As estratégias para o desenvolvimento da “cidade inteligente” estão em consulta pública a partir de hoje e ao longo de dois meses. A proposta defende a criação de um gabinete destinado especificamente àquele plano e de uma plataforma governamental de mega-dados. No documento consta ainda a recomendação de introdução da tecnologia do reconhecimento facial para identificação pessoal. Apesar de não serem apresentados pormenores, quanto ao número ou natureza, o Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia entende que importa rever regimes jurídicos que figuram como barreiras à construção da cidade inteligente
Rima Cui
Entre hoje e 25 de Junho, vão ser realizadas 10 sessões de consulta pública (oito de grupo e duas para o público em geral) sobre a “Estratégia para o desenvolvimento da cidade inteligente de Macau”.
A proposta apresentada ontem contém 13 áreas de desenvolvimento, incluindo de tecnologia inovadora. É nesta vertente que o Executivo defende que a promoção do empreendedorismo e inovação, e o reforço da competitividade da economia local, podem ser alcançados através da aplicação da tecnologia de reconhecimento facial na identidade pessoal.
Segundo o acordo assinado entre o Governo da RAEM e a “Alibaba” no ano passado, o gigante chinês vai ajudar Macau a instalar câmaras de videovigilância nas estradas, o que coloca em questão a privacidade. Sobre essa situação, Chan Wan Hei, membro do Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia (FDCT), assegurou que as medidas implementadas em Macau serão diferentes do Continente chinês, pois a Lei da Protecção de Dados Pessoais impedirá que os respectivos dados saiam do território.
Nesse sentido, o presidente do FDCT, Frederico Ma, reconhece que há leis em vigor que dificultam a construção da cidade inteligente, por isso, será necessário rever alguns diplomas para se atingir o objectivo final. No entanto, não especificou quantas nem quais as leis que considera inadequadas, ou as alterações concretas a fazer. Essa parte também não é explicada no documento da consulta.
Por outro lado, segundo o “Ou Mun Tin Toi”, a “Alibaba” espera avançar, em Agosto deste ano, com a primeira fase do projecto de desenvolvimento do turismo e transporte inteligente em Macau.
A proposta inclui ainda a criação de uma plataforma governamental de mega-dados, a construção da rede 5G e a constituição de um gabinete de desenvolvimento da cidade inteligente.
Segundo Frederico Ma, a construção da cidade inteligente envolve muitas áreas diferentes e a colaboração com diversos organismos governamentais, pelo que requer um gabinete exclusivo para ponderar a divisão dos orçamentos. Até a estratégia entrar em vigor, os assuntos relacionados com essa matéria continuarão a ser tratados por dois grupos específicos do Fundo e da Comissão para a Construção do Centro Mundial de Turismo e Lazer.
Na área dos transportes, a proposta defende a melhoria do controlo de tráfego, utilizando a análise de mega-dados e a aplicação de sistemas inteligentes de controlo dos sinais de trânsito.
Para o capítulo do ambiente, é recomendada a aplicação de colunas inteligentes de iluminação com a função de recolher informações ambientais e geográficas 3D. Em destaque está também o pagamento móvel.



