A empresa que opera os autocarros dourados vai diminuir a frequência de saídas a partir de segunda-feira. A decisão foi tomada após ter recebido uma notificação do Governo da RAEM. Em Hong Kong, foram reportados ontem mais de 55 mil casos de covid-19. Por outro lado, todos os testes realizados em Macau deram negativo
Catarina Pereira*
Depois de ter recebido uma notificação do Governo da RAEM, a Sociedade de Autocarro Pendular Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, S.A. – que opera as viagens nos chamados autocarros dourados entre as RAE – anunciou que, a partir da próxima segunda-feira, a frequência de saída dos autocarros vai ser ajustada. Assim, haverá, diariamente, apenas duas viagens: uma que parte de Macau e outra de Hong Kong, ambas às 15h00.
Além disso, a empresa vai suspender a venda online dos bilhetes da RAEHK para a RAEM. Segundo a informação disponibilizada, os turistas terão de seguir as orientações que constam do recibo de confirmação da marcação do hotel de quarentena para utilizarem o shuttle bus. Em sentido inverso, os passageiros que querem fazer a viagem de Macau para Hong Kong podem comprar os bilhetes no site oficial da companhia ou na conta pública da empresa no WeChat.
Ontem, Hong Kong relatou um novo recorde de casos de covid-19 – foram mais de 55 mil. Todas as infecções, excepto 27 das 55.353, foram transmitidas localmente.
Por outro lado, a empresa que opera os autocarros dourados deixou ontem de aceitar pedidos de devolução de bilhetes 48 horas antes da partida, isto para “combater as condutas de especulação” dos ingressos. Neste sentido, suspendeu também os serviços online de devolução de bilhetes.
Desde então, todos os passageiros que queiram devolver os bilhetes têm de enviar, para o email de serviço dos clientes, o documento de identificação que foi utilizado na compra e o recibo da compra do bilhete. Se o pedido for aceite, o dinheiro é restituído no prazo de 14 dias úteis. A empresa garantiu ainda que alertará as autoridades se descobrir condutas de especulação de bilhetes.
Em Macau, registaram-se novos casos importados de infecção assintomática, sendo que ambos vieram de Hong Kong. Um diz respeito a uma criança de seis anos, residente de Macau, que chegou no dia 19 de Fevereiro. O teste realizado anteontem revelou positividade à covid-19. A criança não tem nenhuma vacina contra a covid-19 e possuía um certificado de resultado negativo do teste de ácido nucleico.
Por outro lado, um residente de Macau proveniente da RAEHK, com 63 anos, foi também classificado como caso importado de infecção assintomática. O homem administrou duas doses da vacina inactivada da Sinopharm em Dezembro do ano passado e Janeiro deste ano. Chegou ao território via Ponte do Delta, através do autocarro dourado, e possuía um certificado negativo do teste de ácido nucleico. Também testou positivo anteontem.
Até ao momento, foram registados em Macau 81 casos confirmados de covid-19 e 37 de infecção assintomática.
Grupos-alvo com testes negativos
Até às 18h00 de ontem, ou seja, no espaço de 24 horas, 12.657 pessoas pertencentes aos grupos-alvo foram sujeitas a testes de ácido nucleico, tendo 7.209 resultados sido todos negativos. Ademais, 15.565 pessoas agendaram o teste. O Centro revelou que desde 28 de Fevereiro, 79.245 testes feitos por conta própria.
Os testes foram alargados a outros grupos, por forma a avaliar o risco de propagação na comunidade, isto depois de ter sido diagnosticado um caso positivo da covid na Vila de Tanzhou, de Zhongshan – a paciente tinha passado a fronteira das Portas do Cerco por diversas vezes, tendo feito soar o alarme.
Por outro lado, o teste tendo em conta as áreas-chave foi feito por 7.103 pessoas, sendo que todas deram negativo para a covid-19. Quem não tiver cumprido passará a ter o Código de Saúde amarelo, sendo que só passará a verde quando tiver um resultado negativo do teste. Ontem, em Tanzhou, arrancou a terceira ronda de testes em massa.
Por outro lado, o presidente do Conselho da Administração do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) disse que desde o início da semana a frequência das inspecções surpresa aos alimentos importados foi aumentada para 500 vezes por dia. José Tavares deu também conta de que hoje vários organismos se vão reunir para discutir os trabalhos de desinfecção.
Questionado sobre se vai prolongar a permanência dos produtos vindos da RAEHK em Macau para mais tarde entrarem no mercado, Tavares disse que as condições dos cais são limitadas por isso não é muito prático. Recorde-se que o IAM encontrou esta semana covid-19 num lote de leite que veio de Hong Kong.
30 não residentes serão proibidos de entrar em Macau
O Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) garantiu prestar especial atenção aos casos envolvendo um número anormal de entradas e saídas nas fronteiras. Recentemente, iniciou procedimentos de proibição de entrada contra 30 não residentes por “comportamentos não correspondentes aos autorizados” após terem entrado no território. O CPSP garantiu que vai reforçar as inspecções. Se descobrir residentes que sejam turistas falsos, os casos serão encaminhados para a Alfândega. A corporação apelou ainda a todas as pessoas que cruzam a fronteira para diminuírem as passagens não necessárias. Recorde-se que o último caso de covid-19 que levou as autoridades a lançarem testes a grupos e zonas-alvo era uma “turista falsa” de Tanzhou.
*Com Rima Cui



