O Instituto Cultural garante que não está a pensar em demolir os antigos estaleiros navais em estado de deterioração na zona de Lai Chi Vun, optando por obras de consolidação para enfrentar a época de tufões. Na sessão de consulta pública sobre a classificação dos estaleiros, alguns participantes pediram a inclusão de outras funções na zona, sobretudo ligadas a sectores tradicionais. Em resposta, o organismo afirmou que a área terá elementos culturais, criativos, turísticos e ainda restaurantes simples

 

Rima Cui

 

A zona dos estaleiros de Lai Chi Vun inclui espaços de grandes dimensões que despertaram a atenção de representantes de vários sectores da sociedade. Durante a sessão de consulta sobre a classificação dos estaleiros navais como bem imóvel, realizada ontem, alguns pediram sobretudo um aproveitamento diversificado da zona, sobretudo através da reserva de salas de exibição para os sectores tradicionais de Macau.

Um dos participantes, de apelido Sio, defendeu que alguns estaleiros estão gravemente deteriorados não sendo, por isso, adequados para a reconstrução. Assim, sugeriu que essas áreas acolham por exemplo o Museu do Vinho e uma sala para apresentação das técnicas de fabrico de foguetes festivos.

Já Eddie Wu, presidente da Associação dos Engenheiros de Macau, apesar de concordar que a zona deve focar-se principalmente na construção de embarcações, entende existirem condições para integrar salas ligadas à produção de vestuário, artesanato e escultura.

Em reação, Leong Wai Man, vice-presidente do Instituto Cultural (IC), garantiu que o projecto de design do aproveitamento de Lai Chi Vun “não vai ser unilateral”, uma vez que terá em conta outras condições de Coloane. “A zona vai abranger elementos culturais e criativos, de turismo e de lazer e ainda ter instalações sanitárias, restaurantes simples e outras instalações complementares”, revelou.

À TRIBUNA DE MACAU, Eddie Wu concordou que tal é necessário, tendo em conta que “se uma zona turística não tiver restaurantes e elementos comerciais, posteriormente perderá dinamismo”. “A zona tem de ter pontos atractivos. Caso não tenha um simples restaurante, acredito que os visitantes não irão permanecer ali muito tempo”, sublinhou.

No entanto, Chan, que falava em nome de mestres navais, frisou que o público pode facilmente confundir os diferentes estaleiros, vendo-os como uma só unidade, podendo apresentar opiniões parciais devido à falta de conhecimento.

Outros dois cidadãos pediram às autoridades uma explicação mais concreta sobre o valor dos estaleiros.

Segundo a vice-presidente do IC, cada estaleiro possui a sua própria história e pode-se aprofundar o estudo das características históricas de cada um, no entanto, “todos os estaleiros são como elos de uma corrente”.

Por outro lado, Sio apelou ao IC para recolher especificamente as opiniões de donos de estaleiros e mestres de construção de embarcações. Sobre a sugestão, Leong Wai Man referiu que a próxima sessão de consulta pública vai dedicar-se aos moradores de Coloane e, se houver tempo, poderá ainda ser organizado um encontro especial para ouvir os mestres de estaleiros.

 

IC não equaciona demolições

Eddie Wu, que anteriormente tinha defendido a demolição parcial dos Estaleiros de Lai Chi Vun, renovou ontem essa ideia. Porém, o IC não vai avançar com um plano de demolição “tão rapidamente”.

Para evitar a deterioração contínua das construções e prevenir um grande impacto, devido à época dos tufões, o IC vai consolidar os estaleiros mais frágeis. Porém, relega para segundo plano a “inserção de novas funções”, porque também é preciso ter em conta o planeamento dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT). “Assim, nesse espaço de tempo, o público também tem mais tempo para ponderar qual o melhor aproveitamento para dar à zona”, sustentou.

Para Eddie Wu a questão da segurança deve ser o foco da preocupação e a demolição de estaleiros deteriorados deveria acontecer antes dos tufões. Mesmo que o IC não efectue demolições por agora, deve dar a prioridade a uma solução para deterioração de estaleiros antes da classificação como bem imóvel.

O presidente da Associação dos Engenheiros salientou, por outro lado, que muitos cidadãos querem ir passear a Coloane, mas não encontram um lugar de estacionamento, por isso apelou à disponibilização de lugares.

A responsável do IC apontou que a DSSOPT está a ponderar a criação de uma sistema pedonal, que ligue o centro de Coloane a Lai Chi Vun.

Na mesma sessão, uma cidadã afirmou que o Governo precisa de fixar claramente o âmbito da zona cultural e criativa implementar medidas de protecção para as máquinas de construção de barco, antes da chegada de tufões.

Tendo em conta que as construções da zona estão sujeitas ao limite de altura, outro participante sugeriu ao IC que pondere construir instalações de electricidade, água e de segurança contra incêndios em espaços subterrâneos.