Macau acolheu até ontem a Reunião Ministerial do Turismo da Cooperação Económica da Ásia-Pacífico, a qual serviu para reforçar a cooperação internacional na área do turismo. O Chefe do Executivo disse esperar que o encontro contribuísse para explorar “novos caminhos” para a cooperação turística na região

O Chefe do Executivo vincou que, “em diferentes períodos históricos, Macau desempenhou sempre um papel importante no fomento do intercâmbio entre o Oriente e o Ocidente”, continuando a fazê-lo, “de forma renovada em múltiplos domínios, como a cooperação internacional no turismo”. Sam Hou Fai discursava no jantar de boas-vindas por ocasião da 13ª Reunião Ministerial do Turismo da Cooperação Económica da Ásia-Pacífico (APEC).

Na ocasião, o líder da RAEM disse aguardar com expectativa “um intercâmbio aprofundado” com os representantes das diversas economias-membro sobre experiências de desenvolvimento sustentável do turismo, “com o objectivo de explorar novos caminhos para a cooperação turística na região Ásia-Pacífico”.

Apontando que a realização, mais uma vez, da Reunião Ministerial do Turismo da APEC, após a última vez em 2014, se reveste de “especial significado”, Sam Hou Fai vincou que “a APEC é uma das plataformas mais importantes de cooperação económica na região Ásia-Pacífico”.

“A RAEM continuará a aplicar com firmeza o princípio ‘um país, dois sistemas’, aproveitando os mais de 400 anos de intercâmbio entre as culturas chinesa e ocidental, bem como a sua vantagem única de estreita ligação com os países de língua portuguesa. Macau irá alinhar-se activamente com as estratégias nacionais, empenhando-se plenamente em contribuir para o intercâmbio e a aprendizagem mútua entre as civilizações chinesa e ocidental, com o objectivo de se consolidar como uma plataforma estratégica para a abertura de alto nível do país ao exterior”, prosseguiu.

Perante a evolução na configuração económica mundial, “só através do reforço do diálogo e da cooperação será possível enfrentar conjuntamente os desafios e partilhar a prosperidade”, defendeu.

O Chefe do Executivo disse ainda estar convicto de que os ministros e representantes das diversas economias poderiam aproveitar a reunião para a troca de ideias e promoção de benefícios mútuos, colaborando na definição de um novo plano estratégico para o desenvolvimento de alta qualidade do vasto sector do turismo na região da Ásia-Pacífico.

Antes do jantar, Sam Hou Fai encontrou-se com o director-executivo do Secretariado da APEC, Eduardo Navarro Pedrosa. Na ocasião, o Chefe do Executivo manifestou esperança de que as economias-membro da APEC “aproveitem plenamente a função de plataforma de Macau e aproveitem a oportunidade integrada gerada pelo desenvolvimento de Macau e da Zona de Cooperação Aprofundada”.

Sam Hou Fai espera igualmente que “usufruam das vantagens integradas de Macau e Hengqin e transformem ambas num ‘elo de ligação’ e ‘trampolim’ para aceder à Grande Baía e ao mercado do Interior da China, com vista a fortalecer a cooperação e a alcançar um desenvolvimento conjunto”.

Já Eduardo Navarro Pedrosa, e de acordo com um comunicado divulgado pelo Gabinete de Comunicação Social, destacou que, na qualidade de Centro Mundial de Turismo e Lazer, “Macau possui uma forte atractividade e um encanto específico nos domínios do turismo, gastronomia, indústria de convenções e exposições”.

Expressou ainda a expectativa de que “Macau continue a desempenhar o papel de plataforma, a promover activamente uma aprendizagem mútua entre as civilizações chinesa e ocidentais e a impulsionar a cooperação turística regional de forma integrada”.

Num encontro com o ministro da Cultura e Turismo da República Popular da China, Sun Yeli garantiu a Sam Hou Fai que o Ministério que dirige continuará a “apoiar integralmente o Governo da RAEM no aperfeiçoamento dos trabalhos da área cultural e turística, incluindo a criação da Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau”.

A intenção, frisou, é a de auxiliar Macau “na elevação da qualidade do seu desenvolvimento no que se refere a assuntos relacionados com a cultura e turismo, assim como, reforçar a cooperação internacional da área de turismo, para melhor servir e integrar na conjuntura do desenvolvimento nacional”.

 

Apresentadas tendências turísticas da cidade

Por outro lado, realizou-se também a 67ª Reunião do Grupo de Trabalho de Turismo da APEC, na qual Macau apresentou o panorama actual desenvolvimento e tendências futuras do turismo da cidade, para reforçar a participação e influência da RAEM em organizações internacionais de turismo.

A agenda incluiu a implementação das actuais quatro áreas prioritárias do Plano Estratégico de Turismo da APEC: transformação digital, desenvolvimento de capital humano, facilitação e competitividade do turismo, e turismo sustentável e crescimento económico. Os representantes das economias-membros debateram sobre o plano de trabalho, trocaram ideais sobre transformação digital no turismo, entre outros temas, segundo uma nota de imprensa.

“A participação na reunião contribui para reforçar a participação de Macau em organizações internacionais de turismo, fortalecer ligações com o exterior e ajuda a promover o desenvolvimento sustentável da indústria turística da cidade”, pode ler-se.

A directora da DST, Helena de Senna Fernandes, abordou a estratégia do desenvolvimento da diversificação adequada da economia “1+4”, o aprofundamento do fomento intersectorial “turismo +”, e o impulsionar das sinergias entre Macau e a Zona de Cooperação Aprofundada e a Grande Baía. Foram também destacadas iniciativas como a política de trânsito com isenção de visto por 240 horas para atrair visitantes internacionais à Grande Baía através de itinerários “multidestinos”, bem como medidas inovadoras de turismo inteligente e divulgação do destino.

Entretanto, ontem, o Governo da RAEM e o Ministério da Cultura e Turismo da China organizaram visitas no território para as delegações de economias-membro da APEC. Entre outros locais, passaram pelo Museu de Arte de Macau e pelas Ruínas de São Paulo, tendo participado ainda em oficinas com iguarias tradicionais locais e técnicas artesanais reconhecidas como Património Cultural Intangível, nomeadamente o bolo de amêndoa e o Doce Barba de Dragão.

 

Pequim quer isenção de vistos para expandir turismo na Ásia-Pacífico

Pequim quer políticas para facilitar a mobilidade na Ásia-Pacífico, nomeadamente em áreas como a isenção de visto, declarou o ministro da Cultura e do Turismo. “A China está pronta para aprofundar a coordenação de políticas e medidas de facilitação, por exemplo, como em áreas de isenção de vistos e de pagamentos transfronteiriços”, afirmou Sun Yeli na sessão de abertura da reunião ministerial do Turismo da Cooperação Económica da Ásia-Pacífico. O ministro chinês reforçou que, “graças às expansões de transporte livre de visto”, a região da Ásia-Pacífico tem “assegurado visitas mútuas” entre turistas. Ainda no que diz respeito à expansão do turismo, Sun Yeli afirmou que a região deve “empoderar o sector” e “embarcar na inovação digital”: “Devemos trabalhar juntos para aprofundar a integração do turismo e da tecnologia para que possamos ter melhores e maiores modelos de negócios para o desenvolvimento da indústria do turismo”. Sobre Macau, Sun indicou que, enquanto “ponte importante para a abertura da China e uma janela para a partilha das civilizações”, a região administrativa especial “está a caminho de se tornar num ponto de turismo de lazer mundial”. “Oferece-nos uma plataforma para aprofundar a cooperação”, reflectiu. Para a tarde de sábado, estava programada uma conferência de apresentação de resultados das reuniões da APEC, com a presença de jornalistas, que foi cancelada, sem justificação, poucas horas antes da hora marcada.

 

C.P.