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Relações de amizade e proximidade trouxeram o novo presidente do Rotary International a Macau. Gary Huang aproveitou a ocasião para referir que um dos objectivos passa por tornar o chinês numa das línguas oficiais da associação e criar um rotário em Cantão

 

Liane Ferreira

 

Em 109 anos de existência do Rotary International, Gary Huang é o primeiro presidente de origem chinesa. Ao JTM, falou de como se tornou membro do clube, do objectivo de erradicação da poliomielite, prestes a ser atingido, e ainda do clube de Macau.

No território para uma visita oficial ao “distrito 3450”, que inclui ainda Hong Kong, Taiwan, Mongólia e Guangdong, Gary Huang lamentou não poder ir a “todos os clubes no mundo, por isso venho a Macau e Hong Kong porque há uma ligação de amizade”.

O responsável veio ao território para averiguar o ponto de situação do rotário local e perceber onde pode ajudar e incentivar a troca de conhecimento e experiências entre a RAEM e os outros clubes. “Temos a oportunidade de ver as mudanças de Macau”, referiu.

Sobre o trabalho feito pelo Rotary Macau destacou os intercâmbios estudantis e trabalho comunitário feito com idosos e jovens.

Sendo o primeiro presidente chinês, Gary Huang contou que primeiro recebeu um prémio de melhor aluno, atribuído pela associação enquanto estudava no secundário. Mais tarde, quando trabalhava numa companhia de seguros, foi convidado para um encontro, e mostrou interesse em tornar-se membro. O processo demorou nove meses e foi rejeitado três vezes até ser aceite. Os seus 30 anos na altura pesaram na decisão, contou. Já nessa altura percebia que “para ser um homem de sucesso é preciso fazer coisas boas, dar à comunidade e não apenas ganhar dinheiro”.

“Eu valorizo muito esta oportunidade, os outros membros tinham reputação e dinheiro, mas não tinham tempo para se dedicar ao clube. Eu, pelo contrário, não tinha nada a não ser tempo”, disse o representante, descrevendo a forma em como se tornou presidente de uma associação que reúne 34 mil clubes e 1,2 milhões de membros.

Gary Huang salientou que o objectivo de erradicar a poliomielite, lançado em 1985, está 99% completo, passando de 350 mil casos em 1985 para 416 em 2013. “Temos esperanças de erradicar completamento a doença em 2018”, observou.

Tornar o chinês numa das línguas oficiais é um dos objectivos do dirigente, sublinhando que o Rotary International tem sete línguas oficiais. No entanto, para adicionar uma nova é necessário no mínimo 45.000 membros. Assim, o dirigente espera nos próximos anos conseguir aumentar o número de membros falantes de chinês, que actualmente é cerca de 35.000.

Segundo Garu Huang, o português já faz parte das línguas oficiais, muito devido ao número de membros brasileiros, pois só o clube de São Paulo tem cerca de 55 mil participantes. Também por este motivo é que o congresso internacional do próximo ano se vai realizar em solo brasileiro.

Por outro lado, a instituição tem vindo a assistir à criação de clubes bilingues, como é o caso da Nova Zelândia, São Francisco e Los Angeles, onde as línguas são chinês e inglês.

Outro objectivo a ser concretizado é a abertura de um rotário em Cantão, mas precisam de esperar por nova legislação do Governo Central. Segundo explicou, os membros dos clubes na China (Pequim e Xangai) precisam de ter passaporte estrangeiro, o que limita o número de sócios.