A 13ª edição do Simpósio Mundial de Música Coral, agendada para Agosto em Macau, vai contar com a presença de 12 coros. Vários concertos serão realizados em igrejas ou lugares religiosos, mas também no Centro Cultural e noutros locais a definir. “As igrejas têm um papel de grande relevância neste tipo de eventos, uma vez que existe uma forte ligação entre o coro e a religião católica”, disse ao Jornal TRIBUNA DE MACAU o principal promotor da iniciativa, Miguel de Senna Fernandes. Para além de actuações diárias dos grupos corais, a organização incluirá workshops, masterclasses, palestras e debates. O envolvimento total é de mais de meio milhar de pessoas. Miguel de Senna Fernandes mostra-se satisfeito pelo apoio dado pelo Governo, porque um evento como este “é muito importante para Macau”. O orçamento do simpósio é de seis milhões de patacas, totalmente coberto pelo Fundo de Desenvolvimento da Cultura

VÍTOR REBELO

 

Falta pouco mais de um mês para Macau se estrear como palco do Simpósio Mundial de Música Coral (WSCM, na sigla em inglês), organizado pela Associação de Arte Coral do território (AACM) e supervisionado pela Federação Internacional de Música Coral (IFCM) afiliada à UNESCO. O evento vai decorrer entre 23 e 27 de Agosto e irá envolver mais de meio milhar de pessoas, entre especialistas do sector e elementos de grupos corais.

De acordo com as informações mais recentes, publicadas no site do WSCM, a conferência contará com a presença de 12 coros, muitos deles da Ásia-Pacífico, nomeadamente, “Adelaide Chamber Singers” (Austrália), “Ansan City Choir” (Coreia do Sul), “Singapore Choral Artists” (Singapura), “Shanghai Choral Artists” (China), “The Mad Singers (Hong Kong) e “The Philippine Madrigal Singers”. De resto, virão a Macau os grupos “Hamilton Children’s Choir” (Canadá), “Postyr” (Dinamarca), “The Norwegian Male Choir” (Noruega), “University of Johannesburg Choir” (África do Sul), “Vox Chamantis” (Estónia) e o “The World Youth Choir”.

“São grupos de alto calibre aqueles que vão estar em Macau”, garantiu ao Jornal TRIBUNA DE MACAU Miguel de Senna Fernandes, presidente da assembleia-geral da AACM e um dos promotores da iniciativa, sublinhando que a conferência será um evento “muito importante para Macau”. Por isso, “ainda bem que o Governo se mostrou sensibilizado, associando o Instituto Cultural ao acontecimento e dando o seu aval para que isto aconteça”, até porque, enfatiza, “o simpósio ultrapassa qualquer evento deste tipo alguma vez realizado na RAEM, em termos culturais”.

Essencialmente, o WSCM incluirá a assembleia-geral da IFCM, assim como sessões diárias de palestras e debates, que decorrerão na Torre de Macau, integradas num programa cheio de actividades diversas e eventos paralelos, dirigidos por cerca de 70 especialistas, entre maestros e compositores de 27 países ou regiões de todos os continentes. Apenas para referir alguns, Macau receberá palestrantes da China, Japão, Hong Kong, Taiwan, EUA, Canadá, Austrália, Brasil, Argentina, África do Sul, Líbano, Inglaterra, Finlândia, Bélgica e Alemanha.

Destaque também para diversos workshops e masterclasses, pagos e de acesso limitado.

No que diz respeito à actuação dos grupos corais, os espectáculos vão ter por palco, preferencialmente, igrejas ou lugares religiosos, concretamente a Sé Catedral, a Igreja de São Lourenço e o Seminário de S. José. A Igreja de São Domingos estava inicialmente incluída na lista, mas estará em obras no período do simpósio.

“As igrejas têm um papel de grande relevância neste tipo de eventos, uma vez que existe uma forte ligação entre o coro e a religião católica”, frisou Miguel de Senna Fernandes, que recordou que o coro gregoriano, que dispõe de grande tradição, tem muito a ver com a educação religiosa e foi sempre uma constante nas igrejas”.

Considerando que não há nada mais harmónico do que um coro, sublinha que toda a tradição coral vem daí, dos cultos católicos, e expressa que há uma ligação histórica, desta música coral com o teor religioso, até pelo próprio conteúdo das músicas. “Isto é tradicional e, por isso, faz todo o sentido que vários dos concertos se realizem no interior de igrejas ou locais religiosos”.

Miguel de Senna Fernandes reconhece que esse argumento acabou por pesar na concretização do evento em Macau. “Desde logo o apoio da Diocese, que aproveita também a ocasião para celebrar os 450 anos da sua fundação, daí que tenha sido prioritário na preocupação de assegurar os locais onde iriam actuar os grupos corais”, explicou.

 

Centro Cultural recebe concertos de gala

Para além das igrejas ou lugares religiosos, o Centro Cultural de Macau (CCM) irá igualmente receber alguns concertos de gala e as cerimónias de abertura e encerramento do simpósio. Mas há mais possibilidades, ainda a definir. “A nossa ideia é também realizar no exterior, ou seja, nos jardins do Consulado Geral de Portugal, assim como na escadaria interior do novo Centro Católico, mas ainda não sabemos se isso será possível”, mencionou o dirigente da AACM.

A participação das escolas locais será, por outro lado, segundo o responsável, “igualmente importante”, tendo sido já feita uma “primeira abordagem, ainda que informal, com o director dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude”.

Em Macau existem muitos estabelecimentos de ensino que possuem coros. “Alguns deles têm excelente nível, como por exemplo o da escola Pui Ching, que no total com todas as categorias, dependendo das idades dos seus membros, atinge perto de uma centena de elementos”, lembra, informando que ainda não está decidido de que forma os grupos corais de Macau poderão também participar, extra programa, uma vez que o lote de 12 coros expressamente convidados pela WSCM não inclui nenhum da RAEM.

Também fora do elenco oficial está Portugal. No entanto, a organização fez um convite especial ao conhecido coro do Instituto Gregoriano de Lisboa, que assim irá participar nas actividades paralelas da conferência mundial.

O orçamento para a realização do simpósio é um pouco superior a seis milhões de patacas. “Conseguimos que o Fundo de Desenvolvimento da Cultura (FDC) nos desse esse apoio, que praticamente cobre todas as despesas, ainda que tenhamos de ir fazendo acertos para não tornar demasiado dispendiosa a organização do evento”, afirmou Miguel de Senna Fernandes.

Quanto à parte técnica, também muito importante na questão dos espectáculos, deverá ser assegurada pelo FDC. “Serão certamente contactadas algumas empresas para o efeito”, concluiu.

Este ano o Simpósio Mundial de Música Coral terá como tema “Reimaginar o Futuro”, convidando “à exploração e à celebração do panorama coral”, e contemplando “o presente (o que mudou) e o que está a mudar no futuro (o que poderia mudar)”.