A zona do ZAPE registou a pior taxa de desocupação de espaços comerciais no território, tendo atingido 13% no segundo trimestre deste ano, de acordo com a Centaline. O cenário é justificado com o encerramento dos casinos-satélite. Nas zonas comerciais afastadas dos pontos turísticos, as lojas também sofrem. Porém, neste caso, prende-se com as alterações dos hábitos de consumo

CATARINA PEREIRA

 

A taxa de desocupação de lojas na zona do ZAPE atingiu 13% no segundo trimestre deste ano, sendo a mais elevada no território. O cenário foi impulsionado pelo encerramento dos casinos-satélite, de acordo com a agência imobiliária Centaline, que fez uma análise ao mercado nesta primeira metade do ano.

A zona do ZAPE vivia dos casinos-satélite e dos negócios associados, como casas de penhores, por exemplo, porém, na sequência do desaparecimento daqueles espaços de jogo até ao final do ano transacto, muitas lojas fecharam portas devido à falta de clientes.

Na análise, a Centaline aponta igualmente que as lojas vagas também aumentaram em várias zonas residenciais. Neste caso, o panorama é justificado com a alteração dos hábitos de consumo, com a empresa a sublinhar que o comércio local afastado dos pontos turísticos enfrenta uma quebra na procura.

Assim, além do ZAPE, as lojas vazias em zonas residenciais como Horta e Costa e San Kio subiram de 5% no primeiro trimestre para 5,8% no segundo trimestre. Na zona central da Península, a taxa de desocupação também cresceu ligeiramente para 5,5%.

Em sentido inverso, na Taipa, a taxa de desocupação de espaços comerciais diminuiu de 2,5% no primeiro trimestre para 2,3% no segundo. De acordo com a Centaline, esta resiliência deve-se ao maior consumo e a fluxos contínuos de clientes.

“Olhando para o próximo trimestre, prevê-se que o volume global de transacções de imóveis comerciais enfrente maior pressão, sendo provável que os negócios continuem concentrados em zonas consolidadas e apoiados pela procura real de consumo, incluindo as Portas do Cerco, a Taipa, as principais zonas turísticas e as áreas de casinos”, estimou a agência imobiliária.

Quanto às rendas médias das lojas, aumentaram 33% na Taipa, em termos trimestrais, para 40 patacas por pé quadrado, enquanto na zona turística do centro da Península registaram uma subida de cerca de 44% para 65 patacas.

Segundo a Centaline, no primeiro semestre, as transacções de espaços comerciais totalizaram 149, um decréscimo anual de quase 20%. Apesar disso, nas zonas centrais, as lojas continuaram a atrair compradores, com a empresa a apontar que, no segundo trimestre, se registaram duas “grandes vendas” no valor de mais de 60 milhões de patacas cada.

“Embora a actividade nas principais ruas turísticas de Macau se tenha mantido, uma vez que os fluxos de visitantes se concentram aí, as lojas dos bairros comunitários afastadas das zonas turísticas foram mais penalizadas, com o número de vagas a aumentar e as rendas a caírem sucessivamente para novos mínimos”, acrescentou a empresa.

As mudanças no ambiente de negócios, “incluindo os residentes que vão fazer compras na China Continental e a crescente popularidade do comércio electrónico, tornaram o retalho mais difícil”, observou.

 

Escritórios em alta

Por outro lado, nos primeiros seis meses do ano, registaram-se cerca de 59 transacções de escritórios, traduzindo-se num aumento homólogo de cerca de 40%. O preço dos espaços vendidos foi de cerca de 3.000 patacas por pé quadrado.

Foram ainda contabilizadas 15 transacções de edifícios industriais, neste caso verificando-se uma quebra de 44%. Os dados da agência imobiliária indicam que, no segundo trimestre, o preço médio dos edifícios industriais transaccionados foi de cerca de 1.688 patacas por pé quadrado, uma quebra homóloga de 33%. Nalgumas vendas o preço diminuiu até 1.000 patacas por pé quadrado.

A Centaline referiu ainda que o mercado da habitação em Macau absorveu, em grande medida, as medidas de apoio lançadas este ano. Recorde-se que os compradores elegíveis podem beneficiar de uma isenção de imposto de selo nos primeiros 6 milhões de patacas na compra de uma habitação, e o rácio máximo de empréstimo-valor para o crédito à habitação foi elevado de 70% para 80%.

A procura é agora liderada por compradores que procuram melhorar de habitação, porém, a queda dos preços fez com que muitos proprietários ficassem reticentes em vender. Note-se que os preços em alguns dos principais complexos habitacionais caíram cerca de 30% a 50%.

“Ao mesmo tempo, os bancos tornaram-se mais cautelosos na aprovação de crédito e algumas instituições financeiras estão a disponibilizar crédito à habitação com taxas relativamente elevadas, o que abranda a entrada de potenciais compradores no mercado”, acrescentou.

A agência imobiliária alertou ainda que a incerteza quanto às taxas de juro externas continua a ser um risco de quebra fundamental. “Os edifícios mais antigos, onde a rotação de imóveis é relativamente baixa, precisarão de baixar os preços para atrair compradores. Em contrapartida, as moradias e as habitações de luxo de gama alta têm sido menos afectadas pelo mercado geral e continuam a demonstrar maior resiliência”, vincou.