O “factor investimento” está cada vez mais presente no sector imobiliário, com os residentes que já possuíam uma ou mais casas a serem responsáveis por cerca de 55% das aquisições nos primeiros 10 meses deste ano. Em termos globais, os residentes protagonizaram 98% das compras de casas efectuadas por pessoas singulares
Sérgio Terra
O peso dos residentes nos negócios imobiliários continua a aumentar em Macau, representando 98% das transacções feitas por pessoas singulares nos primeiros 10 meses deste ano. Entre Janeiro e Outubro, 8.481 aquisições tiveram a assinatura de pessoas singulares residentes, contra apenas 173 de não residentes.
Dados publicados no site da Direcção dos Serviços de Finanças (DSF) comprovam também a preponderância dos investimentos das pessoas singulares que já detêm fracções habitacionais. Até Outubro, 4.626 transacções foram protagonizadas por pessoas singulares residentes de Macau que, à data das aquisições, já eram proprietárias de pelo menos uma fracção. Esse grupo, que integra 2.062 que tinham uma fracção habitacional e 2.564 donos de mais do que um imóvel, foi assim responsável por 54,55% do total das aquisições concretizadas por pessoas singulares da RAEM.
Nos primeiros 10 meses deste ano, registaram-se 3.855 transacções envolvendo a compra da primeira casa por parte de pessoas singulares residentes, o que equivale a 45,45% do total.
Entre os não-residentes, 77 compradores não tinham qualquer imóvel destinado a habitação na data da aquisição, 34 já possuíam uma fracção e 62 eram donos de mais do que uma.
A DSF contabilizou ainda 154 fracções habitacionais adquiridas por pessoas colectivas entre Janeiro e Outubro, sendo que apenas oito casos envolveram a compra da primeira casa.
Preço médio cresceu
31% em Outubro
Dados relativos às fracções autónomas destinadas à habitação que foram declaradas para liquidação do imposto do selo por transmissões de bens em Outubro apontam, por um lado, para uma quebra no número de vendas de imóveis e, por outro, para nova subida de preços.
Segundo a DSF, o número total de casas transaccionadas em Outubro caiu 19,97% para 930, face às 1.162 vendidas no mesmo mês de 2016. Já o preço médio por metro quadrado avançou 31,23%, ao passar de 89.430 para 117.360 patacas no intervalo de um ano.
A subida de preços mais expressiva ocorreu na Taipa, com as 134.747 patacas a reflectirem um aumento anual de 54,8%, num mês em que o número de casas vendidas na ilha subiu 39,3% para 287, em termos anuais.
Na Península, o preço médio também evoluiu em alta, traduzindo um acréscimo de 28,4% para 104.524 patacas. Em contrapartida, o volume de transacções (629) recuou 13,2%.
Em Coloane, a variação anual homóloga foi negativa nas duas vertentes: o número de fracções vendidas (14) desceu 94% e o preço médio (122.869 patacas) diminuiu 1,9%.
Fracções para escritórios encareceram 29%
O preço médio por metro quadrado das fracções autónomas destinadas a escritório atingiu 120.763 patacas no terceiro trimestre deste ano, traduzindo subidas de 29,12% e 4,6%, respectivamente em termos anuais e trimestrais, indicam dados dos Serviços de Estatística e Censos. Já o preço médio das fracções industriais (57.746 patacas) cresceu 13,6% em três meses e 11,7% num ano. Segundo os mesmos dados, entre Julho e Setembro, transaccionaram-se, com base no imposto de selo cobrado, 2.818 fracções autónomas e lugares de estacionamento pelo valor de 15,62 mil milhões de patacas, o que representa decréscimos de 38,6% e 48,1% face ao trimestre anterior. No período em análise, foram alienadas 2.088 fracções habitacionais (-1.474, em termos trimestrais) pelo valor global de 12,41 mil milhões (-51,6%). O preço médio por metro quadrado dessas casas desceu 4,8% para 99.276 patacas na comparação trimestral. No final de Setembro, 20.324 fracções habitacionais estavam em fase de projecto, 10.024 em construção e 839 a ser vistoriadas.



