O aumento de casos de gripe em Macau, apesar de se tratar de uma “situação previsível”, segundo as autoridades sanitárias, vai levar a um reforço dos meios no Hospital Conde de São Januário. O tempo de espera nas urgências não deverá ultrapassar as duas horas nos períodos de maior afluência, garantem os Serviços de Saúde. Na resposta a dar ao pico da doença que se aproxima, no próximo fim-de-semana serão instalados 15 postos comunitários para prevenção da gripe, em cooperação com uma dezena de associações cívicas. Os responsáveis reconhecem que a taxa de positividade vai aumentar com a chegada do Ano Novo Lunar. Metade dos residentes já estão vacinados, sendo aconselhável que o resto da população opte pela inoculação “o mais depressa possível”. Segundo os Serviços de Saúde, a vacinação é “altamente eficaz”
VÍTOR REBELO
O pico da gripe em Macau será uma realidade nos próximos dias, mas a taxa de positividade encontra-se dentro do previsto para esta época do ano. O vírus influenza está activo e passou o nível de alerta, pelo que as autoridades sanitárias apelam aos cidadãos para, em conjunto com outras medidas, optarem pela inoculação da vacina.
Num dia em que foi confirmado mais um novo caso grave de gripe, situando-se em cinco actualmente, com os pacientes internados e a necessitarem de ventiladores para respirar, os Serviços de Saúde (SSM) promoveram uma conferência de imprensa para divulgar informações e medidas que já estão a ser tomadas. Na sessão realizada no edifício onde, há poucos anos, se sucederam as conferências de imprensa por causa da covid-19 (mas desta feita sem obrigatoriedade de uso de máscaras), estiveram representados vários departamentos e serviços, num grupo interdepartamental elaborado para dar resposta ao pico da gripe.
E as respostas anunciadas pelos SSM são várias. Uma delas, será a instalação, de 15 postos comunitários, três dos quais já neste fim-de-semana, em cooperação com as associações cívicas. O objectivo, segundo referiu o director dos SSM, Alvis Lo, é fazer promoção da prevenção da gripe em diversas zonas de Macau, “com vista a desenvolver os esforços das associações de serviço social e também realizar os trabalhos de sensibilização e educação para a saúde, elevando a consciência e a capacidade de prevenir a gripe junto dos residentes”.
Nos dois hospitais, São Januário e Kiang Wu, o número de doentes que recorrem ao serviço de urgência e das amostras recolhidas, “nota-se que há uma subida do número de pessoas com gripe”, começou por dizer a responsável do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças, Leong Iek Hou, salientando que foi efectuada uma recolha de amostras de 100 pessoas que apresentam febre, tosse e alguns problemas respiratórios.
“Com os dados recolhidos das amostras e os dados laboratoriais, conseguimos alcançar estes números e por isso verificar que há uma tendência de subida”. Contudo, “a situação que se verifica actualmente, em comparação com o ano passado, apresenta números inferiores”. Quanto à positividade de pessoas com gripe, esta foi, na semana passada, de 22,3%, registando-se um aumento semanal de 16,1%.
No que respeita ao Centro Hospitalar Conde de São Januário, o chefe do Serviço de Urgência asseverou aos jornalistas que a unidade está preparada para fazer face a uma epidemia de gripe. “Mesmo considerando que irá haver uma maior procura pelas urgências, o tempo de espera deverá diminuir em relação ao que se verifica normalmente, uma vez que teremos mais meios, mais funcionários”, revelou Chan Tam Fei. Isso poderá significar, “uma espera de não muito mais do que uma hora, ou talvez duas nos períodos de maior afluência”.
Vacina compatível com a gripe que circula
A variante do momento é a influenza AH1, “semelhante ao que acontece no Interior da China e em Hong Kong, estando dentro daquilo que havíamos previsto”. Para além disso, “a vacina antigripal que nós temos, ou seja, a sua composição, é altamente compatível com o vírus da gripe que aqui circula. Portanto, a vacinação é altamente eficaz e é bastante importante, podendo reduzir os riscos de casos graves”, asseverou Leong Iek Hou.
Macau tem nesta altura perto de 170.000 pessoas com a vacina sazonal administrada, significando cerca de 50% dos residentes e um aumento de 6,7% em comparação com o período homólogo do ano passado.
Quanto aos lares, escolas e creches, devido ao número de pessoas nestas instalações, os SSM enviaram profissionais a estas instituições para campanhas de vacinação. “Para além disso”, frisou a chefe do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças, “nas consultas externas, o nosso pessoal profissional tem apelado aos que ali se dirigem para se inscreverem”.
Nos infantários há uma taxa de vacinação de 80%, no ensino secundário de 70%, nas creches 60%, nos lares de idosos com 65 anos ou mais 80%, “podendo esta taxa ser melhorada”, disse a responsável. Além da vacinação, “aconselhamos as grávidas, as crianças, os idosos, as pessoas com doenças crónicas ou do trato respiratório, a dar bastante importância à higiene pessoal”, isto para além das pessoas com sintomas, tosse, febre, deverem usar máscara para reduzir o risco de infecção, acrescentou.
A questão das viagens ao exterior foi também abordada por Leong Iek Hou, recomendando que as pessoas que tencionam deslocar-se para fora “devem tomar a vacina antes de saírem e observar o seu estado de saúde quando regressarem”.
No que concerne ao “stock” de vacinas existente em Macau, Leong Iek Hou falou em perto de 198.000. “Será suficiente”, garante. Ao mesmo tempo, confirmou que os TNR terão de pagar se quiserem vacinar-se, enquanto que para os residentes a inoculação não terá custos.
Reforçar higiene nas instalações
O presidente do Instituto de Acção Social (IAS) sublinhou a grande necessidade das instalações que albergam crianças e idosos manterem uma higiene cuidada, procedendo à limpeza e desinfecção dos espaços logo pela manhã e diariamente. “Os nossos trabalhadores estão também disponíveis para atender as necessidades das pessoas dos centros de dia”, indicou Hon Wai.
O IAS vai realizar amanhã uma reunião de coordenação para apresentar as medidas de prevenção e controlo, e projectar a realização de simulações. Estarão presentes cerca de 150 unidades de serviços de creches e centros de idosos, entre outros, com um total de mais de 200 dirigentes.
Nos trabalhos já em andamento nas escolas e outros a implementar, o director substituto dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ fez um especial apelo aos pais dos alunos para que prestem atenção à saúde dos seus filhos e que se preocupem, entre outros aspectos, com a higiene e o descanso dos mesmos. Em relação às escolas, é proposto o incremento de medidas de higiene eficazes, uma maior ventilação das instalações e o incentivo à prática desportiva.
Também amanhã terá lugar uma reunião com vários estabelecimentos de ensino “para que se avaliem todas as medidas necessárias”, sublinhou Wong Ka Ki.



