A corrida rainha da Maratona de Macau, foi ganha por Elijah Kemboi e Mercy Kibarus, mas sem recorde de percurso. Os portugueses João Antunes e Vera Nunes terminaram na oitava e sexta posições. Rosa Mota, já com 60 anos, bateu toda a concorrência na mini maratona
Vítor Rebelo*
A grande festa do atletismo de Macau levou ontem 12 mil atletas para a estrada, divididos pelos três habituais percursos, Meia Maratona e Mini, num ambiente de entusiasmo, que se iniciou às seis horas da manhã, com a partida das duas competições principais.
Na Maratona já se esperava a superioridade do contingente africano, que nos últimos anos tem sido representado por uma maioria de atletas do Quénia. Desta feita venceu, na classe masculina, o maratonista que melhor marca apresentava entre os convidados da organização, Elijah Kiprono Kemboi, com 2.07.34 alcançada em 2013 em Frankfurt, mas igualmente com um bom registo (2.09.24), em 2016, em Kosice, na Eslováquia.
Kemboi, de 34 anos, foi um dos primeiros a comandar o grupo dos favoritos, lado a lado com os compatriotas Joseph Munywoki, Samwel Maswai e Duncan Koech, mas onde se iam integrando igualmente “outsiders”, como o norte-coreano Kang Bom Ri, o japonês Hiroki Haruyama ou até mesmo o português João Antunes, que fazia a sua estreia na prova da RAEM. Por volta dos 25 quilómetros, já se notava uma selecção de valores para a discussão do título.
Numa passada larga e sem acusar o esforço das subidas das pontes, da humidade e algum calor que se fazia sentir no início da corrida (cerca de 23 graus), Kemboi foi resistindo aos ataques dos adversários e acabou por liderar o grupo, arrancando na parte final e levando consigo Munywoki e Maswai. Estes dois seriam batidos já nos derradeiros quilómetros pela boa ponta final de Kemboi, que chegou ao Estádio da Taipa isolado, ainda que com uma pequena diferença em relação aos seus rivais.
Mercy Kibarus
Kemboi, que se estreava em Macau obteve a marca de 2.15.18 – um pouco longe do recorde estabelecido em 2017, por outro atleta do Quénia, Felix Kiptoo Kirwa (2.10.01) – à frente de Munywoki (2.15.32), que repetiu a posição obtida no ano passado em Macau. O terceiro foi Maswai, com 2.15.43.
O primeiro “não queniano” seria o norte-coreano Kang Bom Ri (2.17.16, logo seguido pelo velho conhecido de Macau, Duncan Cheruiyot Koech (2.17.46), que alinhou pela sétima vez consecutiva, tendo ficado em segundo lugar em 2012.
Portugal teve em João Antunes o seu único atleta, que nada conhecia das dificuldades do percurso, terminando em oitavo, com 2.31.36, bastante aquém da sua melhor marca, alcançada em 2017 (2.21.11).
O melhor de Macau foi Chong Ip Chan, em 13º, com 2.41.55, enquanto Lok Wai Kin, um dos mais populares fundistas locais que fazia a sua centésima maratona, terminou em 30º em termos absolutos (3.03.33).
No sector feminino, o despique foi semelhante, com favoritismo confirmado para o Quénia, mas com as quenianas a terem de suportar alguma pressão e resistência de outros adversários, da Coreia do norte, Ucrânia, Etiópia e até de Portugal, sendo que Vera Nunes foi sexta posicionada.
Mesmo assim, lá na frente, Mercy Jerotich Kibarus conseguiu desenvencilhar-se, nos quilómetros finais, da norte-coreana Kwang Ok Ri, cortando a meta com 2.35.16, 35 segundos mais rápida do que Kwang. A ucraniana Oleksandra Shafar, segunda em Macau em 2017, completou o pódio, averbando 2.36.39.
Hoi Long voltou a ser a melhor da RAEM, obtendo um nono lugar geral, com 3.02.04.
Mais Quénia na Meia
No que diz respeito à Meia Maratona, com muitos atletas lusófonos, também o Quénia não deixou os seus créditos por mãos alheias, triunfando nas duas classes, masculina e feminina, respectivamente através de Josphat Menjo (1.05.21) e Esther Karimi (1.14.02), à frente dos compatriotas Joseph Ngare (campeão em 2016) e Edinah Jeruto Koech, segunda em 2017 atrás da portuguesa Doroteia Peixoto (dois títulos consecutivos).
António Pedro Rocha apresentou-se em Macau sem nunca ter corrido no estrangeiro e não se deu nada mal, fechando em terceiro, a cerca de dois minutos e meio do vencedor. Também nos homens Felisberto de Deus, de Timor-Leste, seria quinto e Joaquim Fortes, Cabo Verde, oitavo.
Nas mulheres, a delegação da ACOLOP conseguiu o terceiro posto, por Carla Martinho (campeã em 2015), o quinto (Rubia Martins, Timor-Leste e o sexto (Sandra Teixeira, Cabo Verde).
Rosa Mota mostra que a idade não conta
Na Mini maratona o grande destaque vai naturalmente para a campeoníssima Rosa Mota, que aos 60 anos de idade, ainda “faz uma perninha” e continua a somar troféus, tendo ganho os 5,5 quilómetros do percurso, com o tempo de 22.02.
A campeã olímpica da maratona em 1988, em Seul, voltou a ser convidada pelo Instituto do Desporto para servir de “imagem de marca” na promoção da Maratona Internacional de Macau, mas não quis deixar de fazer aquilo que sempre gostou, correr. A “menina da Foz”, como sempre foi conhecida, continua assim a ser um bom exemplo para os mais jovens na prática desportiva.
O atleta de Macau Seng Tou Ip, foi o vencedor da mini, com o tempo de 17.37.
* Jornalista



