Líderes regionais querem que o aproveitamento das oportunidades ligadas ao turismo se faça de forma complementar e inclusiva. Macau, que subiu de lugar no relatório sobre as tendências do turismo na Ásia-Pacífico, olha para a promoção conjunta da Grande Baía como estratégia de diversificação na captação de turistas

 

Salomé Fernandes

 

O Fórum de Economia de Turismo Global começou ontem, sob o tema “Parceria Estratégica numa Nova Era, Fomentando um Futuro Compartilhado”, tendo atraído a participação de mais de 1.500 participantes, entre os quais representantes dos 28 estados membros da União Europeia (UE) e de Guangdong, que são a região e a província parceiras em destaque nesta edição.

“O crescimento e a inovação da indústria turística são um contributo determinante para o desenvolvimento sustentável da economia mundial e criam condições para que sejam materializados os objectivos definidos na Agenda das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável até 2030”, disse o Chefe do Executivo, Chui Sai On, durante a cerimónia de abertura.

Gao Yunlong, presidente da “All-China Federation of Industry and Commerce” (ACFIC), salientou, por sua vez, existirem três oportunidades a aproveitar: o turismo inteligente, explorar um desenvolvimento integrado e a iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”.

Relativamente ao turismo inteligente, o também vice-presidente do Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês frisou que se está a mudar a abordagem ao mercado, e que este meio permite “aprofundar a globalização e construir novas ligações entre as pessoas”, pelo que “todas as economias vão ser mais integradas numa única”.

O aproveitamento destas oportunidades passa precisamente, de acordo com Gao Yunlong, por uma complementaridade mútua para construção de uma economia mais aberta que inclua todo o mundo. O turismo pode também tornar-se inclusivo pelo conhecimento que promove de diferentes culturas, foi a mensagem complementar de Yu Qun, membro do Ministério da Cultura e Turismo da República Popular da China.

“Percebemos que o turismo é o canal principal para ligar as pessoas através de diferentes culturas e nacionalidades. A associação de turismo da China está a focar-se na qualidade dos pacotes turísticos, culturais e ecológicos”, notou. Apontando que na China tem crescido a leitura de guias turísticos, e viajar traz cultura, “podemos promover os valores humanos e espírito de partilha com toda a humanidade”, comunicou.

 

Macau sobe nas tendências do turismo na Ásia-Pacífico

A Organização Mundial do Turismo e o Centro de Pesquisa de Economia do Turismo Global apresentaram a 5ª edição do relatório sobre as tendências do turismo na região Ásia-Pacífico, em que Macau subiu um lugar na lista de países a receber mais turistas internacionais, passando à sexta posição.

O território destacou-se ainda mais no que respeita às receitas, parâmetro em que subiu três lugares passando a integrar o “top três” (com 35,6 mil milhões de dólares americanos), a seguir à Tailândia e Austrália. Nesta vertente, chegou mesmo a integrar os 10 destinos do mundo com maior receita de turismo internacional.

“Temos mais coisas onde os turistas gastam mais dinheiro em Macau. (…) Não é apenas atribuível a um item de gasto, é uma combinação de várias coisas onde as pessoas gastam dinheiro. A gastronomia é uma delas. Em termos de despesas, se excluirmos o jogo, uma das áreas de maior gasto é a das compras e alimentação”, explicou Helena de Senna Fernandes.

De acordo com a directora da Direção dos Serviços de Turismo (DST), os resultados do relatório estão em linha com a estratégia seguida pela RAEM, estando-se a trabalhar para que as pessoas fiquem mais tempo em Macau e continuem a gastar mais dinheiro. Aquilo que classifica como “turismo de qualidade”.

Por outro lado, o turismo intra-regional contabilizou 77% de todas as viagens com partida na Ásia, subindo 6% em 2017 comparativamente ao ano anterior. Uma parte deste fenómeno deve-se às viagens entre a China e as regiões administrativas especiais.

Noutro estudo divulgado este mês, o Conselho Mundial de Viagens e Turismo classificou Macau como a segunda cidade a crescer mais depressa em termos de PIB em resultado de viagens e turismo em 2017. Cerca de 29,3% do PIB do território é devido a este sector. Macau é também o segundo lugar do mundo onde os visitantes internais mais gastaram no ano passado.

“É sempre encorajador ver que o turismo tem um papel importante na economia de Macau, comparativamente ao resto do mundo. Mas no futuro esperamos que os benefícios que o turismo traz, tripliquem os valores dos outros sectores também. Por isso, vamos trabalhar no turismo em conjunto com os nossos parceiros na cultura e indústrias criativas”, frisou Helena de Senna Fernandes.

Neste contexto, comentou ainda que “Macau tem uma economia aberta e neste momento o Governo não tem qualquer intenção de impor taxas de nivelamento ou limites nas taxas” relativas aos preços praticados no sector da hotelaria. Questionada sobre o impacto da desvalorização do renminbi, a directora da DST não se mostrou preocupada mas ressalvou que “devemos manter-nos atentos a este tipo de mudanças, porque a desvalorização da moeda vai ter efeitos no turismo emissor porque vai diminuir a vontade dos turistas consumirem”.

 

Diversificação do turismo em progresso

Um dos objectivos de Macau no âmbito do turismo é diversificar a origem dos turistas, cuja maioria é proveniente da China Continental. “Apesar da maioria dos turistas vir da China estamos a fazer campanhas de promoção no exterior e simultaneamente estamos a assistir ao desenvolvimento da Grande Baía. Estamos comprometidos com cooperar com as áreas vizinhas na Grande Baía, e fazer uma promoção conjunta junto dos países estrangeiros”, comentou a directora da DST.

Um processo que passa por abordar companhias aéreas internacionais, as quais Helena de Senna Fernandes considera que “vão ficar surpreendidas com a infra-estrutura existente em Macau”. E se é difícil diversificar, o território continua com um aumento de turistas que a responsável não atribui apenas a uma boa fase, mas sim ao resultado das estratégias políticas que a RAEM tem vindo a adoptar.

Pelo facto de este ano o Fórum de Economia de Turismo Global ter como região parceira a UE, tentando complementar o ano do turismo entre a China e a União Europeia, Helena de Senna Fernandes espera que “muitas pessoas europeias participem nesta edição”, vendo mesmo possibilidades de trabalhar no futuro “mais proximamente com alguns destes países”. Reconhecendo que não será possível uma colaboração muito próxima com todos os Estados Membros no imediato, aponta para esta iniciativa como um bom primeiro passo.

Noutro campo, espera que a promoção da imagem de Macau seja feita de forma colectiva entre o Governo, o sector privado e a própria sociedade. Um resultado desta cooperação será visível já no próximo ano, quando haverá celebrações do aniversário do estabelecimento da RAEM e está a ser organizada uma exposição que do chinês se traduz para “A arte torna Macau melhor”.