Protagonizando uma “viagem” de cinco séculos pelos territórios lusófonos, actuais e antigos alunos e professores proporcionaram momentos artísticos de apreciável qualidade no espectáculo comemorativo do 20º aniversário da EPM. Os valores e os princípios adoptados pela escola também não foram esquecidos numa noite de “magia” que encerrou com uma chuva de aplausos
Sérgio Terra
Durante cerca de três horas e meia, o público que encheu o Grande Auditório do Centro Cultural no sábado à noite vibrou com o espectáculo “20 Anos, Contigo a Navegar”, oferecido por alunos e professores da Escola Portuguesa (EPM) para celebrar o aniversário da instituição.
Ao estilo de “La La Land”, a noite de “magia” abriu com dança e música num vídeo filmado na EPM, com realização de Sérgio Perez e produção da equipa criativa do espectáculo – formada pelas professoras Cristina Street, Marinela Ferreira e Teresa Sequeira – mas os 20 anos da escola acabaram por se transformar numa viagem de cinco séculos para reflectir a herança portuguesa no mundo. Para isso, quatro alunos – os “Toinos” – “recuaram” até à Lisboa do século XVI, vestiram a pele de pescadores em Belém e embarcaram rumo ao Oriente em busca de um verdadeiro símbolo português: a sardinha.
A “odisseia” percorreu o universo lusófono, exaltando um rico legado histórico, com referências a grandes vultos e manifestações culturais. Entre sons do fado e da guitarra portuguesa, da música da cabo-verdiana Cesária Évora – a “rainha da morna” – e do guineense Eric Daro, a dança são-tomense “Ússua”, a “invasão” de animais das savanas angolanas e moçambicanas, o samba e a capoeira do Brasil, também não foi esquecida a dobragem do Cabo da Boa Esperança, por Bartolomeu Dias, que desbravou o caminho para Oriente.
Com grande criatividade e colorido, a animação prosseguiu nas cenas sobre o Oriente, com poesias, músicas e danças de Goa, Damão e Diu, Malaca e Timor-Leste, ou mesmo com a energia e graça de “Bollywood”, neste caso já num “salto” para os tempos modernos. No “Jardim Abençoado” de Macau, sobressaiu o humor do patuá, num diálogo entre duas “chuchumecas” (coscuvilheiras), antes dos “Toinos” descobrirem finalmente as sardinhas… num supermercado “Seng Cheong”.
Para a recta final, estavam reservados três momentos de especial significado: uma homenagem a Camilo Pessanha; a cena “Nunca me esqueci de ti”, com ex-alunos e João Fonseca, antigo professor da EPM, a enfatizarem valores intrínsecos da escola, como o humanismo, a multiculturalidade e a inclusão; e a actuação de João Caetano, num regresso do “filho pródigo” que, após ter deixado a terra natal e a escola onde estudou, conseguiu singrar no panorama da música mundial, nomeadamente com a banda britânica “Incognito”.
Muito bem idealizado e executado, o sarau primou pela qualidade e criatividade, comprovando que há muito talento na EPM, aliás, devidamente reconhecido com longos aplausos no final. Uma boa prova de que o evento “honrou” de facto a escola, como já tinha antecipado o presidente da direcção na abertura da festa.
Projecto “consolidado”
Num auditório repleto de convidados, alunos e encarregados de educação, Manuel Machado manifestou-se feliz por ver na plateia três personalidades que testemunharam o lançamento da primeira pedra da EPM – o então governador, Rocha Vieira, o ministro da Educação Marçal Grilo, e o ainda presidente da Fundação Escola Portuguesa, Roberto Carneiro – e fez questão de elogiar a primeira directora da escola. “Neste percurso de 20 anos, em que a Escola Portuguesa se afirmou e consolidou o seu projecto educativo junto da sociedade, é incontornável o nome da Dra. Maria Edith da Silva, obreira incansável e principal responsável pelo sucesso alcançado, juntamente com todos aqueles que constituíram a sua equipa nos primeiros quinze anos de existência desta instituição”, sublinhou.
Referindo que a EPM conta hoje com 577 alunos de 24 nacionalidades, salientou que, nos últimos cinco anos, a realidade da instituição “tem-se vindo a alterar significativamente, exigindo um trabalho contínuo de acompanhamento e de reflexão por forma a melhor responder às novas exigências”.
Agradecendo o apoio dos pais e encarregados de educação e o trabalho de professores, equipas especializadas e restantes funcionários da escola, Manuel Machado frisou que a EPM tem sido “procurada e reconhecida por um público cada vez mais vasto”. Para isso, contribuem “as políticas e os valores educativos” consagrados no projecto educativo, “sobrelevando o primado da pessoa e de um quadro de valores que envolvem um profundo respeito pelo indivíduo, por um lado, e a abertura à comunidade envolvente numa perspectiva de permuta e serviço, por outro, privilegiando a comunicação entre culturas”.
No rol dos agradecimentos, Manuel Machado incluiu ainda a Fundação Escola Portuguesa, os Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) e a Fundação Macau pelo apoio “imprescindível à prossecução dos objectivos” do estabelecimento de ensino, bem como a “amizade e o carinho com que o Cônsul-Geral de Portugal sempre tratou a EPM”.
O Cônsul Vítor Sereno foi, de resto, um dos convidados de honra, juntamente com Leong Vai Kei, subdirectora da DSEJ, Paula Marinho Teixeira, representante do Ministério da Educação de Portugal, Bian Tao, director-geral adjunto do Gabinete de Ligação do Governo Central da China na RAEM, D. Stephen Lee, Bispo de Macau, e Roberto Carneiro, presidente do Conselho de Administração da Fundação EPM.



