Uma aluna do Colégio Perpétuo Socorro Chan Sui Ki veio a público queixar-se de alegadas situações de assédio sexual por parte de um professor. A queixa foi divulgada numa página anónima do Facebook e a escola terá tentado convencer os administradores da mesma a apagar a publicação, assegurando que o docente já foi penalizado. A atitude da escola motivou uma petição online apelando à divulgação do tratamento do caso

 

Viviana Chan

 

Mais uma queixa de alegado assédio sexual num estabelecimento do ensino não superior chegou ao conhecimento do público. Desta vez, uma aluna denunciou o caso numa página anónima do Facebook, relacionada com o Colégio Perpétuo Socorro Chan Sui Ki e usada para revelar episódios que se passam na escola.

A aluna queixou-se de ter sido alvo de assédio sexual de um professor, que terá praticado actos impróprios, incluindo agarrar a jovem pela cintura. De acordo com a publicação nas redes sociais, a estudante sentiu-se incomodada por estar muito próxima do professor.

A queixosa disse ter decidido denunciar a situação na Internet após ter percebido que o seu caso não era individual, pois outras alunas da mesma escola terão enfrentado episódios semelhantes. O “post” surgiu em reacção a um suposto escândalo sexual na Diocese de Hong Kong e recebeu o “hashtag” do movimento “Metoo”.

Segundo o canal MASTV, o responsável pela página, de apelido Ho, revelou que a escola enviou uma carta exigindo que o conteúdo fosse apagado. Além disso, assegurava que o caso tinha entrado em processo administrativo interno e prometia tratar do assunto publicamente. Porém, o pedido foi rejeitado pelo administrador da página, que alegou tratar-se de uma tentativa de “enterrar” a situação.

O caso motivou mesmo uma petição online que visa pressionar a escola a esclarecer a existência ou não de mais casos deste género.

Numa resposta ao mesmo canal de televisão, o Colégio Perpétuo Socorro Chan Sui Ki confirmou o caso e revelou que o processo administrativo foi concluído, tendo o professor em causa sido penalizado com a retirada de pontos na sua avaliação, o que impede a promoção. A escola garantiu ainda que a aluna está a ser apoiada pelos professores e assistente social.

Em resposta ao Jornal TRIBUNA DE MACAU, os Serviços de Educação e Juventude afirmaram que já contactaram a escola para perceber melhor a situação e que o encarregado de educação da aluna contactou a DSEJ, no entanto, o conteúdo do seu esclarecimento foi diferente do que compunha a petição online. Por estarem envolvidos dados pessoais, o organismo escusou-se a avançar pormenores.

Para além disso, a DSEJ salientou que as escolas devem alertar as autoridades ou a assistente social da unidade escolar quando surgem alegados casos de assédio sexual e, ao mesmo tempo, aconselhar as vítimas a apresentar queixa à polícia.