O Governo já recebeu mais de 100 propostas no âmbito do novo concurso para atribuição de alvarás de táxis, desta vez destinado a viaturas eléctricas. Os requisitos do concurso e a falta de postos de carregamentos continuam no centro das queixas de responsáveis do sector, que contesta as explicações das autoridades e, inclusive, admitem fazer chegar a sua indignação até ao CCAC
Viviana Chan
Era para ser uma simples sessão de esclarecimento sobre o concurso público para 100 alvarás de táxis, mas tornou-se num espaço de reclamações do sector. Durante a actividade organizada pelos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), quase todos os participantes – ligados ao sector – defenderam ser “prematuro” introduzir táxis eléctricos nesta altura em Macau, pedindo por isso a revisão das exigências do concurso, cujo prazo de entrega de propostas já foi prorrogado até ao dia 26.
Apesar das críticas e queixas do sector, a DSAT manteve-se firme e garantiu que tem advertido os interessados para ponderarem todos os factores, como os custos, antes de submeterem propostas, pelo que o papel do Governo é apenas “complementar” algumas dificuldades.
O chefe da Divisão de Veículos da DSAT, Chan Io Fai, adiantou que, até ontem de manhã, já tinham sido entregues 111 propostas.
Na sessão, o presidente da Federação dos Negócios de Táxi defendeu que o concurso, cuja abertura classificou como “anormal” e “muito repentina”, deveria envolver modelos de veículos híbridos.
Sector pondera levar indignação ao CCAC
Wong Peng Kei sugeriu, inclusive, que poderá haver uma “troca de interesses entre o Governo e a empresa” que explora os táxis. Perante tamanha indignação, o caso poderá mesmo chegar às mãos do Comissariado contra a Corrupção (CCAC), uma vez que o grupo de taxistas quer perceber se a Administração cometeu ilegalidades.
Actualmente só duas marcas de veículos eléctricos estão autorizadas a circular nas estradas locais mas devido à grande diferença nos custos, os investidores acabam por só ter uma opção de aquisição. Perante tais críticas, o mesmo responsável da DSAT revelou ter recebido uma proposta de uma terceira empresa e garantiu que o concurso cumpre os trâmites legais previstos.
Por outro lado, a insuficiência de postos de carregamento para veículos eléctricos tem aumentado a discussão. O Governo garante que há espaços suficientes, frisando que 28 dos 119 postos de carregamento são rápidos, mas o sector não se mostra satisfeito pois considera que não é um número razoável para o bom funcionamento dos táxis eléctricos.
Em declarações aos jornalistas, o chefe da Divisão de Veículos da DSAT disse que o prolongamento do prazo do concurso teve em conta a compensação face aos feriados do Ano Novo Chinês. “Os importadores de veículos não trabalharam durante esse período, por isso, queixaram-se de falta de tempo para escolher o modelo de veículo. Nesse sentido, pedimos ao Chefe do Executivo para adiar o término do concurso”, disse Chan Io Fai.
Melco e MGM querem importar autocarros eléctricos
A DSAT revelou que duas operadoras de jogo submeteram pedidos para importação de autocarros eléctricos. A Melco Resorts & Entertainment pretende oito autocarros eléctricos para o serviço de “shuttle bus” e a MGM fez um pedido similar. O chefe da Divisão de Veículos da DSAT, Chan Io Fai, reiterou que a generalização de veículos ecológicos será gradualmente concretizada.



