Nos primeiros três meses deste ano, a Sands China e a Galaxy Entertainment absorveram quase metade do total das receitas brutas dos casinos de Macau, com a empresa fundada por Lui Che-Woo a beneficiar do impulso do jogo VIP para registar o crescimento anual mais expressivo entre as seis operadoras num sector igualmente marcado pela contínua quebra da quota da SJM. Em termos de segmentos operacionais, a Sands China captou mais de 30% do mercado de massas e a Galaxy absorveu cerca de 29% do segmento VIP
Sérgio Terra
A Sands China voltou a liderar o sector do jogo nos três primeiros meses deste ano, ao facturar um total de 2.159 milhões de dólares americanos (quase 17.000 milhões de dólares de Hong Kong), o que corresponde a um crescimento anual de cerca de 20%, mas a sua quota global do mercado não seguiu essa tendência em alta, mantendo-se nos 23,1%. A estabilização da “fatia” da empresa liderada por Sheldon Adelson deriva sobretudo do forte desempenho da Galaxy Entertainment no primeiro trimestre, traduzido em acréscimos de 32% para 16.691 milhões de dólares de Hong Kong nas receitas brutas e de dois pontos percentuais para 22,9% na quota de mercado.
Entre Janeiro e Março, as duas operadoras garantiram assim 46% do total das receitas dos casinos de Macau, segundo indicam dados incluídos num relatório da Sanford C. Bernstein, a que a TRIBUNA DE MACAU teve acesso. No entanto, a origem da facturação é bem distinta, com a Sands China a dominar amplamente o mercado de massas e a empresa fundada e presidida pelo magnata de Lui Che-Woo a assumir-se como líder cada vez mais incontestada do segmento VIP.
A Wynn Macau, que continua a retirar altos dividendos do casino Wynn Palace, passou a ser a terceira operadora do mercado, com uma quota total de 16,1%, mais 0,4 pontos do que no primeiro trimestre de 2017. Em termos absolutos, as receitas do jogo da Wynn Macau subiram 23% para 11.750 milhões de dólares de Hong Kong, face ao período homólogo de 2017.
Já a Melco Resorts & Entertainment encaixou receitas brutas de 1.418 milhões de dólares americanos (mais de 11.100 milhões de dólares de Hong Kong), mais 16% do que um ano antes, e conquistou uma fatia de 15,1% que, apesar de assinalar uma ligeira descida de 0,5% pontos, foi suficiente para relegar a Sociedade de Jogos de Macau (SJM) para a quarta posição.
No primeiro trimestre de 2018, a empresa do império criado por Stanley Ho viu as suas receitas subirem “apenas” 5% para 10.916 milhões de dólares de Hong Kong, comprovando que o facto de ainda não estar a operar no COTAI – o Grand Lisboa Palace continua em construção – causa mossas a nível financeiro. O peso da SJM no mercado recuou assim de 17,2% para 15% no intervalo de um ano.
A fechar o “ranking” mantém-se a MGM China, com uma quota de 7,8% (mais 0,2 pontos), que equivaleu a receitas brutas de 5.681 milhões de dólares de Hong Kong.
Galaxy cada vez mais VIP
De acordo com o relatório assinado pelos analistas Vitaly Umansky, Zhen Gong e Cathy Huang, a Galaxy Entertainment tem vindo a crescer no sector do jogo fundamentalmente devido aos bons resultados das salas VIP dos seus casinos. No primeiro trimestre, 28,6% das receitas geradas no universo dos grandes apostadores foram absorvidas pelo grupo Galaxy, assinalando um aumento expressivo de 4,6 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano transacto.
Apesar de ter cedido dois pontos percentuais em termos anuais, a Wynn Macau voltou a ser a segunda operadora no mercado VIP, com uma quota de 19,1%, superando a Melco Resorts & Entertainment (15,5%), Sands China (15%), SJM (14,2%) e MGM China (7,6%).
No mercado de massas, o equilíbrio de forças tem outra configuração, com a Sands China (30,2%) bem destacada no topo, seguida da Galaxy (17,8%), SJM (15,7%), Melco (14,9%), Wynn (13,4%) e MGM (8%). Porém, nesta variante, a maior subida homóloga pertenceu à Wynn Macau, cuja quota aumentou 2,5 pontos percentuais relativamente aos três primeiros meses de 2017.
Numa análise global, a Sanford C. Bernstein salienta que as receitas brutas dos jogos de fortuna ou azar em casinos cresceram acima do esperado entre Janeiro e Março, ao ascenderem a 76.510 milhões de patacas, mais 20,5% do que os 63.479 milhões apurados no período homólogo do ano passado. Esticando os resultados até Maio, verifica-se que o acréscimo atingiu 20,1% para 127.727 milhões de patacas.
Em termos parciais, o jogo VIP avançou cerca de 21% no primeiro trimestre e o mercado de massas subiu 20%, segundo as contas da consultora, que reviu entretanto as projecções para o cômputo geral de 2018. A Sanford C. Bernstein aponta agora para um aumento geral de 14% (contra os anteriores 11%), fruto de subidas de 17% (contra 12%) no mercado de massas e 11,5% no segmento VIP (contra 9,5%).
Para os autores do relatório, a solidez das receitas VIP no primeiro trimestre foi, em grande parte, “impulsionada por um forte ambiente macro, robusta liquidez e forte confiança dos consumidores/negócios, juntamente com uma base sólida de capital de junkets com a crescente emissão de crédito para os jogadores”. “Embora seja provável que continue a demonstrar força nos próximos meses (…), o modelo VIP irá provavelmente enfrentar obstáculos estruturais na última parte de 2018”, ressalva o estudo, ao apontar para factores como “medidas de arrefecimento instituídas no sector imobiliário chinês, aperto no crédito na China, um crescente ambiente regulatório em Macau e a manutenção do foco do governo chinês nas saídas de capital”.
Por outro lado, tendo em consideração que as “perspectivas de crescimento da indústria a longo prazo permanecem atractivas”, em grande parte impulsionadas pelo mercado de massas, o trio de analistas reitera a previsão de uma taxa de crescimento anual composta (CAGR, na sigla inglesa) na ordem dos 10% para o período compreendido entre 2017 e 2022.
QUOTAS DE MERCADO*
RECEITAS TOTAIS
1-Sands (23,1%)
2-Galaxy (22,9%)
3-Wynn (16,1%)
4-Melco (15,1%)
5-SJM (15%)
6-MGM (7,8%)
SEGMENTO VIP
1-Galaxy (28,6%)
2-Wynn (19,1%)
3-Melco (15,5%)
4-Sands (15%)
5-SJM (14,2%)
6-MGM (7,6%)
MERCADO DE MASSAS
1-Sands (30,2%)
2-Galaxy (17,8%)
3-SJM (15,7%)
4-Melco (14,9%)
5-Wynn (13,4%)
6-MGM (8%)
* Dados do primeiro trimestre compilados pela Sanford C. Bernstein



