A diplomacia calçou chuteiras, vestiu calções e camisola e veio para o relvado jogar a bola. O resultado pouco importava, mas foi importante o relacionamento. Pena foi que a comunidade portuguesa residente na Tailândia não tivesse tido prévio conhecimento do encontro

 

José Martins*

Correspondente em Banguecoque

 

Sem qualquer ponta de menor dúvida podemos afirmar que embaixador Vítor Sereno, Cônsul-Geral de Portugal em Macau, um jovem de 48 anos já designado embaixador em Dakar, saiu do gabinete de trabalho diplomático e esteve no fim de semana em Banguecoque numa muito bem sucedida acção de diplomacia desportiva fora da RAEM.

Para nós, muitos anos, ligado à diplomacia o caso do embaixador Vítor Sereno é único, que conhecemos, nos meandros da diplomacia portuguesa.

Foi quase em cima da hora que tivemos conhecimento que a equipa de futebol do Consulado de Portugal em Macau se encontrava em Banguecoque para disputar um encontro amigável com uma equipa da capital tailandesa, constituída por alguns ex-profissionais tailandeses.

Há uns três anos a Embaixada de Portugal em Banguecoque fundou o grupo “Quinas”, mas infelizmente ficou pelo caminho, o que também sabemos ser o destino do projecto realizado em Macau

E, no entanto, o futebol continuará a ser um meio excelente de comunicação entre países e as suas autoridades e foi muito grato apreciar que esta foi a visão do Embaixador Vítor Sereno que certamente abriu portas que não teria conseguido abrir pelos canais diplomáticos.

Este foi realmente o resultado do jogo. Os 5-1 com que a equipa da casa bateu a de Macau pouco contava, porque era muito diferente o ritmo de jogo das duas equipas, ainda por cima num campo encharcado por uma daquelas tempestades tropicais habituais nesta altura do ano em Banguecoque. As fotos mostram mais que os comentários.

 

* Texto e fotos