O número de toxicodependentes inscritos caiu 15,7% em 2017, revelou a Comissão de Luta Contra a Droga, salientando ainda que apenas 20% reincidem após os tratamentos voluntários para evitar penas de prisão efectiva
Apenas 20% das mais de 800 pessoas submetidas a tratamento voltaram “ao centro por outro tipo de crimes relacionados com drogas”, segundo a Comissão de Luta Contra a Droga (CLD). Desde 2009, a lei estabelece a suspensão da pena de prisão a quem se sujeitar voluntariamente a tratamento ou a internamento em estabelecimento adequado.
“Uma estatística de sucesso se compararmos com as regiões adjacentes”, sublinhou a chefe do departamento de prevenção e tratamento da dependência do jogo e da droga, Lei Lai Peng, após a reunião plenária da CLD, presidida pelo Instituto de Acção Social (IAS).
Segundo dados divulgados pela comissão, o número de toxicodependentes inscritos em Macau desceu em 2017 para 462, menos 15,7% do que no período homólogo. Desse universo, apenas 21 são jovens (menos de 21 anos), o que representa uma queda anual de 38,2%.
A metanfetamina, também conhecida como “ice”, manteve-se como a droga mais consumida nesse período, representando 35,19% do total, seguida da heroína e ketamina.
Desde Janeiro de 2017, entrou em vigor uma lei que agrava as penas para consumo de um máximo de três meses para um ano, no entanto, segundo a responsável, apenas 10 casos foram condenados sob a nova lei em 2017. Os restantes 185 foram condenados de acordo com a antiga legislação, uma vez que os delitos ocorreram em datas prévias.
Em 2017, os toxicodependentes inscritos em Macau gastaram uma média de 7.834 patacas em droga por mês.
Questionada sobre os métodos para tornar mais eficiente a contagem do número real de toxicodependentes, a responsável afirmou que o IAS conta com “18 parcerias com serviços públicos, polícias, hospitais privados, associações cívicas”.
Para se conhecer a situação actual do consumo de drogas entre jovens, vão decorrer no segundo semestre do ano dois projectos de estudo. O primeiro destina-se aos jovens em idade escolar (da primária ao secundário) e a segunda a “jovens de rua”, ou seja, aqueles que abandonaram os estudos. “As duas investigações permitirão fazer uma análise sobre as medidas a tomar e os trabalhos a acompanhar”, concluíram.
JTM com Lusa



