ao público, para falar com a equipa criativa. Para dar feedback. Para este processo é um passo importante, porque a equipa criativa vai usar estes conselhos para avançar com o espectáculo”, frisou Mirabella Lao.
Nesta edição, houve apenas duas candidaturas à oportunidade, um facto que a produtora associa à realização do espectáculo em período de férias. “Quando temos concurso aberto em Abril/Março ou no final do ano é mais fácil”, indicou.
Mas Oscar Cheong não a deixou passar, sendo a segunda vez que participa com criações artísticas no White Space, que se localiza na Rua Quatro do Bairro Iao Hon. O conteúdo da peça de teatro que vai mostrar centra-se na forma de viver de uma personagem de uma novela. “Baseei-me na experiência do meu trabalho como actor para criar um cenário que reflecte como nos representamos enquanto actores ou artistas no contexto de Macau, e como lidamos com as nossas dificuldades no seio da sociedade”, avançou.
A dualidade do ambiente de teatro é expressa pelo actor através da frase “no meu íntimo, algo quer que eu agrade o público, e algo quer que eu os ignore”, que usou para descrever o evento. Neste momento, ainda está a decidir em que direcção seguir, mas acredita que a oportunidade é boa para receber opiniões. “O ambiente é amigável, é um bom contexto para ter um debate de ideias. As pessoas sabem que não é o produto final, estando mais dispostos a conversar sobre o que sentiram durante a peça. É muito diferente do que se espera num teatro ou quando se apresenta o produto final”, comentou.
Para além disso, Oscar Cheong indicou que este processo lhe permite focar mais no conteúdo da peça, em que direcção seguir e quais as áreas da peça em que deve trabalhar mais, para além da iluminação ou do guarda-roupa. E considerando que há apenas 20 vagas para cada sessão, sente que é mais fácil para si, e para o grupo, trabalhar em proximidade ao público. Conta que a peça esteja terminada em Novembro, uma vez que o produto final vai ser apresentados em meados desse mês no Antigo Tribunal.
O artista é também coordenador do Soda City Experimental Workshop, uma associação local que tem planeado organizar um teatro documental também em Novembro, a decorrer na biblioteca Camões, em substituição de um ambiente teatral.



