Está iniciado o período de submissão para a nona edição do concurso “Sound & Image Challenge”, que agora permite aos participantes apenas uma candidatura, dada a dificuldade em avaliar todo o crescente número de filmes que chega às mãos da organização

 

Salomé Fernandes

 

O “Sound & Image Challenge” regressa para a 9ª edição, co-organizado pelo Centro de Indústrias Criativas (“Creative Macau”) e pelo Instituto de Estudos Europeus de Macau (IEEM). O período de submissão de trabalhos já está aberto, e com competição mais renhida visto que os candidatos estrangeiros têm a possibilidade de concorrer com apenas um filme.

Também denominado Festival Internacional de Curtas Metragens, o evento premeia os melhores filmes e vídeos musicais, que correspondem, respectivamente, à categoria “shorts” e “volume”. A primeira decorre até 16 de Junho e a segunda estende o prazo de candidaturas até 20 de Agosto. As mostras dos filmes finalistas terão lugar entre 4 e 9 de Dezembro, culminando com a cerimónia de entrega dos prémios no Teatro Dom Pedro V.

Este ano há três mudanças no formato: participantes internacionais só podem submeter um filme à competição “shorts”,  aumentaram as categorias de prémios e o financiamento para a realização do evento aumentou.

Parte da mudança derivou da pressão que o volume de candidaturas estava a gerar. “Atingimos um número tão grande de filmes que se tornou muito difícil fazer a triagem, porque fazemos questão de os ver antes de os mandar para o júri para depois os classificarem de maneira a fazer uma lista finalista. Temos todo esse cuidado, então o limite até aqui era de três filmes por autor e agora nós definimos ser apenas um, com excepção dos locais. As produções locais são diferentes porque são em número reduzido”, explicou Lúcia Lemos, coordenadora do Centro de Indústrias Criativas.

Os filmes de concorrentes locais têm sido cerca de 20 por ano, indicou, enquanto há milhares proveniente da vertente internacional, que em 2017 triplicou de número ascendendo a cerca de seis mil. Na vertente de vídeo musical, os trabalhos locais não atingem sequer os 20. Mas no “volume”, os concorrentes internacionais nem sempre cumprem a indicação de que o vídeo tem de acompanhar uma canção local pelo que no ano passado foram excluídos mais de 100 trabalhos por esse motivo.

Para além de uma lista de músicas definidas pela organização, podem ser submetidos vídeos a acompanhar canções originais, desde que uma das pessoas da banda tenha bilhete de residente (BIR) ou título de identificação de trabalhador não residente (TNR). Quem tem BIR ou TNR pode concorrer para o prémio de melhor entrada local, patrocinado pela Fundação Oriente e no valor de 10.000 patacas, sem competir contra filmes internacionais.

“Queremos que sejam aquelas pessoas que já viveram e já conhecem Macau, que percebam a cultura local”, disse Lúcia Lemos, acrescentando que os prémios pretendem “dar às pessoas a possibilidade de se envolverem e de se interessarem. Este ano com outra novidade, porque além dos prémios em dinheiro criámos outros prémios prestigiantes, que é uma entrada para que mais tarde possa haver mais envolvimento monetário”.

Melhor director, cinematografia, edição, música, banda sonora e efeitos visuais são os novos títulos em disputa na categoria “shorts”, e melhor canção e efeitos visuais em “volume”. Apesar de nesta edição os vencedores receberem apenas um troféu e certificado, a coordenadora espera que no futuro possa haver uma quantia monetária a acompanhar também estes destaques.

“Em termos de dinheiro é a Fundação Macau, e o resto é do fundo da Creative, que vem do orçamento geral do Instituto de Estudos Europeus de Macau. Até aqui anualmente rondava as 750 mil patacas mas agora como já há mais um apoio [da Fundação Macau] e provavelmente será cerca de 900 mil”, revelou Lúcia Lemos relativamente ao financiamento do festival.

O Centro de Indústrias Criativas atribui 20.000 patacas ao melhor filme do festival e 10.000 ao melhor documentário, melhor animação bem como à categoria de identidade cultural de Macau. Por outro lado, a Universidade de São José contribui com 10.000 patacas para a curta-metragem de melhor ficção e o Macaulink com 4.000 patacas para o filme da audiência.

Questionada sobre o impacto do Festival Internacional de Cinema de Macau na competição, Lúcia Lemos disse achar ser “uma mais valia”. “Como o Festival é apoiado declaradamente pelo turismo, ajudou à divulgação do nosso festival, porque até se confundem”. Apesar disso, garante que têm características diferentes.