Em tribunal, a defesa de uma das mulheres acusadas do homicídio de Kim Jong-nam sugeriu que o ataque estava inicialmente planeado para Macau. O plano terá sido alterado por suspeitos norte-coreanos após a descoberta de que o irmão do líder da Coreia do Norte tinha viajado para a Malásia dias antes
A morte de Kim Jong-nam, irmão mais velho do líder da Coreia do Norte, poderia ter ocorrido em Macau e não em Kuala Lumpur, segundo sugeriu em tribunal o advogado de uma das duas mulheres acusadas pelo homicídio.
O advogado, Gooi Soon Seng, disse que a 8 de Fevereiro de 2017, Hong Song Hac, um dos norte-coreanos acusados de assassinato detectados no sistema de vigilância do aeroporto a sair da Malásia no dia do ataque, tinha dado dinheiro a Siti Aisyah para que a jovem indonésia comprasse viagens para Macau para fazer mais filmagens para um programa de “apanhados” de televisão.
No entanto, nesse mesmo dia, Hong voltaria a contactá-la a indicar que a viagem ficava sem efeito. O advogado de defesa não explicitou, porém, se Hong comunicou os motivos para este cancelamento. À margem da audiência, Gooi especulou aos meios de comunicação que o cancelamento da viagem estava associado à descoberta por parte dos norte-coreanos de que Kim Jong-nam tinha voado para a Malásia dias antes. “Talvez seja essa a razão. Talvez se tenham apercebido de que já não se encontrava em Macau”, acrescentou, citado pela “Nikkei Asian Review”.
O investigador da polícia, Wan Azirul Aziz, disse que mensagens retiradas do telemóvel de Siti Aishyah mostram que a arguida disse a um amigo que ia a Macau para fazer “filmagens”. Segundo a Reuters, os registos telefónicos indicam que Siti recebeu cinco chamadas de Hong antes de atender o sexto telefonema.
Kim Jong-nam esteve em Macau na semana anterior a ter sido fatalmente envenenado no Aeroporto Internacional de Kuala Lumpur. Foi aí que, a 13 de Fevereiro de 2013, ao aguardar um voo de regresso à RAEM, foi alegadamente assassinado pelas duas mulheres que lançaram o agente químico nervoso VX contra o seu rosto, provocando a sua morte em poucos minutos. As duas suspeitas, uma indonésia e uma vietnamita, estão a ser julgadas na Malásia desde o ano passado.
Kim Jong-nam estava há décadas afastado do regime liderado pela família, tendo passado muito tempo em Macau, e criticado por várias vezes o poder exercido pela dinastia de que era descendente. Gooi argumentou que o homicídio foi politicamente motivado, com diversos suspeitos principais conectados à embaixada da Coreia do Norte em Kuala Lumpur, sugerindo que a sua cliente era apenas um peão no meio do ataque.
No início do julgamento, Siti Aisyah e Doan Thi Huong declararam-se inocentes, assegurando que presumíveis agentes norte-coreanos as levaram a pensar que estariam a realizar “brincadeiras” para um programa televisivo.
Siti Aisyah disse à polícia que em Kuala Lumpur realizou 14 “partidas de diversão” em aeroportos, hotéis, centros comerciais e estação de comboio entre 5 de Janeiro e 12 de Fevereiro do ano passado, tendo sido paga por cada sessão. O mesmo terá acontecido no Camboja. O advogado de defesa de Siti Aisyah disse que mensagens e comentários no “Facebook” entre a cliente e amigos comprovam tais alegações.
S.F.



