A Associação da Sinergia de Macau manifestou apoio a Au Kam San, que rejeita pedir desculpas à PJ. Para a associação, a exigência da PJ serve para “espalhar o terror” na sociedade

 

O vice-presidente da Associação da Sinergia de Macau, Ian Heng Ut, afirmou estar surpreendido com a exigência de pedido de desculpas da Polícia Judiciária (PJ) a Au Kam Sam. Salientando que foi uma acção pouco sábia, referiu que “vai ter um grande impacto na sociedade”, servindo para “espalhar o terror”.

“Se o Governo toma esta atitude e não consegue aguentar estas questões, então, penso que nenhum órgão de comunicação pode publicar nada, ninguém pode falar de nada que sirva para fiscalizar o trabalho do Governo. Isso é totalmente errado”, salientou, citado pelo “All About Macau”.

A PJ exigiu ao deputado Au Kam San um pedido público de desculpas no prazo de 10 dias, caso contrário, será alvo de procedimentos criminais. Na reacção, Ian Heng Ut apontou que a falta de transparência ou insuficiência de mecanismos criam dúvidas nas pessoas. “Isso é natural”, frisou.

“Se lançar questões sobre o Governo levar a uma acusação por difamação, isto vai causar pânico nas pessoas”, advertiu.

Na sua opinião, perante questões dessa natureza, as autoridades devem fazer esclarecimentos activos. “A fama do Governo é criada ao longo do tempo, portanto a sua imagem também não é afectada por causa de um caso individual ou dúvidas de uma pessoa. O Executivo não deve exagerar. O Governo não vai acabar por causa das críticas e a polícia também não vai fechar por causa delas. Se as forças de segurança temem isso, deve ser por falta de auto confiança”, disse.

Ian Heng Ut, antigo jornalista do “Ou Mun” avisou ainda que não faz sentido o Governo acusar um indivíduo com dinheiro público. “Não há comparação entre a capacidade financeira de um cidadão, deputado e o Governo”, declarou, indicando que, quando o Governo tem baixa credibilidade, tem de ponderar ainda mais as consequências políticas de qualquer decisão.

 

V.C.