A Air Macau obteve resultados operacionais muito positivos no primeiro trimestre deste ano, crescendo em todas as vertentes, e estabelecendo recordes no volume de passageiros e na taxa de ocupação. Neste capítulo, ultrapassou pela primeira vez a fasquia dos 80%, bem como as médias dos mercados mundial e da Ásia-Pacífico
Sérgio Terra
Depois de ter enfrentado altos e baixos ao longo de 2017, a Air Macau “descolou” em força este ano, ao ponto do primeiro trimestre representar o melhor período da sua história no capítulo operacional.
Entre Janeiro e Março, a transportadora local cresceu em todos os parâmetros operacionais, desde os que medem a oferta aos que reflectem o nível da procura, segundo indicam dados da Air China, sua accionista maioritária com uma participação de 66,9%. Com 18 aviões actualmente no activo, a frota da Air Macau transportou mais de 762.800 passageiros no trimestre em referência, o que equivale a um acréscimo de 12,94% comparativamente ao mesmo período de 2017. Há um ano, a variação homóloga foi, aliás, negativa, com o fluxo de passageiros a cair 2,38% para 675.400.
Os registos disponíveis desde 2007 demonstram que o volume de passageiros em causa é o mais elevado de sempre no primeiro trimestre de um ano e teve um contributo importante para o movimento geral do Aeroporto Internacional de Macau, cuja rubrica do transporte aumentou cerca de 20% ao abranger mais de dois milhões de viajantes. Os números a que a TRIBUNA DE MACAU teve acesso mostram ainda que a taxa de crescimento de passageiros da Air Macau excedeu o desempenho do mercado global da aviação e da região Ásia-Pacífico, onde as subidas atingiram 7,2% e 9% até Março, respectivamente, segundo estimativas da Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA, na sigla inglesa).
Por outro lado, o reforço do universo de clientes permitiu à companhia aérea do território alcançar um recorde absoluto na taxa de ocupação, que avançou 7,23 pontos percentuais para 81,8% nos três primeiros meses de 2018. Além de ultrapassar pela primeira vez a fasquia dos 80%, este indicador superou as médias mundial (80,9%) e da Ásia-Pacífico (81,7%), marcando um claro contraste com os últimos anos, quando as taxas ficaram aquém dos 70% na maior parte dos casos.
A melhoria na captação de clientes também é amplamente comprovada pela subida de 13,3% no indicador RPK (“Revenue Passenger Kilometer”), que reflecte a procura real de transporte. Do lado da oferta o aumento foi mais moderado: o parâmetro ASK (“Available Seat Kilometer”), que avalia a capacidade disponível para passageiros, avançou 3,29% entre Janeiro e Março.
Embora o relatório da Air China não inclua dados financeiros da Air Macau, os resultados operacionais do primeiro trimestre deixam a transportadora de “bandeira” da RAEM numa boa posição para atingir o nono ano consecutivo de lucros. Em 2017, segundo dados do grupo chinês, a Air Macau contabilizou lucros líquidos de 70 milhões de renminbis, correspondentes a cerca de 90 milhões de patacas, depois de ter sofrido prejuízos de 15 milhões de renminbis (19,2 milhões de patacas) na primeira metade do ano.
De acordo com os mesmos dados, no cômputo geral do ano transacto, as receitas da Air Macau aumentaram 6,39% para 2.832 milhões de renminbis, o número de passageiros desceu 0,74% para 2,78 milhões e a taxa de ocupação dos voos avançou 1,71 pontos para 74,96%.



