Lei Heong Iok diz que há boas opções para liderar o Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa do IPM
Lei Heong Iok diz que há boas opções para liderar o Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa do IPM

O presidente do Instituto Politécnico de Macau afirmou não estar preocupado com a mudança na coordenação do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa do Instituto Politécnico de Macau (IPM), já que o actual director irá abandonar o cargo em Agosto. Lei Heong Iok não avançou um nome para o sucessor de Carlos André, mas mencionou Han Lili, actual subdirectora da Escola Superior de Línguas e Tradução, como um bom exemplo e uma docente “brilhante”

 

Rima Cui

 

Carlos André vai deixar em Agosto deste ano o cargo de director do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa do Instituto Politécnico de Macau (IPM), uma mudança que não preocupa Lei Heong Iok, convicto de que o novo responsável irá seguramente continuar a garantir e a conferir a mesma importância ao ensino do Português.

Instado a avançar nomes, o presidente do IPM apontou alguns que entende poderem ser boas opções para suceder ao actual coordenador. “Temos vários docentes que são brilhantes, a Dra. Han Lili – que acabou o doutoramento em Português na Universidade de Lisboa -, Gaspar (Zhang Yunfeng, doutorado) e um outro docente brilhante”, disse.

Por “não ser justo revelar [para já] um nome”, o presidente do IPM rejeitou dar mais detalhes, dando a entender que o nome do responsável pelo Centro Pedagógico da Língua Portuguesa já está escolhido.

Por outro lado, como já tinha sido anunciado, Lei Heong Iok irá abandonar a presidência do IPM – cargo que ocupa há 19 anos – oficialmente a 31 de Agosto. Quanto ao sucessor, não avançou qualquer informação até porque, segundo assegurou, desconhece quem será o novo responsável pelo Instituto.

O presidente do IPM falava à margem da cerimónia de abertura da Conferência Internacional “Faixa e Rota” – um projecto nacional que enalteceu por ajudar a contribuir para o desenvolvimento de ensino e investigação da Língua Portuguesa. Por outro lado, quanto às queixas sobre a alegada falta de empregos para falantes de Português, sobretudo de nacionalidade chinesa, o presidente do IPM reagiu de forma optimista salientando que “o Brasil e o continente africano têm espaço [para empregar] e Portugal, apesar de pequeno, também pode fazer muito”, disse.

Nesse sentido, o professor vincou a necessidade das empresas, nomeadamente lusófonas, criarem mais oportunidades de emprego para os graduados. “Assim, as oportunidades vão surgindo e acabarão as preocupações com o emprego por parte dos licenciados”, afirmou.

Sobre o desenvolvimento da Língua Portuguesa, Lei Heong Iok entende que pelo facto de Macau ter iniciado a construção da plataforma sino-lusófona há muito tempo isso poderá ajudar a corresponder às necessidades da Grande China, ajudando-a na área do ensino do Português e, obviamente, na formação de quadros bilingues.

Neste ponto, acredita que o IPM, como entidade local que “tem bom relacionamento com quase todas as instituições de ensino superior de Portugal”, precisa também de envidar mais esforços no sentido de uma ainda maior aproximação para que juntas tenham mais força, vincou.

Por outro lado, lamentou que a maioria dos docentes chineses que ensinam Português sejam jovens e sofram de algum défice de experiência. A esta realidade soma-se a falta de manuais didácticos, sobretudo electrónicos. “Muitas vezes, [os docentes de Português nas instituições do Continente] não dominam bem a metodologia de ensino”, lamentou, salientando que este ponto reflecte precisamente que Macau “poderá fazer mais e melhor”.