A subdivisão da Interpol em Macau recebeu um pedido das autoridades malaias relacionado com o empresário Low Taek Jho, procurado pelo seu envolvimento no escândalo ligado ao fundo de investimento conhecido como “1MDB”. A Polícia Judiciária está a verificar o conteúdo do pedido

 

A Polícia Judiciária (PJ) indicou ontem que a secção local da Interpol, uma subdivisão da Interpol de Pequim, recebeu um pedido da Malásia visando Low Taek Jho, também conhecido como Jho Low, figura-chave no escândalo financeiro que envolve um fundo de investimento estatal malaio e que se suspeita que esteja na RAEM. A notícia foi avançada pela “Macau News Agency”, segundo a qual a “PJ está actualmente a verificar o conteúdo do pedido e vai fornecer a informação pedida pela Malásia”.

Na segunda-feira, durante uma conferência de imprensa, Lim Kit Siang, ministro do Partido de Acção Democrática (DAP, na sigla inglesa), criticou o anterior Primeiro-Ministro da Malásia, Najib Razak, por não ter enviado um aviso para a detenção de Low enquanto o suspeito esteve em Hong Kong, apesar de a Interpol já ter o empresário sinalizado. Lim referiu que Low Taek Jho terá permanecido num apartamento de luxo em Hong Kong antes de partir para a RAEM. A polícia da RAEHK não teria qualquer obrigação de deter o suspeito, a não ser que recebesse um pedido formal nesse sentido.

O inspector-geral da polícia malaia Tan Sri Mohamad Fuzi Harun já disse também que Jho Low se encontra em Macau, porém, recordou que a RAEM não tem um acordo de extradição com a Malásia. De qualquer modo, o empresário não pode ficar em Macau mais do que 30 dias com o passaporte malaio, a menos que peça asilo. No entanto, Low Taek Jho é detentor de dois passaportes, um da Malásia, que já foi cancelado, e outro de São Cristóvão e Nevis. Até à data não houve qualquer pedido de asilo.

A “Macau News Agency” contactou a PJ e o Corpo da Polícia de Segurança Pública (CPSP), porém, não conseguiu confirmar a saída do empresário da RAEM. Durante o dia de ontem surgiram rumores de que o empresário pudesse ter abandonado o território, todavia, as autoridades locais preferiram não comentar o caso. Entretanto, o canal chinês da Teledifusão de Macau retirou do “site” um artigo que dava conta da saída de Jho Low.

De recordar que o empresário foi implicado no escândalo “1MDB”, um processo que decorreu em quatro fases, de 2009 a 2014. O fundo de investimento estatal começou a ser investigado em Julho de 2015 devido a alegada apropriação indevida, após indícios de que quase 700 milhões de dólares americanos (cerca de 5,6 mil milhões de patacas) teriam sido direccionados para contas bancárias do antigo Primeiro-Ministro, Najib Razak, que já foi detido e será julgado. Low Taek Jho é acusado de ser o “cérebro” de todo o escândalo financeiro.