Desde 2014, as autoridades policiais contabilizaram 12 casos de acusações pelo crime de desobediência qualificada envolvendo manifestações, revelou o Secretário para a Segurança. Wong Sio Chak insistiu, desta forma, que as autoridades policiais “não estão a atacar” Sulu Sou e Scott Chiang pelo facto de pertencerem a uma “associação específica”
Catarina Almeida
O Secretário para a Segurança voltou a pronunciar-se sobre o caso que envolve o deputado Sulu Sou e o antigo presidente da Associação Novo Macau, Scott Chiang, reiterando que as autoridades estão “sempre a cumprir a lei”, pelo que este processo não é um ataque pessoal contra as personalidades ou associação que representam. “Não estamos a atacar ninguém de uma associação específica. Todas as acções que tomamos são conforme a lei”, garantiu.
“Há pessoas que dizem que os suspeitos nunca bateram nos polícias, não ultrapassaram a linha ou não praticaram nenhum acto de incitamento e questionam o porquê de [estar em causa] um crime de desobediência qualificada. Creio que isso se deve ao desconhecimento dos elementos e da lei”, vincou Wong Sio Chak, durante o balanço da criminalidade.
Afirmando que “todos os cidadãos são iguais” perante a lei, o governante sublinhou que, desde 2014, 14 casos originaram acusações de desobediência qualificada, 12 dos quais envolvendo manifestações.
Questionado sobre o número de protestos que se realizaram nesse período de tempo, Wong Sio Chak disse não ter os dados em mãos, mas frisou que “as pessoas são livres de se manifestarem”, sendo que “só uma pequena parte é que não apresentou pedido [para se manifestar], violando a lei, a decisão do Tribunal de Última Instância e as orientações da polícia”. “Macau é um Estado de Direito, uma sociedade muito livre”, realçou.
Ainda sobre os mesmos dados estatísticos, o Secretário indicou que as 14 ocorrências envolveram 37 homens e 10 mulheres. Um dos casos prende-se com o protesto dos compradores de fracções no “Pearl Horizon” que terminou com um polícia agredido e ataques à viatura das autoridades.
Na altura, o agressor não foi acusado, tendo Wong Sio Chak voltado a salientar que “os dois membros da polícia desistiram da acusação durante o processo de acusação devido à pena que seria aplicada [ao agressor]. Mas, os outros crimes relacionados com danos qualificados, continuam a estar em via judicial e envolvem três homens e duas mulheres”.
Além disso, no espaço de três anos, também se verificou uma demonstração organizada num estaleiro que originou crime de dano qualificado praticado por seis homens. “Se temos a lei precisamos de a cumprir. Se não a executamos então não estamos a fazer a nossa parte. Todos os cidadãos são iguais e precisamos de cumprir a lei e de a respeitar. É muito justo”, destacou o Secretário para a Segurança.



