A jornalista Sandra Azevedo, da TDM, venceu o Prémio Macau – Reportagem com um trabalho sobre “As Moradas do Cinema”, que revisitou espaços antigos de cinema no território
Catarina Pereira
“As Moradas do Cinema”, da jornalista Sandra Azevedo, foi a reportagem vencedora do Prémio Macau – Reportagem, atribuído pela Fundação Oriente. “É com grande orgulho que sou vencedora do prémio deste ano. Estou muito feliz”, disse Sandra Azevedo ao Jornal TRIBUNA DE MACAU, acrescentando que foi “com alguma surpresa” que recebeu a notícia. O prémio tem o valor pecuniário de 50 mil patacas e será entregue na Fundação Oriente, no dia 4 de Dezembro, pelas 19:00.
O trabalho conta a história de “antigos espaços de cinema de Macau”. A jornalista seguiu as obras de renovação do Teatro Capitol, falou com o empresário que investiu no projecto e também no Teatro Cheng Peng. Além disso, conversou também com o neto do fundador do Teatro Capitol: “Remete-nos um bocadinho aos tempos em que o cinema era uma grande diversão para toda a gente e como isso foi caindo”, indicou.
A investigação começou em Agosto de 2017, mas o produto final só passou na TDM em Fevereiro de 2018. “O maior desafio acho que foi aquele que tenho em quase todos os meus trabalhos – a língua -, mas tive uma colega de equipa que ajudou a ultrapassar essa barreira muito facilmente”, explicou Sandra Azevedo, acrescentando que também a investigação e conseguir imagens para “pintar” os relatos mais históricos constituíram desafios. O livro “Cinema em Macau”, de Henrique de Senna Fernandes, acabou por ajudá-la “a colorir um bocadinho a história”.
Já em 2013 a jornalista tinha vencido o mesmo prémio com a reportagem “Viver Com Pouco”. “São registos totalmente diferentes. Na altura foi um trabalho de cariz mais social, desta vez é um trabalho cultural, histórico, um documento que espero que contribua, de alguma forma, para promover e deixar manter viva a memória de Macau, que é muito importante”, observou.
De acordo com a Fundação Oriente, o trabalho “denota um sólido compromisso entre a dimensão estética e as regras tipológicas da reportagem”. “Sendo um trabalho objectivo e factual, não deixa de constituir um instante cinematográfico importante para a recuperação da memória de Macau”, diz no comunicado.
Este ano, concorreram ao prémio 12 jornalistas com 14 trabalhos, sendo que o júri decidiu ainda atribuir duas menções honrosas às reportagens “Vidas Suspensas – O estatuto de refugiado em Macau”, da jornalista Diana do Mar (um trabalho publicado no Jornal Hoje Macau), e “Dias de Tempestade”, do jornalista Hugo Pinto (uma peça emitida na Rádio Macau).
A Delegação de Macau da Fundação Oriente aceita candidaturas à 11ª edição do Prémio de 2 a 31 de Janeiro de 2020.



