PRIMEIRA ENTREVISTA DO CÔNSUL-GERAL À RÁDIO MACAU
O cônsul recordou que a língua portuguesa é idioma oficial até 2049, para dizer que o objectivo é fazer com que perdure além dessa data. Diz ainda que gostaria que o ministro Nuno Crato pudesse visitar Macau, algo que já foi confirmado como certo pelo próprio ao JTM
O cônsul-geral de Portugal em Macau quer acabar com as filas no consulado e reforçar o ensino do português em Macau, mesmo ao nível oficial. São dois grandes objectivos de Vítor Sereno, que foi entrevistado pela Rádio Macau, para o primeiro ano do diplomata no território. Por outro lado, o diplomata garantiu que a questão da Escola Portuguesa de Macau (EPM) vai ser resolvida em breve.
“O reforço do ensino [da língua portuguesa], com a utilização de metodologias adequadas ao nível do sistema educativo público, para nós é essencial”, explicou Sereno na entrevista. “Registo com grande prazer as declarações quer do Chefe do Executivo, quer dos Secretários que compõem este Governo, no sentido de cada vez mais se promover um bilinguismo efectivo”, afirmou.
O cônsul recordou que a língua portuguesa é idioma oficial até 2049, para dizer que o objectivo é fazer com que perdure além dessa data.
Acerca do funcionamento do consulado, o diplomata considerou que “não faz sentido que a entrega de um passaporte ou de um cartão de cidadão esteja a demorar um mês e meio”. “O meu sonho é que demorasse exactamente o mesmo tempo que se presta numa loja do cidadão – não sendo possível, vamos tentar ir ao encontro das aspirações dos nossos compatriotas”, vincou, frisando que o objectivo é prestar “um melhor serviço do que tem sido feito até agora”.
Quanto à EPM, Sereno disse que “o dossiê vai ser resolvido em breve”, pois arrasta-se “desde há muito tempo”. “O ministro da Educação, com quem estive antes de vir para Macau, tem em seu poder toda a documentação neste momento. Essa documentação passava por um parecer do Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República e por um parecer que, creio, já foi homologado da própria Inspecção-Geral da Educação”, explicou o diplomata. “Sugeri que fosse o ministro Crato a ter um contacto directo com o seu homólogo aqui em Macau e a comunicar-lhe a decisão.”
Sobre uma eventual deslocação de Nuno Crato a Macau, que o próprio ministro confirmou anteriormente ao JTM, Vítor Sereno disse não controlar a agenda do ministro português da Educação, mas referiu que gostaria que tal acontecesse, “como gostaria que viessem outros governantes”, por estas visitas serem “o sinal da importância política que, de facto, Macau e Hong Kong têm para a classe política portuguesa e nomeadamente para o seu Governo”.
Sem instruções sobre nomeação de Vitório Cardoso para o Fórum
Vítor Sereno garantiu que nunca recebeu qualquer instrução acerca da nomeação de Vitório Cardoso para o Fórum Macau, sendo que o mesmo se passa com o embaixador de Portugal em Pequim. “Acho, de facto, muito estranho o alvoroço que se levanta à volta disso”, afirmou Vítor Sereno, em entrevista à Rádio Macau. O diplomata acrescenta não ter sido informado de qualquer nomeação, independentemente do nome.
A visita de Cesário e de Relvas a Macau
Portugal não vai enviar um representante a Macau para o 10 de Junho, mas o secretário para as Comunidades Portuguesas, José Cesário, chega ao território três dias depois. A visita de José Cesário foi avançada à Rádio Macau pelo cônsul-geral de Portugal em Macau. O antigo chefe de gabinete de Miguel Relvas admite que gostaria que o antigo ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares fosse o representante de Portugal neste 10 de Junho, referindo que chegou a estar planeada uma visita de Relvas a Macau. “Não sei se no 10 de Junho, mas era o que estava combinado. Não virá cá como ministro adjunto, virá cá um dia destes como meu amigo, certamente.”



