Antes de rumar a Pequim, o Chefe do Executivo falou sobre as expectativas para o desempenho da economia no resto do ano, dizendo não estar muito optimista, apesar da retoma dos vistos de turismo. Por outro lado, Ho Iat Seng descartou a hipótese de permitir, por enquanto, a entrada de trabalhadores não-residentes e turistas estrangeiros, sublinhando que a situação pandémica ainda é “instável” no resto do mundo
Rima Cui
O Chefe do Executivo partiu ontem de manhã para Pequim, onde irá debater com responsáveis do Governo Central matérias relacionadas com o aprofundamento da cooperação com Guangdong em Hengqin, a prevenção e combate à pandemia e a recuperação da economia de Macau. Antes de rumar à capital chinesa, Ho Iat Seng foi confrontado com várias questões relacionadas com a retoma dos vistos de turismo para cidadãos de toda a China, medida que entrará em vigor a 23 de Setembro.
Por outro lado, ao ser questionado sobre um eventual plano no sentido de permitir a entrada no território de turistas e trabalhadores não-residentes (TNR) estrangeiros, o líder do Governo descartou essa hipótese pelo facto da situação epidémica ainda ser instável no resto do mundo. “Neste momento não há nenhum país ou região do estrangeiro como Macau, que não regista casos locais há mais de 130 dias”, sustentou, destacando que a reentrada dessas pessoas também está relacionada com a retoma dos voos. “Se os países conseguirem controlar bem a pandemia, claro que podemos ponderar”, acrescentou.
Quanto à retoma dos vistos de turismo para cidadãos chineses, o Chefe do Executivo acredita que “vai trazer com certeza benefícios”. Mesmo assim, rejeitou fazer previsões sobre o volume de turistas quando os vistos voltarem a ser emitidos, após uma suspensão imposta há cerca de oito meses. Segundo declarou, não está prevista a fixação de quotas para turistas.
Ao mesmo tempo, Ho Iat Seng alertou que a economia de Macau vai continuar a enfrentar pressão ao longo do resto do ano pelo que não estará muito optimista. Ainda assim, considera que a retoma dos vistos individuais vai desempenhar, de certo modo, um papel de apoio à recuperação económica. Segundo o governante, o Produto Interno Bruto (PIB) da RAEM desceu 58,2% no primeiro semestre em termos homólogos, após ter recuado 67,8% no segundo trimestre.
Ho Iat Seng voltou ainda a afastar o lançamento de mais medidas de apoio com cariz económico explicando que as excursões locais vão decorrer até 30 de Setembro, altura em que os locais vão conseguir “passar o testemunho” aos turistas. “Desde que as pessoas insistam em usar máscaras, cumprindo as medidas de prevenção, Macau vai recuperar muito bem”, frisou o Chefe do Executivo, ressalvando a necessidade de “usar adequadamente o erário público”.
O “início” do “último quilómetro”
Nas declarações à imprensa, o Chefe do Executivo apelou à população para “aguentar mais um pouco”, insistindo em usar máscaras e em apresentar o código de saúde, mantendo o distanciamento e as devidas medidas de precaução, uma vez que “a retoma não foi conseguida de forma fácil”.
Apesar de compreender que não é confortável usar máscara num clima tão quente, Ho Iat Seng sublinhou que tanto este mês como no próximo “é preciso usar bem a máscara”. Para o Chefe do Executivo, neste momento, “o último quilómetro de Macau está só no início”.
Noutro âmbito, Ho Iat Seng disse que o Governo vai manter o actual Posto Fronteiriço de Flor de Lótus, que vai desempenhar um papel complementar em relação à nova fronteira de Hengqin cuja abertura está marcada para a próxima terça-feira. “Quando o fluxo de pessoas e de mercadorias se transferir totalmente para o novo posto aduaneiro de Hengqin, o posto de Flor de Lótus vai ser transformado numa construção do Governo”, adiantou.
Quanto ao aprofundamento a cooperação com a Ilha da Montanha, o Chefe do Executivo afirmou que, após meses de discussões com as autoridades de Guangdong, já existe uma proposta nesse domínio, mas que ainda não pode ser revelada por carecer de materialização.
Perante dúvidas relativamente à hipótese de avançar com o projecto da Grande Baía sem a RAEHK, dado que a pandemia ainda não está controlada lá, Ho Iat Seng destacou que está em causa um plano a longo prazo, que não será concretizado neste ou no próximo ano. Por isso, não se pode excluir Hong Kong.
Além disso, o Chefe do Executivo respondeu que não irá debater com Pequim a questão da renovação das licenças de jogo, escusando-se também a explicar se vai ou não prorrogar os prazos das mesmas. Sobre essa matéria, esclareceu apenas que já estudou tudo sobre os contratos.



