Sophia Flörsch apanhou ontem à noite um voo de regresso à Alemanha, depois de ter tido alta hospitalar. Segundo os médicos, a recuperação total deverá acontecer no espaço de seis meses e dentro de um ano poderá ser autorizada a correr novamente. A piloto que diz ter tido “muita sorte” assegura que no próximo ano quer voltar ao Grande Prémio de Macau

 

Inês Almeida

 

Depois de um aparatoso acidente que a retirou da corrida de Fórmula 3 no último dia do Grande Prémio há uma semana e meia, Sophia Flörsch regressou ontem à noite à terra natal, onde continuará a recuperar das lesões.

Numa conferência de imprensa durante a tarde, Chan Hong Mou, médico consultor do serviço de ortopedia do hospital público destacou que, apesar das “muito graves” lesões na coluna, logo depois da cirurgia a piloto alemã conseguiu andar. De qualquer modo, ainda há um caminho a percorrer até à recuperação completa. “Dentro de seis meses deve recuperar completamente. No espaço de um ano, pode voltar a correr”, previu o clínico. Depois desse período, a participação em competições mais complexas dependerá das suas próprias decisões.

Apesar de ainda estar algo abalada pelo acidente, Sophia Flörsch acredita que teve muita sorte. “Os cirurgiões fizeram um óptimo trabalho na minha coluna e na minha anca. Estou muito agradecida por estar aqui e ter conseguido uma boa recuperação. Já estou a andar e vou ter de trabalhar nos próximos meses mas, sem dúvida, que vou voltar aqui e correr no próximo ano”, garantiu a piloto de 17 anos.

Esta foi a primeira época de Sophia Flörsch na Fórmula 3 e a decisão de correr em Macau teve a ver com a própria fama do Circuito da Guia no exterior. “Quisemos vir porque é uma corrida histórica e acho que a pista, a cidade e as pessoas são muito especiais. Preparámo-nos muito para este fim-de-semana mas quando se chega cá é um sonho conduzir nesta cidade”, disse a jovem.

Instada a explicar as circunstâncias que levaram ao acidente em que esteve envolvida, a piloto preferiu não comentar. “O vídeo diz tudo. Foi o meu primeiro grande acidente. Demorei algum tempo mas já ultrapassei. Agora vou começar um novo capítulo. Foi um mau acidente mas estou aqui a andar e no próximo ano vou continuar a correr atrás do meu sonho”, asseverou, destacando apenas que não se tratou de um problema na pista mas antes de “muito azar”.

Em relação aos outros feridos na última edição do Grande Prémio, a equipa médica referiu que o comissário de pista deixou o hospital público na sexta-feira e que um fotógrafo-assistente continua internado, porém, em breve deverá ter alta. O espanhol Raul Torras que sofreu um acidente no Grande Prémio de Motos já deixou o Centro Hospitalar Conde de São Januário, enquanto Andrew Dudgeon teve alta no sábado.

Na conferência de imprensa de ontem à tarde esteve também Maria Helena de Senna Fernandes que atribuiu a Sophia Flörsch o título de Embaixadora da Boa-vontade do Turismo de Macau. “Ela tem um muito bom espírito e uma boa impressão sobre Macau, por isso, queremos manter esta ligação e através dela promover tanto o Grande Prémio como o turismo de Macau lá fora”, apontou a directora dos Serviços de Turismo.