Macau foi escolhido para o reatamento do programa de televisão “MasterChef Asia”, depois de um hiato de cerca de 10 anos. Numa parceria com os Serviços de Turismo, os episódios da nova série da distribuidora “Banijay Rights” são uma produção da “Warner Bros” e serão totalmente filmados na RAEM. O hotel Sofitel foi um dos locais das filmagens, enquanto a Universidade de Turismo dará apoio na organização da cozinha. O conteúdo está a ser mantido em segredo, mas a confecção de pastéis de nata poderá ser um dos elementos incluídos no concurso

VÍTOR REBELO
A popular série-concurso de culinária “MasterChef Asia” está de regresso após um intervalo de 10 anos e Macau foi a anfitriã escolhida, tendo as filmagens arrancado a meio deste mês, visando a produção de uma dezena de episódios. Numa parceria com a Direcção dos Serviços de Turismo (DST), a nova série da “Banijay Rights”, distribuidora mundial da “Banijay Entertainment”, é da responsabilidade da “Warner Bros. Discovery” e “CreAsia Studio” (parte da “Endemol Shine India”).
Inteiramente filmados em Macau, os 10 episódios “providenciarão aos concorrentes um palco ideal para mostrar o seu talento culinário”, refere a DST em comunicado. Ao mesmo tempo, “mostrará a atracção singular do ‘turismo + gastronomia’ de Macau a uma vasta audiência em múltiplos mercados de fontes de visitantes internacionais, que reforçará a fama global do destino e o intercâmbio em cultura gastronómica”, sublinha.
O programa apresentará a RAEM a uma audiência internacional através de várias plataformas com transmissão assegurada na TLC, “Discovery”, e “Asian Food Network” na Índia, Sudeste Asiático, Grande China e Coreia, “Lala TV” no Japão, e no canal “Fatafeat” no Médio Oriente, “que ajudará a gerar maior intenção de visita a Macau e a elevar a imagem de marca do destino”, reforça a DST.
O conteúdo do programa e dos episódios está a ser mantido em sigilo, mas a confecção de pastéis de nata poderá ser um dos elementos incluídos no concurso. Desconhece-se também se os episódios irão ser emitidos pela televisão na RAEM.
O evento só agora foi divulgado oficialmente em Macau, mas há cerca de um mês, a revista “Variety” publicou declarações de Maria Helena de Senna Fernandes sobre o assunto. Na publicação, a responsável manifestou “entusiasmo por dar as boas-vindas ao ‘MasterChef Asia’ a Macau”, adiantando que, “como Cidade Criativa da Gastronomia da UNESCO, a comida está no centro da nossa identidade, e esta parceria é uma forma deliciosa de partilhar a nossa paixão com o mundo.”
No mesmo artigo, Rashmi Bajpai, executivo da “Banijay Rights”, revelou que o regresso do “MasterChef Asia” constitui um “marco significativo para este formato global icónico e para o mercado televisivo asiático, reflectindo a extraordinária criatividade culinária do continente asiático”.
Lynn Ng, vice-presidente geral e directora de conteúdos da “APAC Networks” na “Warner Bros.Discovery”, referiu, por seu turno, que a Ásia “é um caldeirão de gastronomia que vai levar uma nova versão deste formato de sucesso mundial aos fãs de toda a região”.
Também Deepak Dhar, fundador e director executivo do grupo da “Banijay Asia” e da “EndemolShine India”, considerou que “dar vida à série em Macau, uma cidade celebrada pelo seu património culinário, assinala um novo e emocionante capítulo para a marca”.
O programa a gravar em Macau, que conta com a colaboração de uma empresa de marketing local e de Hong Kong, está a ser mantido em total segredo, e nem mesmo a Associação Gastronomia Activa, que integra chefes de várias nacionalidades a exercer funções nos principais espaços, incluindo os grandes hotéis, tem conhecimento das filmagens. “Não temos qualquer informação”, disse ao Jornal TRIBUNA DE MACAU o chef Cristiano Tavares.
O cozinheiro português disse, por isso, desconhecer se os episódios vão fazer alguma ligação à gastronomia local, mas reconhece a importância do “MasterChef” vir a Macau. “Este tipo de eventos só contribui para acrescentar valor ao panorama da gastronomia de Macau”, frisou, lembrando que o território foi dos primeiros sítios onde a cozinha de fusão foi criada, sendo a mais antiga do mundo. Por isso, “é bom que as pessoas de fora vejam que Macau não é só casinos, mas também um ponto gastronómico”.
Enquanto isto, a chef Antonieta Manhão (Neta) gostaria que o programa fosse aproveitado para divulgar a cozinha local. “Por aquilo que sei, isso não deverá acontecer, o que é pena, pois podíamos aproveitar estes eventos para divulgar a gastronomia macaense”. De qualquer modo, Neta considera estas iniciativas internacionais “muito positivas” para a imagem do território.
O “MasterChef” é considerado um sucesso global, com fãs por todo mundo, sendo um programa de televisão regional de competição culinária baseado no programa britânico original “MasterChef”.
Um total de 15 cozinheiros amadores de várias regiões da Ásia (China, Índia, Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Taiwan e Vietname) competiram nas primeiras temporadas do “MasterChef Asia”. Desde a cozinha do “MasterChef” até aos desafios fora do estúdio, os episódios de Macau deverão culminar com um cozinheiro amador a conquistar o título de “MasterChef na Asia” de 2026.
Criado por “Franc Roddam” e lançado em 1990, o programa é reconhecido pelo livro do “Guinness World Records” como o “Most Successful Cookery Television Format”. Até à data, o programa já foi adaptado em 72 mercados, conta 700 temporadas e mais de 16.000 episódios exibidos. O regresso do “MasterChef Asia”, filmado em Macau, “ampliará a divulgação da imagem do destino como um centro mundial de turismo e lazer e Cidade Criativa de Gastronomia”, conclui a DST.



