Entre Janeiro e Maio deste ano, as estradas de Macau “perderam” quase 4.000 veículos, acentuando uma histórica tendência de quebra impulsionada por um conjunto de medidas implementadas pelo Secretário para os Transportes e Obras Públicas. O decréscimo tem sido mais expressivo nos ciclomotores mas também é notório ao nível dos automóveis

 

Sérgio Terra

 

Com os problemas da falta de estacionamento e da gestão do trânsito na ordem do dia, tem passado quase despercebida uma tendência que abre perspectivas mais optimistas: a contínua quebra no número de veículos em circulação.

Os primeiros sinais claros nesse domínio verificaram-se em 2017, quando o número de veículos matriculados desceu 3,6% para 241.457 face ao final de 2016, assinalando o primeiro decréscimo anual desde o estabelecimento da RAEM. A curva descendente estendeu-se a 2018 e sem interrupções, com o fluxo de tráfego a recuar há cinco meses consecutivos, segundo revelam dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) analisados pela TRIBUNA DE MACAU.

Embora o número de veículos com matrículas novas (6.445) tenha aumentado 6,2% nos primeiros cinco meses deste ano, face ao mesmo período de 2017, o total das viaturas autorizadas a circular nas estradas do território desceu 2,72% em termos homólogos ao fixar-se em 237.572 no final de Maio. No intervalo de um ano, o volume de trânsito “perdeu” assim 6.640 veículos, a uma média de 553 por mês.

Analisando apenas o período compreendido entre Janeiro e Maio do corrente ano, as estatísticas oficiais reflectem uma diminuição absoluta de 3.885 veículos, a uma média mensal ainda mais elevada: 777. Só entre Fevereiro e Março, houve uma descida de 1.170 veículos.

Os registos de matrículas do final de Maio incluem 106.748 automóveis ligeiros, 7.252 pesados e 27.266 ciclomotores, o que representa descidas anuais de 2,73%, 1,75% e 15,55%, respectivamente. Apenas os motociclos (95.897) contrariam a tendência geral, com uma subida de 1,59%. Para a contabilidade total, contribuem ainda 409 máquinas industriais, um número que não sofreu alterações em relação ao mesmo mês do ano transacto.

Neste universo continua a ser inexpressivo o número de veículos eléctricos, apesar do total ter crescido 32% para 296, contra os 224 matriculados em Maio de 2017. A lista dessas viaturas “amigas” do ambiente integra apenas 185 automóveis ligeiros, 34 pesados, 74 ciclomotores, dois motociclos e uma máquina industrial.

 

Menos 10.700 viaturas em dois anos

O declínio numérico do parque automóvel na RAEM tornou-se uma realidade depois do Secretário para os Transportes e Obras Públicas ter implementado uma série de medidas com vista a estancar o forte crescimento de veículos registado em anos anteriores. Entre Maio de 2016 e o mesmo mês deste ano, as políticas da tutela de Raimundo do Rosário contribuíram para um “corte” de quase 10.700 viaturas, não sendo de excluir igualmente o impacto do tufão “Hato”, embora não existam dados concretos sobre o subsequente cancelamento de matrículas ou o número de veículos danificados pela tempestade que terão sido substituídos por novos.

A nova estratégia governamental teve como primeiro capítulo o aumento entre 10 e 20% do imposto sobre veículos motorizados, vigente desde Dezembro de 2015, cujos efeitos não tardaram a ser visíveis, sobretudo com a descida de quase 2.300 viaturas entre Janeiro e Abril de 2016.

Quando as autoridades voltaram à carga, com a revisão das taxas e preços da Direcção de Serviços dos Assuntos de Tráfego, aplicada desde 1 de Janeiro de 2017, os reflexos foram novamente marcantes: quase 6.400 veículos saíram da “circulação” estatística nos quatros meses seguintes. Além disso, no primeiro semestre do ano passado, o Governo adoptou um plano de apoio financeiro para estimular o abate de motociclos ou ciclomotores com motor a dois tempos, altamente poluentes, que viria a atrair mais de 5.700 pedidos, uma adesão que a Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental disse ter sido “mais activa e positiva do que o previsto”.

 

Mais táxis e menos autocarros públicos

No final de Maio deste ano, Macau contava com 1.599 táxis, número que representa uma subida anual de 2% face aos 1.567 em circulação no mesmo mês de 2017, indicam os dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos. Em contrapartida, os autocarros públicos diminuíram 6,78% para 1.307, os “automóveis de turismo” (1.118) cresceram 3,14% e as viaturas para transporte escolar (77) caíram 6,1%. Nas estatísticas oficiais sobressaem ainda 1.842 automóveis de passageiros do Governo, traduzindo um decréscimo homólogo de 4,31%.

 

Acidentes de viação descem 7%

A redução dos veículos em circulação coincidiu também com um decréscimo de 7,3% no número de acidentes de viação registados nos primeiros cinco meses deste ano. Segundo a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos, entre Janeiro e Maio, ocorreram 5.528 acidentes causando 1.796 vítimas, incluindo quatro mortais. Entre as pessoas feridas, 34 tiveram de ser hospitalizadas. Os acidentes envolveram 4.774 automóveis ligeiros e 1.023 pesados, 713 táxis e 1.855 motociclos, entre outros veículos, bem como 226 peões.

 

Voos para a Tailândia sobem acima da média

Nos primeiros cinco meses deste ano, o número de voos comerciais aumentou 13% para 24.899, revelam as estatísticas dos transportes. Só no mês de Maio foram contabilizados 5.065 voos, reflectindo uma subida anual de 10,1%, sendo de destacar o acréscimo de 32,9% para 537 nas ligações aéreas com a Tailândia. Em alta evoluiu ainda o número de voos entre Macau e a China Continental, ao crescer 17,9% para 1.953. Em sentido inverso, as ligações aéreas entre o território e a Coreia do Sul caíram 21% para 376, comparativamente ao mesmo período do ano transacto.