As empresas locais que dependem da importação de materiais ou que vendem produtos verdes cuja produção acaba por ficar mais cara do que os habituais acreditam que as taxas envolvidas as tornam menos competitivas. As empresas estrangeiras com presença na MIECF estão a apostar em tecnologias inovadoras para dar soluções ao gasto energético e à organização das cidades
Com cerca de 90% do mercado focado em Macau, a “Wai Heng Hong Equipment of Kitchen Limited” comercializa, tal como o nome indica, produtos referentes a cozinhas. Mas a luta central nesta MIECF é promover a linha de produtos lançada há um ano: embalagens e talheres feitos 100% a partir de milho, biodegradáveis e que podem ser reutilizados. A tarefa de substituir o “tapau” de plástico, porém, não é fácil.
“Queremos que as pessoas os adoptem [aos produtos] gradualmente, porque é muito caro e as pessoas consideram os preços. Talvez os hotéis dos casinos gostem do produto, mas para os restaurantes o custo vai ser alto”, reconheceu Frederick Lee. Para ajudar a mudar o cenário, o gestor de vendas lançou uma dica: “talvez o governo possa apoiar os restaurantes baixando as taxas” a este tipo de produto.
Vende tapetes, papel de parede e materiais de construção, importados de países como a Alemanha e o Reino Unido e feitos a partir de materiais como milho, com o intuito de servir o mercado de Macau. É a terceira vez que “Pou Fung Hong” marca presença na MIECF, mas ainda não viu um volume de negócios significativo em resultado dessa participação.
Rachele Chwee
Ainda assim, a empresa optou por voltar a estar presente para dar a conhecer os produtos ao público. “A maioria dos nossos clientes são locais, vêm comprar materiais para casas de residentes, arquitectos que os querem incluir em projectos futuros e empreiteiros”, disse Jenny Guo, representante de vendas. Parte disso, deve-se à importação tornar os preços pouco competitivos, o que dificulta a expansão do mercado para fora do território.
O plástico é, de resto, uma preocupação actual para diversos países do Sudeste Asiático. Rachele Chwee, executiva na “Waste Management Association of Malasya” frisou ser um assunto importante. “A Malásia, Indonésia e a China produzem muito plástico que vai para o mar e afecta os animais e os habitats naturais”, notou.
A associação a que pertence promove negócios para os clientes, focados no sector da gestão de resíduos. Para além disso organiza workshops, seminários e formações nessa área. “Este ano recebemos na Malásia o Congresso Mundial da Associação Internacional de Resíduos Sólidos, e aí queremos ser uma plataforma para as pessoas estabelecerem conexões e promover debate”, disse.
Edward Sun
O objectivo da vinda à MIECF passa por atrair pessoas a participar no congresso, que se realizava regularmente na Europa. “Depois de 10 anos está de volta à Ásia o que é um grande evento para nós”, comentou.
Tecnologias alternativas
A maior pesquisa da “Masterhold Int’l” é sobre baterias recarregáveis através de energia solar, eólica e as suas aplicações, como o uso em carros. Edward Sun, assistente especial, explica que a presença na MIECF tem o intuito de exibir os produtos e conhecer empresas de locais diversos. É a primeira vez da empresa em Macau e a atitude é positiva. “Há oportunidades aqui”. Segundo indicou Edward Sun, a empresa tem receitas na ordem dos 50 a 100 milhões de dólares americanos por ano.
Wk Chow
Noutra vertente, a “Magen Technology” opera há 10 anos focada em sistemas de arrefecimento e os seus representantes sentem que há cada vez mais pessoas atraídas por tecnologia que ajude a ultrapassar preocupações ambientais. “Em Macau a tecnologia utilizada recorre a químicos e a um elevado consumo de água para manter os minerais sobre controlo. Não usamos químicos, extraímos os minerais da água fresca”, explicou Wk Chow.
As expectativas da empresa para esta edição do evento centram-se em dar a conhecer uma alternativa amiga do ambiente relativamente aos sistemas actuais, mas os negócios com complexos integrados e hotéis são bem-vindos. “Sabemos que a RAEM tem várias cadeias hoteleiras internacionais e que quer ser um destino central na Ásia. Por isso os serviços oferecidos aos clientes têm de ser de alta qualidade”, disse, garantindo que o sistema da empresa permite poupar 10 a 20% no consumo de água e de energia.
A ligação dos produtos em exposição na MIECF ao ambientalismo nem sempre é perceptível à primeira vista. Quem passar pelo “stand” da “Alhua Technology” mais facilmente se sente a presenciar um episódio da série “Person of Interest”. A empresa vende produtos de vigilância e o público que por lá passar corre o risco de ser apanhado pelo reconhecimento facial.
Bevis Hu
Com equipamentos voltados para o uso em casa ou em empresas, “permite gravar a identidade da pessoa e a abertura automática de portas através desse sistema de reconhecimento”, explicou Bevis Hu, gestor das estratégias de parceria internacionais. Mas o impacto nas cidades inteligentes e no ambiente reflecte-se através do baixo consumo energético dos produtos, e do modelo desenvolvido pela empresa para gestão do trânsito nas cidades.
S.F.



