Satisfeito com os resultados financeiros obtidos pelos seus empreendimentos em Macau no ano passado, o CEO da Las Vegas Sands mostra-se entusiasmado com os projectos futuros, nomeadamente a transformação de alguns dos hotéis do actual Sands Cotai Central no “Londoner”, projecto cuja imagem se assemelhará ao emblemático “Big Ben”, em Londres. Fruto sobretudo do desempenho do Venetian, as receitas líquidas da Sands China cresceram 15,7% e os lucros aumentaram 31,1%
Inês Almeida
É no “espírito do compromisso com o desenvolvimento futuro de Macau” que Sheldon Adelson pretende investir 1,1 mil milhões de dólares americanos, equivalentes a 8,8 milhões de patacas, na renovação do Sands Cotai Central para o transformar no “Londoner”.
“O Londoner tem um potencial tremendo na qualidade de terceiro marco”, depois de um processo de renovação e expansão e desenvolvimento de mais 1,7 milhões de pés quadrados de espaço. Quando estiver completo, o Londoner vai acomodar mais hóspedes do que o Venetian e o Parisian combinados”, garantiu o CEO da Las Vegas Sands numa conferência telefónica com analistas.
“O novo desenvolvimento substancial do Sands Cotai Central para o transformar no Londoner vai criar um terceiro destino icónico no nosso progresso no COTAI e é oportuno para aproveitarmos as vantagens do crescimento de Macau nos próximos anos”, indicou Sheldon Adelson, assegurando que olha para o futuro “com confiança”.
O magnata norte-americano referiu que o aspecto exterior do complexo hoteleiro “vai ser como o Big Ben e o Edifício do Parlamento” britânico. “Vamos ter a ‘Tower Bridge’ representada algures e réplicas das cabines telefónicas espalhadas por Londres, que serão usadas como ATM e autocarros de dois andares”, revelou.
O empreendimento incluirá ainda “muitos” chapéus feitos de pele de urso, como os que são utilizados pelos guardas no Palácio de Buckingham e “talvez até alguns cavalos com pessoas com chapéus de pele a andar pelo COTAI”.
Questionado sobre o eventual impacto destas renovações na actual actividade da empresa na zona do COTAI, Robert Goldstein admitiu, por outro lado, que poderão existir alguns problemas, mas apenas no final do ano. O presidente e director de operações da Las Vegas Sands referiu que o Holiday Inn será encerrado no final de 2018, “em Novembro ou Dezembro”. “Nos próximos 10 meses não haverá nenhuma interrupção de qualquer tipo”.
De qualquer modo, apontou o executivo da Las Vegas Sands, “as interrupções são muito difíceis de quantificar”. “Diria que, numa nota mais positiva, temos dois outros casinos lá e podemos movimentar os nossos negócios”.
Porém, Sheldon Adelson não concorda em absoluto com essa visão. “Rob [Goldstein] disse que haverá uma grande interrupção. Eu não concordo com isso. Não será uma maior interrupção do que obras em qualquer outra propriedade”.
Além disso, frisou o CEO da Las Vegas Sands, o futuro complexo terá duas entradas principais: uma nos dois primeiros edifícios, outra nos últimos dois. “Não é como se a propriedade inteira fosse alvo de intervenção ao mesmo tempo e todas as entradas fossem fechadas. Vamos fazer a intervenção por secções para que a perturbação seja a mínima possível”, salientou.
Voltar a 2014
De qualquer modo, o CEO fez questão de voltar a sublinhar a sua confiança no mercado local. “Sinto que [o jogo em] Macau está a voltar a 2014 ou até antes disso. Ninguém consegue dizer quanto o sector VIP irá crescer no próximo ano ou o segmento de massas”. “Acredito que Macau vai crescer como antes e vamos aproveitar isso para gastar dinheiro no Londoner com o objectivo de o reestruturar para atrair um maior número de pessoas para o actual Sands Cotai Central”.
Parte da intervenção abrangerá ainda o St. Regis. “Ainda estamos à espera que o Governo aprove o projecto. Estamos a adicionar espaço à zona dos apartamentos da torre do St. Regis onde temos cerca de 300. Isso representa uma parte dos 1,7 milhões de pés quadrados de expansão”, explicou.
Além disso, indicou Sheldon Adelson, “transformámos um ou dois andares para criar mais espaço para o MICE [sector das convenções] que vai abrir”. No entanto, esclareceu, “não estamos a adicionar esse espaço, mas a converter áreas não utilizadas em áreas com uma função”.
Em jeito de balanço, o CEO da Las Vegas Sands diz estar “muito orgulhoso” do progresso em Macau e das possibilidades de crescimento do próprio território.
Contas em crescendo
Os resultados financeiros da operadora mostram que o quarto trimestre do ano passado foi para a Sands China o melhor desde o terceiro trimestre de 2014, com um EBITDA (resultados antes de juros, impostos, amortizações e depreciações) ajustado de 731 milhões de dólares americanos, isto é, 5,8 mil milhões de patacas.
As receitas líquidas da Sands China cresceram 12,9% entre Outubro e Dezembro de 2017, face ao período homólogo do ano anterior, atingindo 2,10 mil milhões de dólares. Os lucros da operadora cresceram 49,1% para 519 milhões no quarto trimestre, comparado com 348 milhões no mesmo período de 2016.
No que respeita ao ano inteiro, o aumento das receitas líquidas foi de 15,7%, para 7,74 mil milhões de dólares, comparado com os 6,69 mil milhões registados em 2016. Os lucros da operadora em Macau cresceram 31,1%, atingindo 1,60 mil milhões no ano passado.
O volume de apostas do segmento VIP no Venetian Macau cresceu 16,4% nos últimos três meses do ano face ao período homólogo de 2016, enquanto o Parisian conseguiu um aumento de 16,1%. Estes desempenhos contrastam com as quebras sentidas no Sands Cotai Central, onde o volume de apostas VIP caiu 16,7%, e no Sands Macau, que registou um decréscimo de 46,7%.
Nos últimos três meses do ano passado, o Venetian gerou receitas de 844 milhões de dólares e ganhos operacionais (EBITDA) de 324 milhões, representando um aumento de 23,7%. Por seu turno, as receitas e EBITDA ajustado do Sands Cotai Central cifraram-se em 557 milhões e 202 milhões de dólares respectivamente.
Já o Parisian, no quarto trimestre do ano passado obteve receitas de 332 milhões e ganhos operacionais de 89 milhões de dólares.
Na Península, o Sands Macau gerou receitas de 154 milhões e um EBITDA ajustado de 40 milhões de dólares nos últimos três meses de 2017.
Incluindo as operações em Macau, Singapura e EUA, a Las Vegas Sands obteve no quarto trimestre do ano passado receitas de cerca de 3,44 mil milhões de dólares (mais 11,7%) e lucros líquidos de 1,36 mil milhões (mais 124,1%). No cômputo geral do ano, as receitas subiram 12,9% para 12,88 mil milhões.
Nas operações do grupo em Singapura houve uma subida anual de 14,1%, para 825 milhões, nas receitas e um aumento de 24,6% no EBITDA ajustado, para 456 milhões de dólares.



