O funcionamento do sistema de recrutamento central pode não ter grandes efeitos, mas pesa fortemente nas finanças públicas. Essa é a opinião da Associação de Sinergia de Macau que pediu uma investigação ao Comissariado da Auditoria

 

Viviana Chan

 

Defendendo que o sistema de recrutamento central dos funcionários públicos deve ser mais económico, a Associação de Sinergia de Macau solicitou ao Comissariado da Auditoria que faça uma auditoria aos resultados para evitar mais desperdícios do erário público.

A associação presidida por Lam U Tou apontou que “o Governo subestimou o desejo da população de trabalhar na Função Pública” e, simultaneamente, superestimou a capacidade dos funcionários no recrutamento central. Nesse sentido, demorou anos a completar os procedimentos de recrutamento e alguns deles são considerados desnecessários.

Segundo a associação, a auditoria de resultados visa analisar e calcular cientificamente os custos e os efeitos do sistema de recrutamento central, porque a seu ver existe um elevado desperdício na realização dos exames desse sistema. Isto porque se registou uma repetição dos testes de alguns conteúdos, aumentando directamente o trabalho do Governo.

Mais de 90% dos candidatos passaram no exame geral, pelo que a segunda avaliação contou com uma elevada participação. Para além disso, a partir de 2016, a avaliação foi dividida em geral e na especialidade. “Esta divisão parece razoável, mas duplicou o volume de trabalho e aparentemente não conseguiu resolver os defeitos do recrutamento central, porque passados dois anos ninguém conseguiu entrar na Função Pública”, referiu em comunicado.

A segunda avaliação na especialidade realiza-se nos próprios serviços e, mesmo que as vagas sejam poucas, podem registar-se milhares de candidaturas.

A Sinergia frisou ainda que o actual sistema de recrutamento central deixou alguns serviços públicos sem candidatos e outros fora do serviço que desejavam.