A economia de Macau sofreu uma quebra de 3,5% nos primeiros nove meses do corrente ano, com a recessão a intensificar-se entre Julho e Setembro, revelam dados estatísticos oficiais
O Produto Interno Bruto (PIB) registou uma contracção anual de 4,5% em termos reais no terceiro trimestre, devido sobretudo ao agravamento da queda das exportações de serviços, anunciou a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Esta descida do PIB foi a mais expressiva ao longo de 2019, depois das quebras de 3,8% e 2,2% ocorridas no primeiro e segundo trimestres, e de 3,0% no primeiro semestre, segundo as estimativas revistas pela DSEC.
No cômputo geral dos primeiros três trimestres deste ano, a economia de Macau sofreu um recuo homólogo de 3,5%, em termos reais. Por outro lado, as taxas de crescimento económico em 2017 e 2018 foram revistas em alta, para 9,9% e 5,4%, respectivamente.
Entre Julho e Setembro deste ano, num contexto de abrandamento da procura externa, as exportações de serviços desceram 4,7% e as exportações de bens subiram 0,5%. As despesas per capita dos visitantes registaram descidas significativas, levando a uma queda de 12,4% nas exportações de outros serviços turísticos, enquanto o decréscimo homólogo de 4,2% nas exportações de serviços do jogo “foi arrastado pelo alargamento do decréscimo das actividades das salas VIP”, sublinhou o organismo.
A DSEC associa essa variação negativa a “influências de factores externos”, notando por exemplo que o número de turistas diminuiu 1,2% em termos anuais no período em análise.
Ao nível da procura interna, verificou-se um decréscimo de 8,5% na formação bruta de capital fixo no terceiro trimestre, com destaque para as quebras de 9,7% e 3,0% nos investimentos em construção e equipamento, respectivamente. Além disso, o investimento do sector privado em construção caiu 26,3%, em linha com a redução nos empreendimentos habitacionais e “consequente descida da margem de lucros dos operadores de imóveis”.
Em contrapartida, o investimento do sector público em construção subiu 131,3%, mas desceu 19,3% na vertente do equipamento. A forte subida no domínio público deriva, por um lado, do acrescido investimento do Governo e, por outro, da base de comparação relativamente baixa do trimestre homólogo do ano passado, aquando da conclusão das principais obras na Zona de Administração de Macau na Ilha Fronteiriça Artificial da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, explicou o organismo.
Num período em que o deflactor implícito do PIB, que mede a variação global de preços, cresceu 2,4%, a despesa de consumo privado avançou 2,8% em termos anuais, apesar da diminuição de 12,4% no consumo dos residentes em bens duradouros. No trimestre terminado em Setembro, cresceram as despesas de consumo final das famílias no mercado local (2,5%) e no exterior (3,4%).
Por sua vez, a despesa de consumo final do governo aumentou 4,3%, com a DSEC a realçar os acréscimos de 2,5% na remuneração dos empregados e de 6,2% nas compras líquidas de bens e serviços.
Entre Janeiro e Setembro, registaram-se subidas de 2,9% na despesa de consumo privado e de 4,9% na despesa de consumo final do governo. No mesmo período, o investimento e as exportações de bens desceram 22,1% e 9,1%, respectivamente, enquanto as importações de bens subiram 0,3%. Além disso, as exportações de serviços decresceram 1,9%, com a DSEC a salientar a queda de 2,0% na componente do jogo, e as importações de serviços recuaram 10,4%.
S.T.



