Chan Chak Mo, responsável pelo Festival de Gastronomia, mostra-se satisfeito com os resultados do evento, apesar do mau tempo ter condicionado os negócios. Entre os restaurantes seleccionados, os balanços diferem
Viviana Chan
As iguarias japonesas saltaram à vista de todos os que visitaram o Festival de Gastronomia de Macau, evento que este ano subiu de patamar com a inscrição de Macau na Rede de Cidades Criativas da UNESCO, na categoria da gastronomia.
Ao Jornal TRIBUNA DE MACAU, o organizador do Festival e presidente da União das Associações dos Proprietários de Estabelecimentos de Restauração e bebidas de Macau, estimou que as receitas terão crescido 10% face à última edição, apesar do impacto do mau tempo, sobretudo nos dias em que choveu. “O tempo não esteve estável, choveu na primeira semana”, destacou Chan Chak Mo.
Confrontado com as críticas sobre a falta de comida macaense e portuguesa, Chan Chak Mo disse duvidar que os restaurantes que se queixaram tenham feito “a inscrição para o festival”, desafiando-os mesmo a “mostrar documentos e comprovativos” que sustentem essas declarações. E apontou a participação do Restaurante Pinocchio como um exemplo da presença de gastronomia portuguesa.
Segundo Chan Chak Mo, a organização registou um grande aumento nas inscrições: “Há mais de 80 restaurantes em lista de espera, mas não podemos fazer nada sobre isso”, lamentou, ao referir que apenas podem ser seleccionados 60% dos candidatos a mais de 120 bancas.
“O critério de selecção é avaliar os restaurantes de acordo com a comida e espaço onde serão colocados no festival”, explicou. “A ideia é ter uma boa combinação. O critério varia também de acordo com os resultados das edições anteriores, isto é, se forem negativos, ponderamos a sua eliminação [do festival]”.
Em termos de novidades, o Festival, que ontem encerrou, contou com uma rua dedicada aos doces. “Muitos visitantes são jovens e gostam mais de doces, portanto, tivemos mais 10 bancas de sobremesas”, disse.
Muito popular é também a lagosta. “Houve mais bancas a venderem lagosta frita que tiveram sempre filas, mas a carne de vaca e sashimi também contam com muitos fãs”, apontou.
Negócios variam de banca para banca
O “Dumplings Town”, restaurante com 18 anos de existência, “abraçou” o Festival de Gastronomia pela primeira vez este ano por causa do tufão “Hato”.
A funcionária do estabelecimento, Sumaral Chan, revelou que o restaurante localizado no Fai Chi Kei sofreu graves danos, pelo que enquanto decorrem os trabalhos de recuperação, os funcionários foram destacados para o festival.
Ao Jornal TRIBUNA DE MACAU, o dono do referido estabelecimento de dumplings, Filipe Lo, mostrou-se satisfeito com o negócio. “Investi mais de 60 mil patacas em placas de iluminação e equipamentos de cozinha”, revelou.
Apesar do balanço positivo dos 17 dias do Festival, Filipe Lo ressalvou que não pode ter certezas sobre o retorno desse investimento, de qualquer forma, salientou que participar já é uma mais-valia em termos de marketing e publicidade.
Frisando que “Dumplings Town” tornou-se popular entre turistas sul-coreanos após ter aparecido num programa de televisão, o proprietário destacou o papel das “redes sociais na promoção do restaurante”.
A ideia de abrir um restaurante de “dumplings” surgiu do facto de ele próprio ser fã deste tipo de comida tradicional chinesa. “Os restaurantes de dim san param de oferecer comida a partir das 15:00 e se alguém quiser comer depois dessa hora não consegue. Portanto, tive esta ideia de criar a minha própria loja de dumplings”, contou.
Actualmente, Filipe Lo assume estar preocupado com o plano de financiamento a jovens empreendedores. “Muitos jovens abriram cafés, mas quantos sobreviveram? Diz-se que as rendas nunca vão baixar devido a estes negócios”, indicou. O responsável adverte ainda que é muito difícil obter uma licença para estabelecimento de comida. Embora o Governo prometa que irá prestar um serviço “one-stop”, o tempo de espera para cumprir todos os requisitos é muito longo.
No festival também esteve presente o restaurante vegetariano “Ban Seng” que, ao contrário do caso anterior, diz ter registado uma queda de 50% nas vendas face à edição de 2016. “No ano passado, a nossa comida foi muito popular, porque é confeccionada à base de ingredientes naturais e saudáveis”, disse Choi Lin Lin.
O restaurante vegetariano manteve o mesmo menu do ano passado, incluindo uma sopa, pasta com creme branco e bolos de nabo, entre outros, tendo muito presente a mistura ocidental e chinesa.
Segundo apontou a responsável, a comida vegetariana atrai sempre público, sobretudo crentes e praticantes de budismo tendo em conta que “o conceito por detrás do vegan tem cada vez mais influência em Macau”.
Faltam feiras nocturnas
Chan Chak Mo quer que a sociedade e o Governo mudem de ideias em relação ao conceito em torno de feiras nocturnas já que “todas as cidades têm uma”. “Macau precisa muito disso, porque não há muitos espaços de entretenimento sem ser as saunas, discotecas ou casinos”, defendeu o empresário, esperançado de que a entrada de Macau na Rede de Cidades Criativas da UNESCO possa contribuir para alterar a mentalidade do Governo.
“Vamos ver se isso pode criar uma imagem que ajude a cultivar a criação de mais negócios. Espero que o festival sirva para de instalações turísticas, acompanhando o conceito em torno da cidade gastronómica”, referiu.
Além disso, apontou para um desperdício no final de cada edição do festival de gastronomia, uma vez que as instalações têm de ser demolidas.



