Num balanço ao Arraial de São João, Miguel de Senna Fernandes disse a este jornal que mais pessoas aderiram ao evento pelo menos no primeiro dia, comparativamente à festa do ano passado, o que se deveu em parte às boas condições meteorológicas. Também disse considerar que o novo local, a Doca dos Pescadores, constitui um “bom espaço” para as festividades de uma efeméride importante para o território e para as comunidades portuguesa e macaense, de acordo com algumas opiniões que Miguel de Senna Fernandes recolheu

PEDRO MILHEIRÃO

A Doca dos Pescadores é um “bom espaço para albergar a festa” do Arraial de São João, na óptica de Miguel de Senna Fernandes. Num balanço ao primeiro dia de festa, o dirigente da Associação dos Macaenses disse que a organização teve a “bênção de São João”, dado o bom tempo, o que permitiu um sábado de festa “muito agradável”, explicou ao Jornal TRIBUNA DE MACAU. Aproveitou também para frisar a “importância que esta data tem para Macau”, particularmente para as comunidades portuguesa e macaense.

Segundo estimativas de Miguel de Senna Fernandes, mais gente aderiu ao primeiro dia da festa deste ano, face ao arraial de 2025. “Calculo que [no sábado] estiveram 600, 700 pessoas, o que já é um bom número”, disse. “Pelo menos as pessoas ficavam, enquanto, no ano passado, chegavam e iam-se embora. Era apenas uma mera passagem”, lamentou.

“Muito embora o arraial seja uma coisa popular, está intimamente ligado à rua”, disse o líder associativo, reconhecendo que o “tempo condiciona tudo”. “O tempo ajudou, porque esta altura do ano é a época da chuva”, observou. “Temos o mar, temos as correntes e uma frescura natural”, resumiu, antecipando um domingo com condições meteorológicas semelhantes.

Outrora organizada no Bairro de São Lázaro e, nos últimos dois anos, na Torre de Macau, o arraial deste ano realizou-se na área exterior do Hotel Rocks e do restaurante Vic’s/Macalhau. “Durante 11 anos, estivemos no Bairro de São Lázaro. Era um bairro icónico”, recordou Miguel de Senna Fernandes. “Era uma festa de rua”. “O bairro habituou-se à ideia de que todos os anos regressaríamos” disse. Contudo, as restrições de trânsito, de ruído e as questões de segurança e saúde pública durante a pandemia marcaram o fim do arraial em São Lázaro.

“Uns apoiavam [a festa], outros eram contra”, lembrou Miguel de Senna Fernandes. “Muitos moradores eram contra. Era muito barulho”, reconheceu, dando razão aos habitantes da zona. “Depois da pandemia, houve algumas interrupções e não conseguimos [organizar]. A última vez que conseguimos foi na Torre de Macau, graças ao apoio logístico da Torre”, observou, recordando os dois últimos anos.

Acerca do novo local da festa, referiu que a “reacção foi fantástica” e que pelo menos uma dezena de pessoas disse considerar o local “espectacular” para as festividades.

Além disso, “as pessoas gostam de participar”, acrescentou o responsável, referindo-se aos expositores da festa. “Naturalmente, as pessoas estão ali para fazer o seu dinheiro, com certeza. Fazem as suas vendas, dos seus produtos. Isto é uma feira”, anotou, mesmo que não sejam “comerciantes propriamente ditos”.

“Ainda assim, saudou o facto de o espírito se manter, “para que nas futuras edições possamos contar com elas e com outras pessoas também”. Para Miguel de Senna Fernandes, “é importante que a celebração da festa mantenha a sua estabilidade, em termos de continuidade e regularidade”.