Em apenas três meses, aumentou o número de trabalhadores a tempo completo que auferiam salários mais baixos. Dados oficiais analisados pelo Jornal TRIBUNA DE MACAU mostram que, no terceiro trimestre deste ano, 87.900 trabalhadores ganhavam menos de 12.000 patacas, representando 26% da população empregada a tempo inteiro, estimada em 335.000 pessoas. Por outro lado, 53.600 trabalhadores ou 16% recebiam 40.000 patacas ou mais – este escalão sectorial cresceu 11,2%. A Direcção dos Serviços de Estatística e Censos ressalva, contudo, que a subida se deveu “principalmente a alguns ramos de actividade económica terem atribuído o 13º mês de salário ou as participações nos lucros”
Catarina Pereira
Quase 88 mil trabalhadores a tempo completo, ou seja, que trabalharam 35 ou mais horas por semana, auferiram um salário mensal abaixo de 12.000 patacas em Macau, num cenário em que a mediana do rendimento mensal se fixou em 18.300 patacas entre Julho e Setembro (mais 300 patacas ou 1,7% em termos trimestrais). Se é verdade que diminuiu o número de trabalhadores que recebem menos de 8.000 patacas mensais, também o é que o número de empregados a auferir 40.000 ou mais patacas por mês cresceu mais de 11%, revela o último relatório do Inquérito ao Emprego.
Os dados consultados pelo Jornal TRIBUNA DE MACAU mostram que 87.900 trabalhadores ganhavam menos de 12.000 patacas, o que significa que, em menos de três meses, esse escalão sectorial recebeu mais 2.300 pessoas, passando a absorver 26% da população empregada a tempo inteiro, estimada num total de 335.000 pessoas. Esse universo incluía 1.400 empregados com salários inferiores a 4.000 patacas – menos 200 ou 12,4% no intervalo trimestral -, 41.700 pessoas com remunerações mensais entre 4.000 e 7.999 patacas (menos 2.300 ou 5,4%) e 44.800 trabalhadores que auferiam entre 8.000 e 11.999 patacas (mais 4.800 ou 12%).
Por outro lado, 53.600 trabalhadores, ou seja 16% da população empregada a tempo inteiro, recebia mensalmente 40.000 patacas ou mais – um crescimento de 11,2% e o equivalente a mais 5.400 pessoas. O aumento deveu-se “principalmente a alguns ramos de actividade económica terem atribuído o 13º mês de salário ou as participações nos lucros”, indica a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) na sua análise. “Caso não se inclua o 13º mês de salário nem as participações nos lucros, o aumento de trabalhadores a tempo completo que tiveram um rendimento mensal igual ou superior a 40.000 patacas foi de 2.500”, acrescenta.
Alargando a análise às restantes parcelas da tabela salarial, as estatísticas oficiais mostram que 51.800 trabalhadores (15,46% do total) ganhavam entre 12.000 e 15.999 patacas e 51.400 (15,34% do total) auferiam entre 20.000 e 24.999 patacas por mês. Registavam-se ainda 34.500 trabalhadores a receber entre 16.000 e 19.999 patacas, 28.400 que ganhavam entre 30.000 e 39.999, e 23.100 que levavam para casa um salário entre 25.000 e 29.999 patacas mensais.
Quanto à mediana do rendimento mensal do emprego, sabe-se que a do ramo das actividades financeiras (22.000 patacas), das lotarias e outros jogos de aposta (21.000 patacas) e da construção (16.000 patacas) diminuíram 1.500 patacas (-6,4%), 1.000 patacas (-4,5%) e 800 patacas, respectivamente. A mediana do rendimento mensal do emprego da população empregada situou-se em 18.000 patacas e a dos residentes empregados fixou-se em 20.500 patacas, mais 100 patacas (+0,6%) e 500 patacas (+2,5%), respectivamente, em termos trimestrais.
46% da população empregada tem habilitações superiores
No terceiro trimestre, período em que a população empregada era composta por 379.300 pessoas, a maior força laboral inseria-se na faixa etária dos 35 aos 44 anos, com 116.700 indivíduos, assinalando um aumento de 1,4% em três meses. Já as faixas dos 16 aos 24 e dos 25 aos 34 diminuíram 0,7% e 1,4%, respectivamente para 14.200 e 94.800 trabalhadores.
Em termos de habilitações académicas, sobressai o facto de 46,2% da população empregada ter concluído o ensino superior, superando a percentagem registada trimestre antecedente (45,6%). Segundo os dados oficiais, 27,7% tinha o ensino secundário complementar e 15,5% o secundário geral, enquanto o ensino primário representava 8,8% do total.
A DSEC refere, por outro lado, que 46% da população empregada trabalhou entre 45 e 49 horas por semana, 13,1% superou as 50 horas e 6,7% não chegou às 35 horas. Além disso, 26,9% dos trabalhadores a tempo completo fizeram entre 40 e 44 horas semanais, uma subida de 1,3 pontos percentuais. A mediana de horas trabalhadas semanalmente foi estimada em 45,5 horas.
Os dados estatísticos revelam que a mediana de horas trabalhadas semanalmente pelos “trabalhadores não qualificados”, num total de 61.100, foi a mais alta, de 47,3 horas, seguindo-se o “pessoal dos serviços e vendedores” (71.700, uma subida de 4,7%) e os “trabalhadores da produção industrial e artesãos” (25.300), ambos com 46,5 horas semanais. Embora os “técnicos e profissionais de nível intermédio” tenham completado apenas uma mediana de 41,8 horas semanais, esta sofreu um aumento de 11,8% em termos trimestrais.
O número de trabalhadores do sector do jogo (71.500) representou 18,8% do total, tendo o seu peso na estrutura do emprego aumentado 1,2 pontos percentuais em três meses. Já a proporção dos empregados no comércio a retalho (cerca de 32.900) decresceu 2,8 pontos percentuais, perfazendo 11,4%. Os empregados nos hotéis, restaurantes e similares, por sua vez, representavam 13,9% da população empregada, num total de cerca de 52.800.
Por sua vez, a população subempregada era composta por 4.200 pessoas (menos 1.500 em termos trimestrais), das quais 32,3% tinham idades compreendidas entre os 25 e 34 anos e 23,2% situavam-se na faixa dos 45 aos 54 anos. A maior parte da população subempregada pertencia ao sector imobiliário e serviços prestados às empresas (25,2% do total), seguindo-se o ramo da construção (17,2%) e dos transportes e armazenagem (14,9%).
A “impossibilidade de encontrar outro trabalho” foi apontada como a principal causa de subemprego, equivalendo a 60,7% do total, seguida da “falta de encomendas e de clientes ou estação baixa”.
16,4% dos desempregados foram despedidos
No domínio do desemprego, Macau terminou o terceiro trimestre com uma taxa geral de 1,7% e de 2,3% nos residentes, idênticas às do segundo trimestre do corrente ano e que representaram quebras de 0,1 e 0,2 pontos percentuais, respectivamente, em relação ao mesmo trimestre de 2019. A taxa de subemprego (1,1%) decresceu 0,4 pontos percentuais, em termos trimestrais.
A população desempregada era composta por 6.700 pessoas, com a DSEC a destacar que o número de desempregados à procura do primeiro emprego subiu 600 pessoas para 1.100, face ao segundo trimestre, e à procura de novo emprego diminuiu 500 pessoas para 5.600. Os indivíduos que procuravam emprego há menos de quatro meses constituíam 57,9% da população desempregada.
De acordo com os mesmos dados, 19,3% dos desempregados à procura de novo emprego trabalharam anteriormente no ramo do comércio a retalho, 17,8% no ramo das lotarias e outros jogos de aposta e 16,9% no ramo dos hotéis, restaurantes e similares. Entre as principais causas de desemprego figuram “razões pessoais ou familiares”, que cresceram 7,2 pontos percentuais em termos trimestrais, passando a representar 39,1% do total, seguindo-se o “fim de emprego temporário/cessação de contrato” (16,5%) e “despedimento”, que subiu 7,8 pontos percentuais para 16,4%.
No que respeita às habilitações académicas dos desempregados, os resultados do Inquérito ao Emprego indicam que 3.200 (47,8% do total) tinham o ensino superior, 1.600 o secundário complementar, 1.200 o secundário geral e 500 o ensino primário. Entre os grupos etários, destacam-se os desempregados jovens, nomeadamente das faixas dos 25 aos 34 anos (cerca de 2.000) e dos 16 aos 24 anos (1.100). Já os desempregados com mais de 55 anos de idade rondavam os 900.



