A empresa “Macau Plops”, que detém o poder de representação no estrangeiro da “Viva Água”, ofereceu dois sistemas de purificação de água a Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe. Os delegados do Fórum Macau dos países em questão asseguram que os aparelhos já têm destinos definidos e frisam que esta iniciativa é apenas um primeiro passo para outro tipo de cooperação entre a China e os países lusófonos
Inês Almeida
A “Macau Plops Investimento e Promoção” ofereceu dois sistemas aerodinâmicos de purificação de água a Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe com o objectivo de melhorar o fornecimento de água potável nesses países. A empresa da RAEM detém o poder de representação no estrangeiro da “Viva Água”, um sistema que resultou de uma adaptação de um equipamento criado pela NASA por parte da empresa “Zhuhai Zhi Jian Água Investimento Companhia Limitada”. O sistema tem capacidade para purificar água para 1.000 pessoas diariamente.
À margem da cerimónia que oficializou a oferta, os delegados do Fórum Macau dos países envolvidos na iniciativa mostraram-se satisfeitos, disseram já ter destino para os equipamentos e destacaram oportunidades futuras de investimento.
“Em princípio vão ser instaladas na Câmara Municipal de Bissau. Foi escolhido esse lugar porque tem a afluência de muita gente e há pessoas que vão buscar água aos fontanários, portanto, podiam servir-se dessas máquinas da Câmara Municipal”, sublinhou o delegado da Guiné-Bissau no Fórum. “O que sei é que há dois sistemas: um pode abastecer até 1.000 pessoas por dia e outros entre 3.000 e 5.000, inclusive, com instalações próprias porque um dos problemas que temos é que as canalizações são muito antigas e, mesmo que a água seja potável, acaba por se deteriorar na passagem pela canalização”, explicou Malam Camará.
Depois do investimento no combate à falta de água potável, ainda há muito a fazer pela Guiné-Bissau, porém, o delegado indica que neste momento está a decorrer uma troca de informações com uma empresa ligada à exploração de petróleo.
Em Cabo Verde, os equipamentos para a purificação da água ficarão em unidades de cuidados de saúde. “Cabo Verde são ilhas e só temos duas máquinas, por isso, a ideia é colocar uma no hospital regional a norte e outra a sul. Ficará uma no hospital da Cidade da Praia e outra no hospital do Mindelo”, esclareceu o delegado de Cabo Verde no Fórum.
A questão ainda está a ser conversada com o governo local, no entanto, Nuno Furtado assegura que a ideia é fornecer a água gratuitamente à população. “A água será servida ao público. A ideia não é fazer negócio mas fornecer água potável àqueles que normalmente visitam o hospital ou acedem aos serviços médicos”, assegurou.
Posteriormente, deverá ser lançado um novo desafio à “Macau Plops” para “não ficar somente nesta área” mas para que possa fornecer algum equipamento para investigação ligada à água. A dessalinização é uma das apostas do país, porém, não passará pela colaboração com a empresa do território.
Em São Tomé e Príncipe, os equipamentos vão ser instalados no distrito de Cantagalo, adiantou o delegado. “A empresa [Macau Plops] falou connosco relativamente a uma segunda fase que requer uma parceria com uma empresa nacional que pode preparar todo o processo porém, nesta fase, estamos só concentrados em receber a máquina, instalar, e depois veremos como as coisas correm”, concluiu Gualter Cruz.
Na mesma ocasião, o presidente do Conselho de Administração da “Macau Plops” referiu que no ano passado o director-geral da empresa visitou países lusófonos tendo descoberto que muitas crianças faleciam entre os três e os 11 anos também devido à poluição na água. “As pessoas têm uma esperança média de vida de 48 anos e, segundo as nossas análises, acreditamos que com este equipamento ela se pode prolongar até aos 68 anos. Isso é muito significativo”, notou Yeung Chi Shing.



