O Instituto Cultural vai estudar o ajustamento do espectro de protecção visual da Colina da Penha, embora, segundo adiantou a presidente do organismo, não preveja adicionar um novo corredor. As opiniões recolhidas na consulta pública sobre o Plano de Salvaguarda e Gestão do Centro Histórico defendem a extensão até à Ponte Nobre de Carvalho. Por seu lado, Sulu Sou não está satisfeito e pede uma consulta pública centrada apenas nesse corredor, alegando a existência de importantes interesses públicos
Liane Ferreira
A cerca de uma semana do término da consulta pública ao Plano de Salvaguarda e Gestão do Centro Histórico de Macau, Mok Ian Ian, presidente do Instituto Cultural, adiantou que o organismo recebeu até sábado mais de 700 opiniões, incluindo mais de uma centena por escrito e mais de 500 recolhidas em meios de comunicação.
Citada pelo jornal “Ou Mun”, a presidente do IC afirmou que a maioria das opiniões foca-se no corredor visual da Colina da Penha para a zona B. Na sua análise, a extensão do corredor até ao mar ou zona B tem objectos de protecção semelhantes. Assim, por enquanto, o IC não considera a possibilidade de aumentar ou adicionar um corredor visual, mas vai estudar formas de ajustar o espectro de protecção da zona.
Leong Wai Man, vice-presidente do IC, referiu anteriormente que “depois da análise, o organismo concluiu que a sugestão é construtiva e tem uma posição positiva relativamente à adição desta opinião”. O próprio Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, assegurou que as autoridades vão proteger os corredores visuais relacionados com a Colina da Penha.
No documento da consulta são definidos 11 corredores visuais, dois deles relacionados com a Penha: um em direcção ao Porto Interior e outro ao Lago Sai Van.
No entanto, de acordo com o “All About Macau”, Sulu Sou não está totalmente certo de que o Executivo vá manter a palavra e alerta para a possibilidade de não avançar a inclusão do corredor.
Salientando que o período de consulta pública está prestes a terminar e não há sinais de que o processo seja prolongado, o deputado suspenso adverte que, mesmo que as autoridades lancem um plano, não há tempo suficiente para debater nem informação completa.
Tendo também em conta que esse corredor visual envolve importantes interesses públicos, Sulu Sou defende que deveria ser efectuada uma consulta pública específica para esta componente, durante um período de 30 dias.
IC atento a obras nas traseiras da Santa Casa
Questionada sobre a planta de condições urbanísticas do lote nas traseiras da Santa Casa de Misericórdia, no Largo do Senado, que deverá ser usado para fins comerciais, a presidente do IC reiterou que o parecer entregue às Obras Públicas teve em conta a localização no núcleo do Centro Histórico do Património Mundial. Por isso, todos os requisitos são muito elevados, nomeadamente em termos de materiais de construção, estilo, fachada e cores. Mok Ian Ian garantiu que tudo será coordenado ao máximo. O terreno em causa tem 805 metros quadrados e localiza-se nas Travessas da Misericórdia e do Roquete, estando sujeito a parecer vinculativo do IC, que exigiu a harmonização do projecto com a envolvente paisagística.



