Raimundo do Rosário escusou-se ontem a responder directamente quando questionado sobre se estará disponível para se manter no cargo que ocupa. No entanto, na reunião plenária indicou que “o próximo Secretário” terá todo o direito de partilhar as suas opiniões sobre as empreitadas. Em cima da mesa esteve de novo a questão do congestionamento do trânsito na Pérola Oriental
Inês Almeida
Depois de vários deputados criticarem o facto de o Governo rever constantemente estudos já efectuados sobre determinado tema, o Secretário para os Transportes e Obras Públicas começou por referir que em cada fase das empreitadas é preciso realizar uma consulta aos serviços envolvidos. Todavia, e porque houve quem questionasse se haveria mudanças com a nomeação de outro Executivo no final do ano, salientou que é natural que haja diferentes entendimentos sobre os assuntos.
“Sobre a continuidade do trabalho, quando há dois governos, um antigo e um novo, há pontos de vista diferentes de certeza. Acho que pode haver diferença de opiniões. O próximo Secretário terá o direito de opinar sobre determinada obra”, frisou dirigindo-se aos deputados.
Porém, à margem da reunião plenária de ontem, ao ser questionado sobre a possibilidade de deixar o cargo que ocupa, Raimundo do Rosário optou por não responder.
Relativamente à possível divergência de opiniões caso venha a ser nomeado outro Secretário, Raimundo do Rosário deu como exemplo o que sucedeu quando assumiu funções em 2014. “Por exemplo, em relação à Ilha Artificial, alterei por completo o plano, porque na altura era tudo subterrâneo. Falei com o Chefe do Executivo e propus uma alteração por completo do plano inicial”, referiu.
Outro caso semelhante envolve a Habitação Pública de Toi San. “Já não há parques de estacionamento na cave. Passou tudo para cima e houve uma redução no número de pisos. Há opções que têm de ser tomadas e quem as toma tem de assumir responsabilidades. E eu assumo”, afirmou.
Especificamente no que se refere às sucessivas revisões dos estudos, Raimundo do Rosário garante que nada foi “deitado fora”. “Não, não estamos a deitar tudo fora. Não, não é tudo lixo, mas se as soluções não forem viáveis, têm de ser actualizadas. O próximo Governo pode entender que tem de ser actualizado”.
Três faixas na rotunda
Raimundo do Rosário esteve na Assembleia Legislativa para responder a questões que se prenderam, nomeadamente, com o congestionamento de tráfego na zona da Pérola Oriental. Sobre isto, o subdirector dos Serviços para os Assuntos de Tráfego explicou que a Rotunda da Amizade deverá passar a ter três faixas. “E quanto à Avenida de 1º de Maio tentaremos abrir mais uma via para desviar o trânsito. Na zona do Hipódromo também aditámos mais um acesso para casos de emergência”, referiu Chiang Ngoc Vai.
Perante os deputados, o Secretário disse ainda que serão conhecidos no final do próximo mês mais detalhes sobre a quarta ligação, que unirá a Zona A dos Novos Aterros ao Pac On. O concurso público será aberto a 28 de Fevereiro. “No próximo mês vamos iniciar o concurso público e aí podemos saber quantas propostas vamos receber, o preço e a duração das obras. Com a avaliação das propostas é que podemos saber o orçamento. Em finais do próximo mês vamos ter mais dados sobre isto”, garantiu Raimundo do Rosário.
Por outro lado, houve quem voltasse a insistir na necessidade de criar um corredor exclusivo para motociclos no tabuleiro inferior da Ponte de Sai Van. Em resposta, o subdirector dos Serviços de Tráfego admitiu que chegou a ser feito um estudo, no entanto, a situação afigurou-se não viável. “Ia implicar uma mudança significativa na estruturas (…) daí que é impossível permitir que os motociclos circulem no tabuleiro inferior. Na quarta ligação haverá uma faixa exclusiva para motociclos”, afirmou.



