Embora não haja planos para abrir este ano novos escritórios, a Direcção dos Serviços de Turismo está a estudar a possibilidade de chegar a mercados no Norte da Europa, por exemplo, à Alemanha, mas sempre com o objectivo de apostar numa área mais alargada e não apenas àquele país. Ainda assim, reitera Maria Helena de Senna Fernandes, os mercados prioritários continuam a ser os da Ásia, incluindo a Coreia do Sul e o Japão, que no entanto registaram quebras ao longo do ano passado. Em termos globais, Macau recebeu 35,8 milhões de visitantes, mais 9,8% do que em 2017
Inês Almeida
O sudeste asiático, o Japão e a Coreia do Sul continuam a ser os mercados considerados prioritários pela Direcção dos Serviços de Turismo (DST), no entanto, Maria Helena de Senna Fernandes não descarta a possibilidade de chegar a outros destinos, como é o caso da Europa do Norte.
“A Coreia do Sul continua a ser a maior fonte de turistas internacionais até ao momento, também o Japão e as Filipinas. Estamos a estudar outros mercados, há muitas possibilidades. No ano passado começámos a estudar os mercados nórdicos porque achamos que tradicionalmente estivemos só a trabalhar na Europa Oeste mas há muitos outros mercados que podem ser considerados”, frisou a directora dos Serviços de Turismo.
Ainda assim, não está agendada a abertura de um novo escritório da DST este ano, até porque esse “é um processo longo” que implica um concurso internacional. De qualquer modo, antes é preciso perceber onde instalá-los.
“Em toda a Europa há várias possibilidades. Tradicionalmente pode ser a Alemanha, mas se deve ser na Alemanha ou outro lado queremos reequacionar qual é a melhor solução para cobrir uma área mais alargada”, indicou Maria Helena de Senna Fernandes. “Seja na Alemanha ou noutro sítio, não quer dizer que só se vai trabalhar no mercado da Alemanha, queremos fazer um serviço mais abrangente e ver a Europa de uma forma diferente”, frisou.
Macau registou em 2018 um aumento de 9,8% no número total de visitantes em comparação com 2017, totalizando 35,8 milhões. Do mercado da China Continental chegaram 25,3 milhões de visitantes, registando-se uma subida de 13,8% em relação ao ano anterior.
Outros mercados não apresentam uma evolução tão positiva. De Hong Kong vieram 6,3 milhões de pessoas, um aumento de 2,6%. No caso de Taiwan a subida foi de apenas 0,1%, para 93.000. Da Coreia do Sul chegaram 77.200 pessoas, menos 7%, e do Japão 32.900, menos 1%.
Para o período festivo do Ano Novo Lunar que se aproxima, Maria Helena de Senna Fernandes continua a antecipar um crescimento homólogo entre 8% e 9%. “Vimos que em Outubro e Novembro houve um aumento de 15% com a abertura da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau e este Ano Novo Chinês é o primeiro depois da abertura da Ponte e, por isso, a nossa previsão é um pouco mais alta em comparação com os anos anteriores. Quanto à taxa de ocupação hoteleira, prevemos 95% para este ano”, afirmou Maria Helena de Senna Fernandes.
Turistas não chegam a todas as zonas
Questionada sobre se Macau não estará a receber um excesso de visitantes, a directora dos serviços dessa área foi clara: “Nem todas as zonas antigas estão lotadas de turistas”. “Os 30 milhões de turistas não são poucos para Macau mas isso não significa que toda a cidade está cheia de pessoas porque algumas zonas não estão a usufruir dos frutos provenientes do turismo”, apontou.
Maria Helena de Senna Fernandes voltou a chamar a atenção para a intenção de fazer uma detecção em tempo real de quantas pessoas estão em determinado lugar e fazer chegar as informações aos postos fronteiriços para que optem por não se deslocar para as zonas mais lotadas. “Ainda não está oficialmente lançado. Temos de testar este novo meio de fazer chegar informações aos nossos turistas para tentar desviar o fluxo dos pontos turísticos com mais gente. Estamos a preparar-nos para o Ano Novo Chinês que é um período em que vamos receber muitos turistas, sobretudo chineses, e vamos testar este novo meio”, explicou.
A Ponte do Delta já tem desempenhado este papel de dispersão dos visitantes, salientou Lei Tak Fai, comissário da divisão de relações públicas do departamento de planeamento de operações do Corpo de Polícia de Segurança Pública. “O posto fronteiriço na Ponte do Delta registou 1,19 milhões de passagens o que representou 7% de todas as registadas nas fronteiras de Macau”, garantiu.
Ontem, em conferência de imprensa, a directora dos Serviços de Turismo explicou que há quatro “pontos-chave” a impulsionar ao longo deste ano como a exploração mercados diversificados e a promoção de itinerários multi-destinos dentro da Grande Baía, recorrer a mega-dados para analisar o comportamento de viagem dos visitantes, apostar na gastronomia local, inclusivamente com a criação de uma base de dados de comida macaense, com receitas locais e trazidas da diáspora e ainda a conclusão do Museu de Temático do Grande Prémio e realização de eventos comemorativos.
Está ainda a ser preparado um evento que unirá diversos elementos de arte, como exposições e actuações, organizado em conjunto pelos serviços públicos e as operadoras de jogo, tudo sob a direcção do IC. “A ideia é impulsionar Macau para uma cidade de arte, aproveitando o espaço do Governo e nos ‘resorts’ como área de exposição de artes”, apontou o subdirector da DST Cheng Wai Tong.
20 anos da RAEM comemorados em Lisboa e no Porto
A partir de 12 de Março, Lisboa e Porto vão receber uma semana de iniciativas de “grande escala” para assinalar os 20 anos da transferência da soberania de Macau. Embora ainda estejam a ser ultimados os preparativos, Maria Helena de Senna Fernandes destacou a participação na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL) e o facto de a RAEM ser o “destino preferido” da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo deste ano. “Vamos também utilizar a BTL para promover a gastronomia”, garantiu a directora dos Serviços de Turismo. Com a ida do Secretário Alexis Tam a Portugal haverá “visitas oficiais” e “um ou dois jantares com a indústria [turística] lá, para estreitar as nossas relações”. O programa inclui ainda o Instituto Cultural que levará a Portugal “exibições e actuações”. Da parte da DST ainda não foram divulgados planos concretos. “Estamos a pensar numa grande mostra de Macau num espaço público mas como estamos ainda a ultimar não posso adiantar mais. Espero que seja um espectáculo grande”, disse a mesma responsável
DST quer Museu do Grande Prémio concluído antes de 20 de Dezembro
A directora dos Serviços de Turismo garantiu que estão a ser aceleradas as obras do Museu do Grande Prémio para que fique concluído “antes de 20 de Dezembro”, dia da RAEM. Por sua vez, um dos subdirectores do organismo referiu que, além das obras, é necessário proceder à “aquisição de aparelhos e equipamentos porque em relação ao antigo museu há um aumento em seis vezes da área total, pelo que haverá uma insuficiência de objectos para exposição”. Além disso, está pensada a aquisição de tecnologias de realidade virtual e realidade aumentada, recordou Ricky Hoi. “Depois da definição da lista de equipamentos, podemos definir um orçamento e montante que vamos gastar com o novo museu. Os procedimentos devem ser transparentes e temos de seguir o princípio de gastar racionalmente” o erário público. Numa primeira fase foram pagos 100 milhões de patacas, indicou o mesmo responsável.



