O ar em Macau deverá permanecer hoje insalubre, desaconselhando-se actividades ao ar livre, depois da concentração de poluentes ter atingido ontem quase dez vezes o valor recomendado pela OMS. Os valores mais altos foram registados na zona da Rua do Campo
Salomé Fernandes
Ao final da tarde de ontem, os níveis de partículas PM2.5 oscilaram entre 170 e 248 microgramas por metro cúbico. Valores quase 10 vezes superiores à média diária de 25 microgramas recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) prevê que o ar continue insalubre durante o dia de hoje.
Os SMG aconselharam a população a reduzir os esforços físicos ao mínimo e a evitar actividades ao ar livre, uma vez que se previa a manutenção de valores de concentração de partículas entre os 130 e 160 microgramas por metro cúbico.
“Hoje [ontem] de manhã o vento na região esteve relativamente fraco, as condições atmosféricas foram estáveis, o que não propicia a dissipação. Os poluentes ficam acumulados e a sua concentração no Delta do Rio das Pérolas aumenta significativamente”, explicaram os SMG, acrescentando que a alta humidade relativa também contribuía para a má-visibilidade na região. “Espera-se que uma corrente de ar do quadrante leste aumente e a visibilidade melhore a meio desta semana”, comentou o organismo.
O índice da qualidade em tempo real indicava ao final da tarde de ontem que o ar não era adequado a actividades ao ar livre. A Península de Macau era a zona apontada como tendo o índice de poluição mais elevado, com a estação da Berma da Estrada, junto à Rua do Campo, a registar partículas na ordem dos 248 microgramas por metro cúbico pelas 18:30h.
As restantes estações de monitorização, localizadas na Taipa, em Coloane, na Berma da Estrada Ka-Hó e de Alta Densidade Habitacional, foram variando o índice da qualidade do ar apresentado, mas sem descer do nível “não aconselhado” no que respeita às actividades no exterior.
De acordo com o “World Air Quality Index”, em Zhuhai o índice atingiu valores de concentração de partículas na ordem dos 292 e Hong Kong de 184. Em Pequim, porém o valor estava drasticamente mais baixo, com a sinalização de moderado.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que três milhões de mortes prematuras no mundo derivam da poluição atmosférica, em resultados dos problemas respiratórios, cardíacos, e cancro provocados pela exposição à partícula PM2.5, o principal poluente ontem registado.
A determinação do índice da qualidade do ar de Macau por parte dos SMG baseia-se nas medições das concentrações diárias detectadas dos poluentes PM10, PM2.5, SO2, NO2, CO, O3 e o grau da afectação de cada poluente na saúde da população.
De acordo com a OMS, apenas 8% da população urbana mundial global vive em áreas que cumprem os índices de qualidade de ar definidos pela OMS, potenciando problemas de saúde a longo prazo.



