As empresas “Rawlicious” e “Mana Vida” uniram-se para criar o “Raw Vida”, retiro que permitirá combinar desporto e uma alimentação “vegan”

 

Salomé Fernandes

 

Promover um estilo de vida saudável é a ideia que precede “Raw Vida”, o retiro que terá o “Blissful Carrot” como convidado e vai ter lugar no One Oasis, entre as 7:30h e as 20h do dia 19 de Novembro. Uma reunião de exercício físico com alimentação saudável que também reverte para a comunidade.

“Queremos sensibilizar a população de Macau para começar a ter uma vida mais saudável”, disse Cíntia Martins, “personal trainer” da empresa co-organizadora “Mana Vida”. O evento vai incluir duas aulas de “fitness” e três refeições principais, bem como quatro horas de aulas de preparação de comida crua. É a “Rawlicious”, empresa que confecciona bolos e outros pratos à base de alimentos crus, que vai ensinar a parte alimentar.

Cíntia Martins sublinhou que o evento pretende “mostrar que há um outro mundo que não o da proteína animal”, pela sua vertente “vegan”, acrescentando que entre outras coisas, Andreea Apostol, da “Rawlicious”, “vai ensinar como fazer leite à base de amêndoas ou coco, e queijo à base de caju”.

A instrutora considera que “em Macau há muitas dificuldades” para conseguir manter-se saudável”, porque “é difícil encontrar produtos ou por serem caros, ou por não existirem”. Apesar de tudo, a comunidade vegetariana em Macau está a crescer e há pessoas a optar por outros estilos alimentares, garante.

“Queremos mostrar que sim, que é possível, que também pode ter bastantes benefícios e que a pessoa encontra um equilíbrio”, indicou Cíntia Martins quanto à manutenção de uma dieta sem proteína animal. Para além do campo de treino, as aulas sobre cozinha com alimentos crus vão levar as pessoas a “aprender como obter o máximo de nutrientes nessas comidas”.

O “Raw Vida” tem 20 vagas, das quais quatro já foram preenchidas, sendo que Cíntia Martins registou manifestações de interesse por parte de pessoas de Hong Kong. A instrutora, que define a “Mana Vida” como sendo uma empresa social, garantiu que parte dos lucros obtidos vai reverter para caridade, sendo que a instituição “está a ajudar o Berço da Esperança, e um centro comunitário na Tailândia, o ‘Tree of Life’”.

A “Mana Vida”, que abriu em Fevereiro, já tinha feito sessões de “fitness” para analisar o mercado e a adesão das pessoas. Mas tinha a ideia definida desde o princípio. “Desde o início que foi claro que as pessoas nunca iam fazer seja o que for só por elas mesmas. Em todas as actividades que proporcionamos e que têm algum lucro, as pessoas estão também a dar algo em retorno à comunidade de Macau”,  frisou Cíntia Martins.

Foi em Fevereiro que surgiu a janela de oportunidade entre tempo e recursos para criar a empresa. Cíntia Martins já tinha formação como instrutora, mas era professora de artes a tempo inteiro na Escola das Nações. A ideia de adoptar um carácter comunitário nasceu de uma necessidade também interna a si e ao marido. “Juntámos os nossos interesses para podermos ajudar, porque para mim, por exemplo, encontrar motivação de ir para o ginásio ou para uma aula de fitness já começava a ser um bocado desmotivante. Precisava de saber que poderia dar o meu tempo para ajudar alguém”, disse Cíntia Martins.

Segundo indicou, a “Mana Vida” tem uma base cristã. “Tentamos também mostrar o que nos faz ser diferentes de outras religiões, mas sem fazer imposições, simplesmente mostramos o amor que temos a dar pela comunidade”.

A ligação à alimentação saudável surge de forma natural. “Os clientes podem pensar que podem fazer muito exercício físico e depois comer tudo o que quiserem, mas tentamos mostrar que a nutrição é a base. Podemos tratar doenças e até melhorar o estado psicológico à base de uma boa alimentação”, explicou.