Nos primeiros nove meses do ano, as infra-estruturas críticas de Macau sofreram, em média, 5.800 ataques cibernéticos e acções de espionagem, o que significa que houve quatro ataques a cada minuto. Os dados do Centro de Alerta e Resposta a Incidentes de Cibersegurança revelam que houve um aumento “drástico” de 213,5%, já que em 2020 a média diária era de 1.850. O Secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, reconhece que há ainda “grandes desafios” nesta área, mas também considera que “tem demonstrado uma tendência positiva de desenvolvimento gradual”
Catarina Pereira
A cada minuto que passa, as infra-estruturas críticas de Macau sofrem cerca de quatro ataques cibernéticos e acções de espionagem. Diariamente, nos três primeiros trimestres do corrente ano, foram “atacadas”, em média, 5.800 vezes – o aumento foi “drástico” em comparação com 2020. O Secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, considera, apesar disso, que o sistema de cibersegurança de Macau “tem demonstrado uma tendência positiva de desenvolvimento gradual”, reconhecendo que o trabalho neste âmbito ainda envolve “grandes desafios” e “os operadores ainda enfrentam habitualmente, a nível técnico, uma série de ameaças de segurança relevantes”.
Segundo os dados do Centro de Alerta e Resposta a Incidentes de Cibersegurança (CARIC), o número médio diário de ataques cibernéticos e acções de espionagem às infra-estruturas críticas de Macau era, em 2020, de 1.850, ou seja, cerca de 1,3 por minuto. Deu-se, assim, uma subida de 213,5% para os 5.800.
Pese embora o aumento anual do número de ciberataques registados no território, o número de incidentes causados aos operadores “não aumentou da mesma forma”. Verificou-se, antes, “uma tendência visível de abrandamento”, com uma “diminuição significativa” de 40%, passando de 20 casos em 2021 para um total de 12 casos no ano transacto, e diminuiu ainda mais, para sete casos, nos primeiros três trimestres deste ano.
Na mensagem que mensalmente publica na página do seu gabinete, o Secretário para a Segurança defende que deve ser mantida a cooperação no trabalho em equipa, notando que é também necessária a participação de todos os sectores da sociedade. Segundo disse, o sistema de cibersegurança “tido um bom nível de funcionamento”, a consciencialização da responsabilidade de todos os participantes “melhorou significativamente”, e a gestão e a capacidade técnica “continuam a melhorar”.
“Com os esforços conjuntos de todos os participantes do sistema de cibersegurança, a gestão e a capacidade técnica dos operadores continuam a melhorar, bem como é continuamente melhorada a resistência a ataques cibernéticos. De um modo geral, o trabalho de desenvolvimento da cibersegurança de Macau mostra uma tendência positiva”, apontou Wong Sio Chak. Mas há as tais “ameaças de segurança”.
Desde logo, a invasão de sistemas informáticos através das vulnerabilidades existentes. “Depois de o CARIC ter analisado as provas recolhidas relativamente a todos os incidentes cibernéticos em Macau, constatou-se que cerca de 70% se deveram ao facto de os operadores não terem detectado e reparado, em tempo oportuno, a existência de vulnerabilidades de segurança nos sistemas, o que foi aproveitado pelos hackers para os invadir”, refere o Secretário.
Por outro lado, o uso ilícito do sistema para aceder a contas é outra ameaça. Wong Sio Chak explica que, devido às “deficiências” na estratégia de gestão da segurança da conta por parte de alguns operadores e à “falta de conhecimento” dos utentes, os hackers puderam “furtar senhas de acesso ao sistema informático do utente”. Finalmente, é também mencionado que “por variados motivos, alguns operadores não tinham previsto ataques de forma adequada, para os seus serviços de rede ligados ao exterior, o que fez com que o funcionamento estável desses serviços de rede ficasse gravemente afectado, chegando mesmo à paralisação”.
Relativamente a estas ameaças, este ano o CARIC “redobrou os esforços” no melhoramento da sua capacidade de recolha e análise das informações nesta área, no sentido de ajudar os operadores, “de forma atempada e mais eficiente”, a detectarem as vulnerabilidades e o vazamento de contas, entre outros riscos de segurança. Wong Sio Chak revela ainda que, no final deste ano, vão ser lançadas as “Directrizes técnicas para a gestão de vulnerabilidades”, por forma a facilitar a “melhoria das capacidades técnicas dos operadores”.



